Pata de Elefante + Marvin

[2009.06.19]

A noite de sexta, 19, foi do Atelier Coletivo. Pata de Elefante – banda “nacional” no contexto alternativo ainda que gaúcha de nascença – com abertura da Marvin local – ausente dos palcos há meses.
Como é hábito em Bagé, o público preenche o espaço lá pela 1h AM. Há quem proteste pelo aumento do ingresso dos habituais R$ 10,00 para 15,00.

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Hora da Marvin: com a performance de palco limitada pelas reduzidas dimensões do mesmo, resta a Ricardo Belleza concentrar-se em ser crooner; com emotividade e sem derrapar nas letras, impressas em sua frente. Experientes em divertir, os marvins (completados por Beto, Augusto e Alessandro) mesclam petardos do rock de sempre com novidades ainda quentes na memória coletiva, mantendo alto o nível adrenal durante 14 canções que pareceram cinco. De quebra, o cantor empunha o violão para o encerramento com duas composições próprias, potenciais hits nas rádios locais se for do interesse destas, como nos tempos da B. K. Jones, em versão demo.

tracklisting da Marvin

tracklisting da Marvin

I) Covers
Other Side – RHCP
Dead Flowers – Stones
One – U2
Route 66 – versão John Mayer
Louie Louie – versão Motorhead
Black Night – Deep Purple
Molly Chambers – Kings Of Leon
I Saw Her Standing There – The Fab 4
Rock And Roll All Nite – Kiss
You Shook Me All Night Long – AC/DC
Eye Of The Tiger – Survivor (sim, a trilha de Rocky Balboa. Garotas simularam pugilismo na platéia)
What A Wonderful World – versão Joey Ramone
II) Músicas próprias
Cravo e Canela
Fliperama

A Pata não demora em se ajeitar on stage, por conta da simplicidade do trio, em que guitarrista e baixista revezam-se mutuamente entre ambos instrumentos. Gustavo fixa-se no assento percussivo, sentindo-se em casa.

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A impressão que causam é coerente com sua proposta: a vibração é de um show de rock “convencional”, apenas liberto das amarras do formato pop. Vitalidade flui das cordas e baquetas. A satisfação em tocar transparecia na expressão (e no suor) de Daniel. Jam session? Experimentalismo ? Só na medida, já que as músicas são executadas basicamente como no estúdio. Nada de firulas virtuosas e solos de dois quilômetros. Os caras evitam se auto-rotular porque a tarefa é ingrata mesmo: são muitas influências, em tese, díspares. Às vezes lembra surf music, às vezes psychobilly; dali há pouco baixam Hendrix e Jeff Beck. “Parece trilha de spaghetti“, comenta a menina na pista, talvez inconsciente de quanto está com a razão.

ENTREVISTA PRÉ-SHOW

O terceiro álbum da Pata, ainda sem título, está gravado e previsto para sair em setembro, pelo selo independente dos anteriores (o gautcho Monstro Discos), mas desta feita em parceria com a Trama, garantindo a distribuição. “Soa mais rock que o anterior, que era mais tranquilo e tinha influência folk”, define Gabriel.
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O músico comenta a opção pelo instrumental, que para muitos seria um suicídio comercial: “Não foi uma escolha, foi acaso: tocava com Gustavo e marcamos uma jam nas Catacumbas da UFRGS com alguns amigos que na última hora não foram. Chamei o Dani, que tocava comigo em outra banda, apresentei os caras praticamente em cima do palco. Foi um improviso legítimo: nenhum de nós cantava; não tocamos músicas prontas, mas o que saiu na hora. Não foi chato, tipo música instrumental séria… e notamos que o pessoal gostou”. Gabriel acrescenta que o trio nem cogita mudar sua estética: “botar vocal é um passo pra estragar tudo, pois esse é o diferencial pra banda. Apesar de ouvirmos música instrumental, nosso som é do tipo de música com vocal mesmo, para dançar…” O batera Gustavo completa: “A gente circula muito mais no nicho das bandas com vocal que no circuito instrumental… e sempre agradamos assim; o público pula, grita, assobiam a melodia… a música instrumental se impôs e nós aceitamos”.
A musicalidade do (power?) trio se inseriu definitivamente no programa dos festivais alternativos país afora, sobretudo em Goiânia e Minas, onde vão constantemente a convite. Os três vivem exclusivamente da banda e rejeitam ser vistos como anti-comerciais, já que buscam o sucesso com uma proposta incomum.

***

Para registro: sobre a iniciativa de viabilizar espetáculos assim aqui em Fodham City, vale o recado final de Belleza aos pagantes: “Sigam vindo no Atelier. Aqui é onde vocês podem encontrar alguma coisa diferente em Bagé”.

Cartaz Pata

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