Paralamas Rio Grande adentro

Baterista João Barone avalia a carreira da banda que se apresentou no Cassino

Foto: Maurício Valladares

Foto: Maurício Valladares

A semana foi marcada por um show nacional na Praia do Cassino, opção de veraneio de muitos bajeenses: os Paralamas do Sucesso vieram apresentar os sucessos que compõem seu mais recente álbum e DVD ao vivo, “Brasil Afora”. O baterista João Barone admitiu à reportagem do MINUANO que o trabalho exigiu uma espécie de balanço da carreira, e revela a impressão que teve: “Continuamos fazendo o que a gente sempre quis, acho que isso é a melhor constatação”. O show registrado traz participações muito especiais para o trio. No agitado showbusiness, onde as agendas dos artistas nem sempre se encontram, Barone ressalta que o principal critério para os convites foi o da oportunidade: “Zé Ramalho e Pitty puderam ir, foi demais!”, comemora.
Desde o Rock In Rio I (1985), experiência que o batera define como “um grande barato”, mistura de nervosismo e êxtase, até a posição atual da banda no cenário brasileiro, algumas ideias pioneiras consolidaram a carreira do trio. Uma delas foi a interação com músicos latinoamericanos, bem representada em canções como “Trac Trac”. Barone conta que as parcerias continuam: “No fim de 2011, conseguimos fazer algo de inédito: juntamos Fito Paez e Charly Garcia no mesmo palco, cantando e tocando com os Paralamas, no Gran Rex, em Buenos Aires. Foi demais! Acho que estamos um pouco defasados com a cena atual, nossas referências ainda são dos tempo em que levamos a cabo um intercâmbio de verdade com músicos sulamericanos, especialmente, os argentinos”. Em 1996, os Paralamas gravaram uma versão para “De Musica Ligera”, canção de 90 dos argentinos do Soda Stereo. Em 2002, outra banda brasileira, o Capital Inicial, faria sua própria versão para a música. “Isso mostrou ´a força da música latinoamericana´(risos)”, avalia Barone.
Outra inovação dos Paralamas foi inserir no rock uma latinidade bem brasileira, influenciando artistas locais. João recorda que “Houve um momento que todas as bandas dos anos 90 declaravam que havia influências brazucas em seu trabalho… Isso antes do Bora Bora – onde estava “Perplexo”. Foi depois do Selvagem, de 1986…”. A veia latina da banda levou-os a dividir palco com Chimbinha (Calypso), um ícone popular nem sempre admirado por roqueiros. “Ele é um daqueles exemplos de coisas populares que muita gente espera o Caetano ou a Marisa Monte apresentar, mas que está tocando faz tempo no rádio do porteiro da noite, sabe?”, elogia o baterista dos Paralamas.
O gosto pelas parcerias no palco já levou o trio a dividir turnê com os Titãs, em show que virou disco em 2008. Muito antes, em 1988, fizeram apresentação conjunta com a Legião Urbana, lançada em DVD em 2009. Foi através dos Paralamas que um cassete demonstrativo da banda de Renato Russo caiu nas graças da gravadora EMI, em meados dos anos 80. “Herbert e Bi já conheciam Renato, Dado e Bonfá muito antes deles decidirem fazer uma banda. Deu sorte a demo cair na mão da Odeon, acho que nada impediria a Legião de se tornar o fenômeno que foi”, recorda Barone.
Entre as bandas de sua geração, os Paralamas mantiveram sempre a formação original, embora, como relata Barone, quase tenham interrompido a trajetória: “Com o acidente do Herbert, estivemos bem perto. Não existe Paralamas sem uma das partes. Vamos em frente assim”.
Definindo o próximo álbum de inéditas como “uma tela em branco ainda”, o baterista admite que a banda não tem posicionamento oficial sobre a biografia de Lobão (50 anos a Mil, 2011), que traz afirmações polêmicas sobre algumas composições dos Paralamas: “Somos parte da grande maioria que não comprou nem vai comprar as histórias do Lobão”, enfatiza João Barone.

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