Izmália em Bagé: dose dupla

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Bagé viveu cenas atípicas no sábado, 08. Dose dupla na área cultural: a mesma dobradinha de bandas, apresentando diferentes performances para dois ambientes distintos. A atração visitante, Izmália, contou com a Marvin local para a abertura dos trabalhos.
O primeiro ato teve como palco o Instituto Municipal de Belas Artes, no início da noite. Com entrada franca, dentro de uma ação itinerante da Fundação Ecarta, que visita vários municípios gaúchos e incluiu Bagé numa seqüência de shows ao longo do ano, a van com o quarteto de músicos e representantes do projeto cultural aportava na avenida Sete… enquanto, no interior da casa, o palco normalmente utilizado para apresentações de alunos de musicalização, era tomado pela Marvin. Neste ambiente algo sóbrio, e repleto de instrumentos como três baterias e um piano coberto, a formação era completa e elétrica, porém o show, pocket e autoral – após duas covers para aquecer, apresentaram suas quatro composições de trabalho, com as quais devem desembarcar em um estúdio da capital gaúcha até o fim do ano. Em sua atual temporada, com shows mais constantes, o quarteto a cada oportunidade demonstra-se mais à vontade no palco e entrosado.
Minutos depois, a simplicidade do palco (cuja única “produção” era o cartaz da Ecarta ao fundo) sofreu leve alteração, com o aparecimento dos bancos onde o trio de frente da Izmália se instalou (devidamente suportados pelo batera Rafinha Carneiro, integrado à família há cerca de seis meses), denunciando o clima do show: intimista, como pedia a ocasião, mas nada de voz e violão: Izmália tem (literalmente) soul… e, claro, muito rock and roll !
Com a platéia ganha de cara, pela simpatia em interagir, e por não economizar nas covers, alternariam entre visceralização (com os arranjos) de standards da MPB imortalizados por Elis (“Como Os Nossos Pais”) e Vinícius; e reverência a compositores da nova leva, como Marcelo Camelo – já na abertura, com “O Vento”, e mais tarde “Sentimental”, sugestão do guitar man Marcelo. A verve jopliniana da cantora não tardou a ressaltar, com “Easy” dos Commodores, coverizada antes pelo Faith No More; e na seqüência Amy Winehouse “Back to Black”, que, assim como “All My Loving” dos Beatles teria bis no show “rock” mais tarde.
Mesmo entre tantos clássicos, as composições próprias intercaladas obtiveram reação positiva. Extraídas do álbum “Quase Não Dói”, de 2007, a faixa-título, “Além do Que Se Pode Alcançar”, “O Beijo Que Não Tem Saída”, etc. tem um potencial que torna sua ausência sentida no playlist negociado das FMs. Em tempos de superficialidade estética sem conteúdo, nada como artistas cuja entrega emociona… Izmália hoje é uma banda, não se trata da estrela com músicos de apoio. O nome foi mantido pelas premiações conquistadas. A cantora inclusive tirou de circulação seu blogue, que para ela “estava com um perfil muito pessoal, e falando principalmente de futebol”, prometendo que vai reativá-lo após uma reformulação.
Horas mais tarde, Atelier Coletivo – a versão com acréscimo de peso do espetáculo. Agora todos em pé, e com cervejas disponíveis no local.

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A Marvin demonstrou uma variação do repertório que já vem apresentando, rearranjado de modo a tornar ainda mais empolgante a celebração do rock… algumas influências coincidentes com as da Izmália ficaram evidentes ao serem coverizadas pelas duas bandas da noite, como: AC/DC, Ramones, Beatles… assim que tomou o palco, (por volta de 2h30 AM) a banda portoalegrense mostrou que não estava para amenidades: a segunda música já foi “Suck My Kiss”, petardo do Red Hot em sua era mais funkeada e que não pareceu incomodar muito ao baixista Sandro em emular com competência um Flea. “Vamos fazendo uma própria e um tributo”, informava a cantora, entregando a fórmula que manteve o pique da festa… entre o atendimento a pedidos como “Monogamia”, e Beatles again; essa foi a tônica que trouxe, entre as canções próprias, as certeiras “Jailbreak”, “I Wanna Be Sedated”, “Breakdown” dos Foo Fighters… até a orgiástica seqüência final só de covers, com Kinks, Steppenwolf, Muse (apontada como uma preferência da banda, que eu assino embaixo) e Led Zep… sempre com uma performática frontwoman, demonstrando que seu comentado ecletismo jamais podou sua veia roqueira escolada em Janis, Patti Smith, Amy… celebração consumada, a cantora saiu à francesa sem poder concretizar o combinado – tomarmos umas no Atelier, em vista de uma indisposição orgânica anterior inclusive ao segundo show, contratempo que sequer transpareceu durante a atuação da banda, dado o profissionalismo da equipe.

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  1. Pingback: Anjo da Fronteira e outras composições de um roqueiro bajeense « Blog de Marcelo Fialho

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