Memória do rock: 1996 foi o ano da banda Abutres

As matérias a seguir são de meu período como repórter do extinto jornal Correio do Sul, de Bagé. Os exemplares da época constam do Arquivo que funciona junto à Biblioteca Pública Municipal. Tem muita produção minha ali, como a resenha-entrevista do show do Skank no Militão, e a conversa com Monique Evans sobre a festa que foi parar na delegacia.

Selecionei duas inserções que falam diretamente de rock, e de uma banda que começava a ganhar um destaque que se prolongou. Vergonha de alguns vícios da linguagem empregada, tipo “incendiar o público” (alguém chamou os Bombeiros?), e também os períodos longuiiiiíssimos para ler.
Além disso há menções a casas noturnas há muito falecidas, e a pessoas que há muito migraram de Bagé para melhor. Que ninguém tente calcular minha idade por estas referências arcaicas – eu posso ter sido um prodígio : )

Dos seis integrantes d´Os Abutres, acho que só o Ricardo ainda está por aqui. Aliás, um de seus projetos atuais, a Banda Marvin (com Alessandro Ribeiro, Augusto Avello e Humberto Martinez) está retornando aos palcos, com data no Atelier Coletivo no dia 29, sexta.

1. Abutres sobrevoam cena roqueira local (Correio do Sul, 16 de dezembro de 1996)

Em seu primeiro show no Armadilha, a banda Abutres incendiou o público detonando covers que transitaram do rockabilly clássico (Jerry Lee Lewis, Chuck Berry) ao contemporâneo (Cascavelletes) passando pelos 60´s (Doors, Creedence Clearwater Revival, Velvet Underground) e exibindo raízes punk (Ramones). “Nosso som é isso aí mesmo, energia positiva para ativar a adrenalina da galera nas festas”, define o vocalista Ricardo Belleza. Entre as canções próprias, “Não Me Querem Mais Aqui”, “Cigarrilha, Whisky e Mulher” e “Jaque” – esta tocada também no programa de rádio Nitro, do punk rocker Marcelo Kalil. A formação atual apresenta Ricardo Belleza, 25 (vocal e eventual violão acústico), Guga Giorgis, 19 (guitarra-solo), Juliano Paraná, o “Mandrake”, 22 (guitarra-base), Marcelo “Muskito” Robaina, 20 (baixo), Márcio Gomes, 15 (teclado) e Pedro Belleza, 20, primo do vocalista e conhecido como “Rasga-diabo” (bateria).

Ricardo, que no grupo paralelo Os Impossíveis toca harmônica, violão e solta a voz em baladas em um repertório “mais soft para barzinho, desde o blues de Muddy Waters”. Em Porto Alegre, Belleza morou próximo ao Garagem Hermética, onde cruzava figuras carimbadas do underground gaúcho. De volta a Bagé, festeja: “Tenho sentido, em eventos como o Bagepalloza, que aqui tem pessoal curtindo rock and roll e planejo uma grande festa de rock em Bagé em 97, em parceria com Djs que hoje moram em Porto Alegre e estão reunindo um acervo musical que é uma loucura !”. A agenda dos Abutres prevê um show na inauguração do Barraka Blue no Cassino, dia 21. Outro pode ser confirmado para Bagé antes do Natal. Enquanto isso o sexteto divulga o trabalho.

2. Rock fez a diferença na noite de Natal (Correio do Sul, 27 de dezembro de 1996)

Não bastasse a tradição de seus Djs em esquentar pistas, a equipe Barraka Blue esforçou-se em presentear com um atrativo muito especial o público da festa Natal Amigo, ocorrida no Clube Comercial: um show digno dos grandes circuitos, onde Guga, Mandrake, Muskito, Márcio Gomes e os primos Belleza (Ricardo e Rasga-Diabo), mais conhecidos como Os Abutres, cumpriram brincando a promessa de injetar rock´n roll nas veias de Bagé. O set list transitou pelos hinos do estilo On The Road de ser como “Route 66” e “Born To Be Wild”, mas incluiu sem preconceitos Queen, Foo Fighters e Jovem Guarda. Ao servir uma dose dupla de Tequila Baby mesclada com canções próprias, os entrosados roqueiros invadiram, como os colegas da capital, o primeiro escalão do rockabilly gaúcho. Um ponto alto foi quando Ricardo, de garrafa em punho, encarnou o xamã Jim Morrison para a trilogia de clássicos dos Doors. E o clímax veio com a trinca arrasa-quarteirão “Johnny B. Good”, “Great Balls Of Fire” e “Whole Lotta Shakin´ Going On”. A galera ficou pedindo mais. Vai ter, em breve.

  1. Ricardo Belleza

    Bagé hj em dia tem memória, se chama Marcelo Fialho hehe, eu tenho esses jornais guardados , boa lembrança.

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