Catarse no Sul com Dado Villa Lobos & Cia.

O Rio Grande do Sul esteve mais poético esta semana. Dado Villa Lobos e Toni Platão, escudados pela banda Reino Animal, impregnaram o clima com canções marcadas pela ênfase na melodia, e letras de influência literária. Sobrevivendo no showbusiness ao se reinventar sem negar suas raízes, os dois protagonistas vitais do B-Rock anos 80 apresentaram um setlist que contempla ambas carreiras solo, mas também reverencia a cena em que surgiram, e que pode ser resumida em um único nome: Legião Urbana.
Além de Frederico Westphalen e Três de Maio, o espetáculo foi recebido em:

PELOTAS>>

SANTA MARIA>>

Nestas duas cidades, foi possível registrar os detalhes que seguem, sobre os shows e bastidores. Os artistas e sua equipe foram bastante acessíveis em colaborar com a cobertura.

I. PELOTAS, 18.11.2010 – BAR JOÃO GILBERTO

No palco do bar que leva o nome de uma de suas grandes influências, Dado confessou que não visitava a terra da Fenadoce “há muitos anos, desde um show do Taranatiriça, que estava muito bom”. Em seguida homenageou Nenung (Dharma Lovers), um dos gaúchos com quem mantém parceria musical, abrindo a noite com “Seres Extranhos” – mais tarde seria a vez de “Diamante”.

Cada vez mais à vontade no palco, Villa Lobos tocou harmônica e dançou a seu modo no clima da cover de “Rainy Day Women”, de Bob Dylan, que conclama: “everybody must get stoned”.
Na sequência, o guitarrista interpõs suas canções mais conhecidas “Dias”, “Quase Nada” e a nova “O Homem Que Calculava” com as da Legião que escolheu para fazer lead vocal: “Teatro dos Vampiros”, “Um Dia Perfeito”, e “A Dança” – em versão rearranjada onde ele se deixa tomar por gestos “epiléticos”, nos golpes na guitarra, e na dança que protagoniza. Break para o frontman, e Renatinho (segunda guitarra) assume também o microfone para sua versão de “Por Enquanto”.

De volta, Dado já convoca Toni ao palco, para duas parcerias que gravaram: “Tudo Que Vai” (hit com o Capital Inicial) e “Como Te Gusta ¿”. Resgatam o êxito-mor da banda de origem de Platão, a Hojerizah: “Pros Que Estão Em Casa”, com seu refrão operístico-smithiano, em versão que abrevia a trabalhada introdução de Flávio Murrah.

Parece que sempre termina… mas não tem fim

A verdadeira Legião, segundo Renato Russo

A verdadeira Legião, segundo Renato Russo

Chega a hora de um tributo feito com toda a propriedade. Dado ainda seria crooner em “Ainda É Cedo/Gimme Shelter”, “Índios” (só ao microfone, sem guitarra), e em uma “Geração Coca-Cola” acústica, estilo trovador solitário, que sua ex-banda às vezes revisitava.

De resto, é de Toni a voz na sequência legionária que entra bis adentro: “Tempo Perdido”, “Eu Sei”, “Será”, “Há Tempos” e “Pais e Filhos”. O timbre do baritono, sem intenção alguma de substituir Renato Russo, ainda assim favorece o clima da catarse coletiva. A combinação no palco demonstra-se uma das melhores alternativas para a demanda reprimida desde 1996, quando, junto com Russo, morreram as esperanças de voltar a ver a Legião ao vivo.

Ao mesmo tempo, Dado estava com saudades do calor das platéias brasileiras, após uma excursão na Europa, com Marcelo Bonfá e a Caravana Americana.
O resultado dessa interação comprovou que a Legião Urbana vive – já que, segundo o próprio Renato, ela é composta pelos fãs. Quantas bandas atuais levam os admiradores a manter em sua memória cache por tantos anos letras longas e com refrão escasso como “Índios” ?

Um Dia Perfeito
A estadia da trupe em Pel

O ônibus com a banda chegou ao Hotel Manta no meio da tarde. Horas depois, passagem de som no JG. Na saída, Dado e os músicos caminharam até a esquina com a Católica, onde tomaram táxis ao hotel. No início da manhã seguinte ao show, a turma já rumava serra acima.

