Sinal verde para as roqueiras

Mulheres comandam lineup de festival em Bagé

Lactário Ruivo, rumo ao Morrostock

O rock foi “delas” nos shows do Bixo Verde – piquenique cultural de inspiração riponga que movimentou o Parque do Gaúcho no findi, com sua terceira edição. [ttp://www.bixoverde.org]
O girl power que hoje dita o ritmo de vários setores da vida social, incluindo governos, não se intimidou em tomar de assalto um percentual significativo dos nomes escalados para os números musicais da fumaceira. “Também fiquei impressionada com a quantidade de brotos nas bandas ! As gurias ´tão tomando conta!”, avalia Olívia Colombo, uma das organizadoras do piquenique. [http://www.facebook.com/azeitedeolivia] A “Óli”, como é conhecida, também incrementou o casting feminino no palco: recentemente ela roubou para si o microfone da banda prog-psicodélica Lactário Ruivo,
[http://palcomp3.com/lactarioruivo] apresentada aqui no blog nesta matéria de 2009 (último parágrafo):
https://marcelofialho.wordpress.com/2009/10/27/jp4rock/
“A minha entrada na Lactário aconteceu porque fiz uma vocalização de brincadeira enquanto o Pulga (N.: o integrante Maurício) tocava o ‘Blues A Três´, que depois se tornou ´Blues das Cinco´ “, relata Óli, enquanto o grupo ensaia para se apresentar no festival alternativo Morrostock, em Sapiranga, na manhã de domingo, 16, durante uma virada de quase 30 horas de rock.
[http://morrostock.blogspot.com/p/programacao.html] Como fã que acompanha a Lactário desde os primórdios, Olívia não estranha ser a fatia feminina entre um grupo de barbados: “Eu nem noto diferença, andei no meio de guris a vida toda. Imagino até que é mais divertido do que se fossem apenas meninas… Ou não. Acho que nos últimos tempos a personalidade tem deixado os gêneros de lado”, reflete.

Gentes finas e underground

Gi Cognato/Badhoneys

Entre as convidadas do Bixo, uma banda realmente underground de Porto Alegre: a Badhoneys. Frequentadora de redutos emblemáticos como o recém-falecido Jekyll (RIP) e Garagem Hermética. E do circuito de festivais como o Gig Rock e Indie Hype – que tinha na produção a frontwoman da Bad, Giana Cognato. Um ano depois de tocar no Atelier Coletivo, o trio retornou a Bagé com dois terços de sua formação. A ausência do baixista Rodrigo foi compensada por participações especiais de Marcelo Bueno e Marcio Steffens, além da Kika Simone – colega de Giana na Electric Mind, banda composta por cinco mulheres. Kika, que em tempos idos, cantava na extinta Phósphurus, em Bagé, ao lado de Diego Maraschin (Twin Cities), foi também o link que facilitou a vinda dos Badhoneys não apenas a Bagé, mas em uma recente (e futuras) incursão em solo argentino. Isso porque ela passou uma temporada em Buenos Aires, e hoje integra a banda hermana Los Marianos. Essa característica de participações em vários projetos paralelos se estende a quase todas as integrantes da Electric Mind. A tecladista Gabriela Tellini, por exemplo, edita em Novo Hamburgo o zine Lover´s Rock, que esta semana comemora o quinto aniversário – com shows de rock, naturalmente. [http://www.zineloversrock.com]

Electric Mind: banda só de mulheres emprestou duas integrantes ao Bixo

Verde que te quero ver
Outra atração feminina peculiar do Bixo foram As Videntes, banda bajeense formada por meninas com deficiência visual, que após a apresentação, ainda participaram de oficinas de teatro e musicalização no evento. Vocal feminino também é a marca da banda Repúdio, de Dom Pedrito, que confirma em sua proposta o protesto social sugerido pelo nome.

A doce voz que Bagé não ouviu

Lara e banda

Outra ilustre pedritense passou pelo Bixo Verde domingo à tarde, mas não pôde demonstrar seu talento vocal como era o programado. A cantora Lara Rossato ficou sem voz depois da apresentação na véspera, em sua terra natal Dom Pedrito, onde não tocava há seis anos. Hoje radicada em Pelotas, Lara sentiu-se muito à vontade voltando ao seu lar do coração, onde tem raízes que faz questão de não esconder.
Ela espera entrar logo em estúdio para registrar o sucessor de seu único disco, Doce, disponível na internet. O trabalho ainda está embrionário demais para ser descrito, mas é de se esperar letras que continuem falando do universo sentimental feminino, como é o caso de “Mulher Perfeita”. As composições da jovem já despertaram identificações nas ouvintes:”Vejo muito as pessoas postando frases das letras em que se identificam! Muitos já vieram pessoalmente me falar que tal música foi escrita para elas, é muito legal saber disso”, avalia. Fã confessa do pop latino de cantoras como Bébe e Julieta Venegas, Lara acrescenta que já tem composições em espanhol, além de versões hispânicas das músicas de Doce.
Curiosamente, uma desilusão musical de um primo de Lara foi um dos estímulos para a carreira que a cantora buscaria: reza a lenda que o rapaz odiou o CD de “um tal Guns and Roses” que havia comprado, e acabou presenteando Lara com o disco. Ela gostou tanto que passou a pesquisar outras bandas, além de conhecer amigos com gostos comuns.
Por enquanto, os shows com as canções próprias são incrementados por covers de Adele, Kate Perry e Lady Gaga. Após a performance em Dompa, Lara recebeu convites de casas noturnas bajeenses para repetir o espetáculo por aqui.

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  1. Lucas Ollé

    Muito joia tua matéria Marcelo! legal saber que existem pessoas como tu que obseravam tudo que realmente está acontecendo e fazem uma materia bacana, as mulheres tomaram conta do bixo mesmo hehehe

    Até!

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