Pequeno Mapa da Música no Cone Sul

Jorge Drexler

Há alguns dias, o músico Luciano Pavão fez um show-tributo a Jorge Drexler. Você já ouviu alguma música do homenageado? Um dos princípios deste blog é contribuir para a maior visibilidade dos valores culturais dos países próximos. O que, além da colonização histórica, justifica que se conheça muito mais os artistas do United Kingdom e dos United States do que os hermanos, aqui do lado ?
Apenas como referência, vamos traçar um modesto mapa da música da vizinhança, começando pela proximidade. Longe de uma lista completa, limitaremo-nos aos nomes que não são de todo obscuros – ou pelo destaque em sua pátria, ou porque antenados brasileiros já os “descobriram”, o que tem lógica geográfica para ocorrer com maior intensidade aqui pelo Rio Grande. A idéia é servir como introdução para a pesquisa individual mais acurada (Google nos nomes).

URUGUAI:
Começando pelo vizinho mais próximo e sobre cujos artistas, algumas informações podem ser conferidas em entrevistas aqui do blog:
o Nenhum de Nós falou amplamente sobre sua colaboração com artistas de países próximos, recomendando, por exemplo, o músico Sócio (pseudônimo de Federico Lima) e a banda No Te Va a Gustar . O cantor Thedy Correa deu canja no show do primeiro em Porto Alegre há pouco, e costuma dar uma força em seu Twitter e em seu blog para artistas que curte, como a banda gaúcha Pública.

https://marcelofialho.wordpress.com/nenhum-de-nos-em-bage/

Nei Lisboa, por sua vez, contou como imergiu no estilo uruguaio candombe na época do disco “Amém”, interagindo com músicos locais como Ruben Rada (afro-uruguaio), Mauricio Trobo e Fernando Lobo Nunez.

https://marcelofialho.wordpress.com/neilisboa/

Já Vitor Ramil, além de convidar Caetano para cantar o poeta argentino Jorge Luis Borges no disco que sai em alguns meses, colaborou antes com Jorge Drexler, uruguaio com ótimas referências: gravado por nomes como Paulinho Moska e Neneh Cherry, é dele o Oscar de Melhor Canção, pelo tema de “Diários de Motocicleta”, sobre Che, do brasileiro Walter Salles.

https://marcelofialho.wordpress.com/2009/11/02/vitorramil/

Além destes, temos o caso curioso da Legião Urbana. Os dois remanescentes do grupo tocaram em setembro no Porão do Rock em Brasília acompanhados por uruguaios. Mateo Moreno (ex-No Te Va a Gustar – baixo), Guzmán Mendaro (guitarra) e Gustavo Montemurro(teclados) como banda, além de participações de cantores das bandas La Vela Puerca e Los Traidores. Tudo começou quando foram convidados para um tributo à Legião no país vizinho.

Fito Paez

ARGENTINA

Fito Paez já teve a parceria com os Paralamas do Sucesso, “Trac Trac” e sua obra autoral é incensada muito além de seu lar. Já interagiu com muita gente da MPB. Cultuado também pelo Nenhum de Nós, banda que indica mais um nome: Gustavo Ceratti.
Pegada mais rock, temos os consagrados: o veterano Charly Garcia; Soda Stereo, banda que, como os conterrâneos Enanitos Verdes, canta “Lamento Boliviano”, de autoria misteriosa.
Ataque 77 ou A77aque.
Los Fabulosos Cadillacs.
Los Pericos (reggae).
E uma turma que tocava nas rádios de Bagé quando o idioma castelhano era alta moda, de 10 a 15 anos atrás: Los Ladrones Sueltos; Vilma Palma y Los Vampiros, e o dance El Símbolo.

Los Autenticos Decadentes, sugestão do George (ver comentários).

COLOMBIA
Daqui vêm o furacão Shakira (que já foi mais do rock antes de querer ser Madonna), o guitarrista pop Juanes, e a banda Aterciopelados.

Nos demais países adjacentes, estrelas de menor relevância global como Los Prisioneros (Chile), Flou (Paraguai) e Leusemia (Peru).

PORTO RICO
Atualmente oferece o Calle 13. Historicamente, há o fenômeno nada roqueiro: Enrique Martin Morales segue a linha romântica da qual sobrevivem Alejandro Sanz e Enrique Iglesias, hijo del hombre, no além-mar da Espanha. Mais conhecido como Ricky Martin, ele é o que sobrou do Menudo, febre oitentista ancestral da que viria há alguns anos do…

MÉXICO
…o RBD. A pátria do guitarrista Carlos Santana, porém, tem mais a oferecer: os roqueiros do Café Tacuba chamaram tanta atenção do Morrissey que ele cruzou o oceano só para entregar-lhes o VMA Latino da MTV (ou “Los Premios”) em 2009. Na cerimônia, vários nomes a prestar atenção. Muito mais radiofônicos Maná e Julieta Venegas.
Lembrando que “La Bamba” é uma canção folclórica mexicana, mas Richie Valens, que a estourou no mercado pop/rock é americano com descendência mexicana.

soda stereo

BRASILEIROS GRAVAM E HERMANOS RETRIBUEM
Entre músicos, uma prática comum é participarem de shows reciprocamente, lá e cá. O Nenhum de Nós é dos que mais promove shows dos “vizinhos” em Porto Alegre. Nei Lisboa fez isso na época que já mencionamos.
Paralamas gravaram “Loirinha Bombril”, versão de “Parate Y Mira”, do Los Pericos, e também “Música Ligeira”, versão da “De Musica Ligera” do Soda Stereo – da qual o Capital Inicial fez até mais sucesso com outra versão, chamada “À Sua Maneira”.
O Nenhum de Nós gravou em português “Polaroid” de Fito Paez.
Legião Urbana, no Acústico MTV, gravou “Hoje À Noite Não Tem Luar”, versão de “Hoy Me Voy para El Mejico’”, do Menudo. Em retribuição, teve versões gravadas por Ricky Martin (“A Via Láctea” arranjada de modo bem diferente virou “Gracias Por Pensar En Mi”) e Ataque 77 (leituras bem punk de “Fábrica” e “Perfeccion”).

Aceitamos sugestões que enriqueçam a lista, dentro dos critérios citados.

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  1. Gustavo

    Grande Marcelo! muito legal esta lista, muita informação da qual eu desconhecia e não sabia que “lamento boliviano” tinha autoria desconhecida. grande abraço e que você continue enriquecendo “nossa cultura”.

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