Gabriel entre o discurso e a prática na Feira

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Gabriel permitiu aproximação apenas visual ao público

Gabriel O Pensador em Bagé: palestra foi o evento mais comentado da Feira do Livro 2009. O disco mais relevante de Gabriel foi o primeiro, em cuja turnê assisti seu show no Ginásio Militão. No palco, acompanhado apenas por DJs, o então estudante de Comunicação Social convencia como rapper. Em disco, parecia ser mesmo “do morro”, imagem muito contestada pelos delatores de plantão na mídia, que reiteravam ser o artista filho de Belisa Ribeiro, colunável carioca e ex-apresentadora do Jornal da Globo. Depois disso, o pensador ficou cada vez mais pop, abandonando de vez a pose de mau, e vagando o posto de rapper bandido para Mano Brown dos Racionais MCs, e o enfumaçado D2. Nunca mais cantou seu hit inicial, “Tô Feliz – Matei o Presidente”. Só manteve, nos álbuns seguintes, preocupações sociais em algumas letras, como “Estudo Errado”, que critica o sistema pedagógico. Hoje com dois filhos, já lançou um livro dedicado ao público infantil. Pratica surfe.
Gabriel tem raízes parentais na cidade de Alegrete, e uma composição sua com influência gaudéria, “Tudo Certo”, consta na trilha da temporada atual da novela Malhação.
Em Bagé, ao início de sua aparição, acompanhou uma estudante nativa, que declamou em forma de rap um poema ecológico com que ganhou um concurso local. O contexto de sua fala incluiu alguns poemas e o um único um rap, à capella, no final. Sua esplanação nada mais é que propaganda de “Diário Noturno”, um de seus livros, que nada mais é que uma biografia seletiva com o the best of suas vivências. Destacou seu início no ativismo social (em causas como combate ao racismo), com iniciativas solitárias, como o dia em que “invadiu” o palco do teatro Casagrande e pôde defender sua causa ao microfone, graças a um bilhete que mandou para o convidado José Wilker.
Com todo esse discurso de transgredir limites, Gabriel foi pouco solícito em dar espaço para o rompimento de suas barreiras, por parte de jovens inquietos como ele em seu início.
Chegou e saiu da tenda escoltado por um segurança em cada lado. Repreendeu um rapaz que gritava palavras de ordem nos bastidores do palco, e, na saída, recusou atendimentos pessoais alegando que faria fisioterapia para a coluna. Apenas seletos envolvidos na promoção de sua vinda furaram o bloqueio imposto na portaria do hotel.

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