Força sempre: Bruno e Uiliam viajaram 110 Km para o show e conseguiram autógrafos e fotos com Dado

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Sargento Garcia, banda contumaz no JG, animou a noite antes e depois de Dado

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Dedicação ao Rock I: João Lopes, do João Gilberto Bar, trouxe os ícones nacionais do estilo um dia antes de viajar para ver Paul McCartney em SP

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II. SANTA MARIA, 19.11.2010. BOATE KISS

Dois anos após o show do Jardim de Cactus no Hotel Morotin, Dado se reencontrou com os santamarienses para um repertório idêntico ao da véspera, em Pelotas. Antes e depois do rock, o DJ Juliano Paim é quem pilotava pickups e telões.

Dado e Toni prestaram seu tributo à Legião

Dylan também foi lembrado com Dado na harmônica

A guitarra ficou de lado para cantar “Índios”

Visão alternativa do palco, pela lateral externa ao salão principal

Dedicação ao Rock II: Kiko Spohr traz à sua boate nomes como Cachorro Grande, e em sua banda  Projeto Pantana divide palco com Alemão Ronaldo e Duda Calvin

Dedicação ao Rock II: Kiko Spohr traz à sua boate nomes como Cachorro Grande, e em sua banda Projeto Pantana divide palco com Alemão Ronaldo e Duda Calvin

O Reino Animal, versão 2.010

A banda atual de Dado aproveita o nome de seu projeto experimental pré-Legião. Saiba um pouco mais sobre a fauna dos músicos de apoio:

Lourenço, Renato, Caio e Laufer

Lourenço, Renato, Caio e Laufer

Se você conhece o rock nacional dos anos 80, conhece o baixista Carlos Laufer, mesmo que nunca tenha visto sua imagem. Nos clássicos da neo-filosofia tarada de Fausto Fawcett como “Kátia Flávia” e “Rio 40 Graus”, era ele. Está sempre co-produzindo projetos, como foi o Básico Instinto, que viajou o Brasil nos 90´s, e o primeiro álbum de Dado. Ainda mais low profile que Villa Lobos, demonstra tarimba até quando toca com três cordas.

O drummer Lourenço Monteiro tem vida paralela bem intensa fora do Reino. Além de sua banda Cabeza de Panda, colabora com artistas do quilate de Marcelo D2 e a banda Tantra. Jornalista formado, é uma espécie de diretor do soundcheck, onde auxilia a mesa de som, cantando inclusive, e garante a descontração.

O guitarrista Renato Ribeiro chega a se encarregar dos principais solos em alguns momentos, como ocorre em “P´ros Que Estão Em Casa”. Emplacar um trabalho solo parece uma tendência quando assume o vocal da canção que conquistou no set.

Nas teclas, um concentrado Caio Márcio pouco abre os olhos durante o show, parecendo literalmente viajar entre os timbres sinfônicos herdados de Renato Russo e as outras possibilidades mais ritmicas do repertório solo.

Um-dois, som… testando !


Tanto no intimismo do bar (Pelotas) quanto na amplidão da boate (Santa Maria), a passagem de som da banda foi bem extensa, minuciosa. Rolaram músicas como “Blue Monday” do New Order, e “No Alarms” do Radiohead.

Nesse momento entra em cena o papel fundamental do engenheiro de som
Fernando Fischgold, que não se constrange ao sacrificar um pouco os colegas, mantendo-os no palco até atingir a maior harmonia possível para os ouvidos do público.
Além dos citados, a equipe é formada ainda pelo roadie e pelas duas assessoras do manager Alexandre Soares. Ele informa a intenção de ampliar ainda mais as excursões pelo interior. Já tem como certa a volta ao Sul para o lançamento do novo álbum em 2011. E o projeto da tour Sete Cidades, com Bonfá, está de pé – a ideia agora é fazê-la em parceria com as prefeituras dos municípios.

Leia também:

Entrevista Exclusiva com Dado
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/11/18/entrevistadado/

  1. luciano

    uma festa do caralho,oque posso dizer do dado vila lobos,além de um lembrança viva do legiao urbana,sou a favor da volta das bandas,nao se deve pedir o mesmo,mas sim a nostalgia e um pouco de poesia nos idos 2000,essa geracao atual,pouco sabe da sensacao de cada lançamento dos cds do legiao e dos engenheiros,a gente passava meses ouvindo,que pena que nao deu pra passar em bage,pena mesmo,ia ser muito bom,imagina,bem que a prefeitura de bage podia dar uma mao em 2011 nos 200 anos da cidade,trazer bonfa e dado,ia ser muito bom mesmo,eu so tenho 34 anos,boa noite

  2. Pingback: Dado Villa Lobos prevê Colapso para 2011 « Blog de Marcelo Fialho

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