Anjo da Fronteira e outras composições de um roqueiro bajeense

Conheça a obra de Ricardo Belleza no You Tube

Há alguns meses, a internet foi enfim desbravada pela obra de Ricardo Belleza. Foram upados no You Tube vídeos de 12 canções executadas em parceria com Marcelo Chroner, conhecido como o lead vocal da The Pampas.
O endereço é o próprio canal da banda: http://youtube.com.br/bandathepampas/
onde pode-se acessar também os demais vídeos da banda, incluindo seu single mais conhecido, “Maria Ferradura”.

As canções em parceria, por ordem de compositor, são:

De Marcelo Chroner:
Cachaça
Ela Roubou Meu Coração
Fogo Na Casa
Jeito Embriagado
Olha Nos Meus Olhos
Tudo Igual

De Ricardo Belleza:
Ana Elisa
Anjo da fronteira
Aos Cacos
Cravo e canela
já apresentada com a banda Marvin, a exemplo do show de abertura para a Izmália em 2009.
https://marcelofialho.wordpress.com/2009/08/09/izmalia/
Você Não Vai Se Arrepender – radio hit da B. K. Jones.
Você se foi

Os registros primam pela simplicidade extrema, na linha de ensaios gravados, com produção quase ausente. Raras exceções de sofisticação, como um timbre de slide guitar no solo de “Ela Roubou Meu Coração”. Os arranjos foram adaptados para duas vozes (Belleza faz o grave), e dois violões, com harmonias que remetem ao boogie (“Fogo Na Casa”) e, inclusive, à moda de viola. Na temática, o rock and roll clássico dos primórdios: corações partidos, interações safadas com o sexo feminino. Diversão garantida, como na letra de “Aos Cacos”.

O Anjo da Fronteira

Entre o punhado de canções no You Tube, chama atenção “Anjo da Fronteira”, cuja estória bem poderia agradar ao playlist das rádios. A letra homenageia o regionalismo, ao apropriar-se do estilo narrativo de Gildo de Freitas. Mas reflete uma realidade bastante urbana e atual, eis que estão cada vez mais comuns trajetórias parecidas com a do “anjo” do título.
A música já havia sido apresentada em 2009 no Atelier Coletivo:
https://marcelofialho.wordpress.com/2009/10/24/atelier/

Eu a conheci numa rodoviária
Uma mulher sem pudor, ex-presidiária
Ela me contou de toda a sua história
Dos seus dias de luta, das suas glórias

Foi dançarina exótica em um cabaré
Com uma python albina, dançava balé
E ela era feliz e enfim
alugou um apê na Alberto Bins
Comprou som estéreo e tevê,
discos do Roberto iê iê iê

Prostituta de luxo ela virou
Até político importante namorou
Mas por um gigolô se apaixonou
e toda sua grana ele levou
E ela começou a cheirar,
beber e se detonar
Do cabaré chique saiu
e nas ruas se prostituiu

Participou de um assalto a uma lanchonete
e foi presa em flagrante, nossa triste vedete
Ladra, viciada e prostituta
Mofou no xadrez e se tornou adulta
Mas um dia pra rua ela voltou
De um amigo uma grana emprestou
No interior um prostíbulo montou
E algum dinheiro ganhou

Dona de cabaré
Naquela cidade ela é
Puta querida virou
E muita gente ajudou

Hoje minha amiga ela é
É um amor de mulher
Anjo que na fronteira caiu
E de lá nunca mais saiu

Ricardo Vaz Belleza é verbete obrigatório na enciclopédia do rock bajeense.
Finalmente a upagem dos vídeos vem a demonstrar no terreno virtual sua relevância no contexto local, se bem que de modo ainda modesto em proporção ao acervo gravado pelo compositor.
De ascendência familiar artística e escolado em ambientes under, especialmente da capital gaúcha, como o Garagem Hermética em seu auge, Ricardo trouxe tais influências para suas composições e performances. Assim, ancorado nas diferentes bandas que criou, abriu mais espaço para o rock na realidade local, em espaços cativos como lhe era o extinto Point Bar. Pelos idos de 1996, iniciou período de intensa atividade, virando notícia nos jornais locais e sendo headliner em eventos como a Festa de Natal do Clube Comercial daquele ano e a final regional do Garota Verão. Em seguida, emplacou pelo menos dois hits na Atlântida FM 98.1, consagrando-se com a recepção do público em edições consecutivas do festival Juninão. As clássicas “diferenças internas” causaram uma sucessão de aparecimentos e dissoluções de bandas lideradas por Belleza: Abutres, B. K. Jones, Máfia, Xamã, Porfírio Bell… Em meados da década 2000, esteve afastado dos holofotes por fatores pessoais como o ingresso na faculdade de Publicidade e Propaganda da Urcamp, onde graduou-se em 2009. Nos últimos anos, Ricardo voltou a ser atração nos recintos artísticos de Bagé, hora com sua mais recente banda, a Marvin, hora em apresentações solo recheadas de convidados, até chegar à parceria com Chroner.
Como compositor, Ricardo demonstra forte identidade com as raízes das duas primeiras décadas do rock – seu lado billy e countryficado; e o romantismo que oscila entre o ingênuo e o sacana.
Embora gravações de estúdio da época da B. K. Jones circulem informalmente pela cidade, a expectativa é de que Ricardo cumpra o anunciado em seu twitter @ricardobelleza e disponibilize no You Tube também suas composições mais antigas. Entre elas, “Carolina (Funeral na Capital)”, “Tua Teimosia”, “Rua dos Sonhos Perdidos”, todas da época da Porfírio Bell.

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