Quadrinhos em História

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Momento oportuno para falar de minha antiga relação com os quadrinhos: as duas obras que mais me motivaram a admirar os “comics” estão nos cinemas. Uma delas, Batman – O Cavaleiro das Trevas, todos sabem, já está nos camelôs e (onde há) salas de exibição. A outra, Watchmen, está anuncianda para 2009.
Isto torna modernos meus referenciais neste gênero, que até então eram coisas de baú. Na música, seria como se os Smiths voltassem hoje, tornando-se pauta na mídia.
Casualmente, essas duas obras são cult nas HQs, são quadrinhos “adultos” (mas não no sentido de pornô), com linguagem de cinema. O que não significa o sucesso de sua transposição para as telas. Representam o outro extremo para quem ainda acha que ler gibi é coisa de retardado. Os temas são pesados: sexo, ultra-violência, “no future”; a perspectiva dos ângulos emula a de uma câmera e a trama é articulada como um bom suspense.

Contextualizando…
Essa forma de expressão tem uma longa trajetória desde o século XX, um bom livro para iniciar-se é História das Histórias em Quadrinhos, de Álvaro de Moya.
Nos anos 80, a Editora Abril praticamente dominou as publicações nacionais adquirindo os direitos de republicar os títulos da Marvel e DC, as duas editoras americanas que mono(bi)polarizaram esse universo até os anos 90.
A produção nacional sempre foi marginalizada, com heróis como o Capitão Sete (claro que você nunca ouviu falar). Mas eventos dedicados ao assunto denunciam o interesse público, que em Porto Alegre é intenso, sendo cadeira opcional na Comunicação na UFRGS.

O livro de Moya tem o defeito de não ter, que eu saiba, atualização dos anos 90 para cá. Portanto vou acrescentar que:
– nessa década os produtores se uniram em editoras independentes, como a Image; desafiando o mono(bi)pólio Marvel/DC.
– No Brasil, tentou-se implantar uma versão local da revista Wizard, equivalente para as HQs da Set para cinema e Bizz para música, mas não durou dez edições.
– é muito grande o crossover com o cinema, ver alguns títulos lançados nos últimos dez anos: as séries Batman, Aranha, Hulk, X-Men; Super-homem, Homem de Ferro, Constantine, Demolidor, Elektra, Quarteto Fantástico.
– o Brasil “exporta” muitos desenhistas de HQ para as grandes editoras, tais como Róger Cruz (na verdade eles trabalham aqui mesmo e enviam).
– Nos últimos anos a Editora Panini substituiu a Abril em traduzir para o Brasil as HQs estrangeiras.

“Quem vigia os Vigilantes ?” (who watches the Watchmen)

Voltando aos títulos em questão:
O Cavaleiro das Trevas é um momento singular na carreira de Frank Miller, pois ele saltou das revistinhas regulares para essa novela com produção luxuosa, e arriscando-se em imprimir a um personagem clássico seu estilo cada vez mais personalizado. E explorou bem, muito antes de Tim Burton, a verdadeira vocação do morcego, que é gótica e soturna.
Já a experiência de ler Watchmen, é muito similar a ver um filme. Cheio de referências pop e filosóficas, citações que vão de Bob Dylan à Bíblia etc. Alan Moore, que já se consagrara escrevendo o Monstro do Pântano, aqui apresenta (anti-)heróis desconhecidos, criados para a ocasião, cujas personas refletem dramas humanos como a prepotência, a velhice.
Mas vou falar o mínimo, pois vale a pena mesmo é ler essas duas sagas.

Detalhe: não sei o que poderia dirigir Watchmen, The Movie, ao sucesso de bilheteria; enquanto The Dark Knight teve marketing além do previsto pelo óbito de Heather Ledger… o que sugere mesmo uma maldição tumba-de-faraó para quem se mete com esses ícones do sub-mundo, tal como ocorreu com Brandon Lee quando vivia O Corvo…

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