A Bela das cifras

Editora de Zero Hora não vê a mídia impressa morrendo e defende mais jornais de Economia


Foto: Antoniel Lopes (editada)

Em Bagé para palestra na Universidade da Região da Campanha, Maria Isabel Hammes, editora executiva de Economia de Zero Hora, admite que, apesar de blogueira, não é entusiasta da exposição pessoal na internet. “Não sinto necessidade de página no Facebook, por exemplo”. Ela se surpreende de ter ganho seguidores no Twitter que só usou uma vez e nem lembra o endereço. Mesmo assim, usa a tecnologia na medida que julga necessária, orientada pelo filho Felipe, 23 anos, formado em Relações Públicas.
Bela Hammes, como é conhecida, considera sadia a utilização de blogs não apenas por jornalistas: “é a livre expressão, opiniões, pontos de vista, as vezes superespecíficos de determinado microcosmo. O blog jornalistico sim, deve ser feito, por um jornalista”, defende, favorável ainda à contratação de jornalistas formados.
Apesar do crescimento das novas mídias, Bela considera “catastrofismo” o discurso de “morte” do jornal impresso: “há uns quinze anos, o badalado americano Nicholas Negroponte, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, veio dizer que via o jornal morrendo e eu não vejo até hoje, só o contrário. Como no comércio e indústria, morrem alguns, não é maioria. Zero Hora tem circulação crescente e o site não roubou público. Tem gente que gosta de manusear o papel. Eu sou uma, aprendi a ler com o jornal”.
Em ZH, Bela atende os cadernos Dinheiro, Emprego, Sobre Rodas, Digital, Campo e Lavoura, Casa & Cia, e principalmente, o noticiário diário de Economia, especialidade pela qual pegou gosto cumprindo pautas determinadas pelo Estadão. Ela considera a especialização na área como diferencial.
Para quem conviveu com momentos extremos de um dos termos mais temidos na economia – a inflação, na era pré-Real – Bela reconhece que, quando os índices inflacionários não paravam de crescer, havia maior demanda de pautas, mas considera muito boa a cobertura atual. Eram os tempos de Lilian Witte Fibe onipresente na Globo, e das taxas diárias do over night (aplicação comum nos bancos, no período). “A estabilização deu a noção real do valor do dinheiro, que mudava todos os dias na época. Teu salário não valia nada, as coisas subiam enlouquecidamente, tu perdia a noção… hoje tu sabe que o valor da Coca-cola é dois reais, por exemplo”. A jornalista discorda que a imprensa atual dê uma falsa noção de inflação zero: “Ao contrário, a gente tá batendo legal agora, alertando que está voltando, tem esse risco e o governo tem que tomar medidas sérias para combater”.
Como dica aos colegas, sugere que como consultor isento para matéria de economia, bem como em outras áreas, procure-se especialista ligado a universidade ou associação de classe, entidade que não seja especificamente empresa.
Finalmente, avalia a sobrevivência, pelo interesse dos leitores, de veículos segmentados como o Jornal do Comércio e Valor: “Tem público pra todo mundo! Do jeito que nossa economia está pujante, o Brasil comportaria mais um jornal grande de economia”.


Foto: Roberto Caldeira Valle (editada)

Registros da cobertura em tempo real da palestra de Isabel podem ser conferidos nos endereços de Twitter:
@marcelofialho_
@murilodotto
@renahtalima

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