De volta à Fantástica Fábrica… do Som (anos 80 revisitados)

Nesta sexta, a TV Cultura dedicou um horário ao extinto programa Fábrica do Som, que no início dos anos 80 era uma janela para o rock e cultura de então, e bem alternativo, pois reunia elementos artísticos que sequer na cena atual são comuns, mesmo com os espaços e recursos surgidos. A exibição fez parte de uma série de flashbacks da emissora em seu aniversário, que revelam seu acervo histórico, que está sendo digitalizado.
O Fábrica do Som exibido consistiu num programa de auditório, com amplo palco, onde se apresentaram vários artistas numa estrutura menos produzida e profissional que a atual; porém de liberdade de expressão muito maior.
Entre os nomes presentes, os nove (?!) Titãs do Ieieiê, Ira! (Nasi guri, com outra voz) e Ultraje a Rigor.
Os elementos a que me referi são:
– um caráter altamente experimental, performático e teatral, que transcende a coisa da música. Não por acaso, a presença de Jorge Mautner, o grande poeta de formação riponga.

jorge_mautner

Entre músicas, houve poemas na linha concreta de Arnaldo Antunes, recitados com uma instrumentação esparsa, meio jazzística improvisada, evocando os beatniks, ou mais conhecidamente um Jim Morrison. (O qual inseria em suas apresentações influências vaudeville. Assim como Peter Gabriel no Gênesis do início era puro teatro mitológico).
Tudo parecia um grande sarau. As bandas “emprestavam” músicos entre si, como o baterista Charles Gavin, e também se reuniam em grupos sem nome, informais, para alguma música.
Não vejo na mídia atual nada parecido. Até as “jovens tardes de domingo” da Jovem Guarda tinham mais esse perfil de criação coletiva. No Ocidente rola alguma coisa, but “the revolution will not be televised”. O mais perto que a MTV chegou foi transmitir eventos de participantes do mangue beat (cujo nome correto seria manguebit), como a nação zumbi, com esse aspecto de uma jam, um ensaio criativo teletransmitido. Essa “multidisciplinaridade” de um ateliê de Andy Warhol, ou de um Atelier Coletivo…

Um Comentário

  1. Gustavo

    sempre anos 80, cara não vejo nada parecido há anos performance em palco, programas com improvisos de bandas e sem cortes, isso não existe mais, infelizmente. Temos um hiato cultural de duas décadas na televisão brasileira no que se refere à música, então nos contentemos com caldeirão, putz.
    acho q falando de banda a única que vi recentemente fazendo algo igual foi o radiohead que na minha opinião é uma releitura de tudo de bom que teve nos anos 80.

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