Japan Project 2009: desenhistas, HQs e zines

CAPÍTULO II – DESENHISTAS NO JP4

Estavam expondo no JP três desenhistas: Dione e Jonatas na oficina de desenho, e Camila em estande comercial.
Os dois oficineiros iniciaram juntos, em um curso oferecido na Biblioteca Pública de Bagé, por Érdio Jean e Pardal, há cerca de cinco anos. Na sala exclusiva do JP, havia painéis e cartazes seus pelas paredes. Dione instalou seu computador pessoal para animações.
Camila se disse colocada entre os expositores para facilitar a comercialização de sua produção.
Os três artistas cobravam para produzir caricaturas de visitante, em média de R$ 5,00 (P&B) a 7,00.

1. CRIATIVIDADE PREMIADA

Dione

Dione “Falco” (nome de um de seus personagens), 21 anos, viria a ser uma das consagrações ao final do JP, como primeiro lugar em Cosplay.
Autodidata, não vive de sua arte, trabalhando também como servente.
Entre suas influências, artistas como Akira Toriama e Stan Lee, e localmente, Cláudio Falcão. Prefere os personagens sem superpoderes como Batman e Capitão América, e no manga, Goku e Fly (ambos de Dragon Ball Z). Mas, acima de tudo, suas próprias criações, como Estúdio Galáxia: o Homem Elétrico, cujas aventuras se passam em Bagé; e Falco, que teve seu fanzine Número 1 lançado em outubro de 2008. Dione saiu atrás de patrocínio e imprimiu 40 cópias em xerox colorido, vendidas a R$ 3,50 cada. No flog do artista já se vê trechos da terceira edição de Falco, ainda em construção.
http://flog.clickgratis.com.br/dione
O artista trabalha com nanquim e pincel, finaliza com caneta ou pincel atômico. Também faz cartazes com têmpera. E armaduras em papel machê, como a de seu cosplay.
Revela que a parceria com Aldo Mesquita (que produz sites mas não desenha) lhe introduziu no mundo digital, incrementando seu trabalho com os programas Photoshop, Fireworks e mais recentemente Flash, para animação como uma do Homem Elétrico, que apresentou no JP, “inclusive para o prefeito de Bagé”, orgulha-se Dione.
oficina
Durante sua oficina Dione foi visitado por alunos e colegas, compartilhando dicas técnicas como o uso de caneta 0,4 mm (da Compactor, por exemplo) em lugar da Bic comum preta. (Lembrando: estamos em um universo não-profissional, freqüentado por designers de poucos recursos, mas muita criatividade e vontade)

2. ENTRE A ARTE ACADÊMICA E A DAS RUAS

Jonatas Vaz, 26 anos, é acadêmico do quinto semestre de Educação Artística, habilitação Artes Plásticas, na URCAMP. Também integra o grupo “Bagé – La Plata”, que expõe na Semana da Educação 2009.

Dionatan

Jonatas e seu mini Kamen Rider frente ao painel de pinturas


Entende que o ensino da faculdade é voltado “mais para ser professor”, equlibrando com a prática urbana, pois vive de seu trabalho como free lancer: pintura de letras e grafite, em locais como casas noturnas, em parceria com Léo Rodrigues Filho. Batizou seu estúdio como JMV Produções Artísticas.
http://jmvart.blogspot.com/
Para ele HQ é apenas influência, não lançou algumas páginas que produziu, e prefere o formato de portfólio, cartaz grande e capa, que produz com têmpera e tinta de tecido. Também faz escultura de massa epoxi, de miniaturas de heróis.
Jonatas se considera renascentista, admirador de Da Vinci e Michelangelo: “Na época deles, não havia a técnica que se tem hoje, e tinham que inventar; o que tornava muito mais difícil”.
No desenho contemporâneo, cita Bruce Timm, Mike Deodato, Frank Miller, Mozart Couto, Akima Toriama.
Não trabalha com softwares gráficos, utilizando o computador apenas para pesquisa na internet.

caricatura

Caricatura: Pablo Moreira Prestes (Seyharo), comerciário, coleciona retratos seus pelos eventos em que esteve. Apreciou o novo, feito na oficina: “Valorizo mais o estilo do traço, porque semelhança total mesmo só em fotos”.

3. CAMILA, UMA RAPOSA VITORIANA
Talento exportado Bagé-Pel

Arsênia

Camila Rosa, 21 anos, é uma bageense radicada em Pelotas que mantém a produção de fanzines iniciada aqui: While in Dark, de 2000; e Cameo, sua menina dos olhos, da qual está lançando no JP o primeiro volume de uma trilogia.
Caracterizada como sua personagem Arsene, a desenhista define-se como “uma dândi mais européia que nipônica”, devido à aristocrática influência, em sua obra, do estilo vitoriano, posterior ao gótico, e que data da Revolução Industrial, tendo referenciais em filmes como O Grande Truque, O Ilusionista e Entrevista Com O Vampiro.
Sob o pseudônimo de Seven Fox (Raposa Sete), que também batizou seu estande, Camila se considera também uma artista “tradicional”, mostrando resíduos de nanquim nas unhas, no sentido de que faz pouco uso de softwares como os vetoriais do Corel Draw.
Sua técnica favorita é baseada em lápis de cor, uma vez que não suporta sequer o cheiro da tinta a óleo.
A autodidata revela que iniciou com a revista “Aprenda a Desenhar Mangá” de Denise Akimi, e recorreu ao “mestre” Carlo Andrei Rossal para aprender sombreamento. Seu autor favorito é o brasileiro Ulisses Péres
Em Pelotas, onde este tipo de arte ainda é “underground” em sua visão, integrou-se ao grupo que se reúne semanalmente no IAD (Instituto de Artes e Design) e publica o blogue http://guildadedesenhistas.blogspot.com/. Se ela está “entre mangaká e realismo”, os colegas optam por mangaká ou cartun. Free lancer, a artista divulga seus trabalhos pela Internet. Atualmente, articula um projeto para uma revista infantil em Portugal. Um de seus maiores orgulhos, porém, é ter entregue a seu “muso” Nico Nicolaievsky (Tangos e Tragédias) um retrato do ator, desenhado por ela, que ele teria fixado em cima de seu piano, na parede.

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