Nosso amigo, Duca Leindecker !

É normal que os fãs sintam-se “íntimos” de seu artista do coração, sem pedir licença. Mas no caso do Eduardo Leindecker, ou melhor, Duca – ele mesmo já se chama pelo apelido amigável – o próprio deu todas as deixas possíveis. A dedicação afetiva do artista já despontava no primeiro álbum de sua banda, lá em 1993, onde cantava a tristeza por um amigo que partiu em “Por Você”. E segue sendo assim, já que ele há poucos dias, postou no Instagram uma foto em homenagem a outro amigo que tocava naquela tal música do Outras Caras e veio a partir seis anos depois: Cau Hafner, baterista e fundador da Cidadão. Além disso, Duca é um cara família. No show, canta alguns versos mirando para o setor da platéia onde estão a namorada e o filho que acabou de fazer aniversário. Momentos depois, chama para tocar com ele o irmão que sempre lhe acompanhou, e que enfrentou problemas de saúde. Ambos tocam uma canção dedicada a outro irmão mais velho. Entre as músicas, com relativa timidez, o músico faz relatos de sua vida corriqueira (como uma ida ao supermercado), várias vezes afina o violão na nossa frente, e se desculpa quando ia esquecendo de fazê-lo. Remete àquele amigo que muitos têm, que toca violão em reuniões caseiras ? Não deixa de ser. O único detalhe é que esse intimismo se desenrolou não na sala de casa, mas no centenário Theatro Guarany, em Pelotas. Para o clima ficar mais aconchegante, só com uma lareira, já que felizmente a produção deste show, diferente de outros no local, teve o bom senso de abrir as portas cedo evitando a formação de fila longa na quadra do local.

Perdi meu temor inicial de gerar spoiler ao relatar o espetáculo, depois que Duca comentou, no camarim, que a proposta atual é um “show vivo” – nenhum será igual ao outro, no repertório e performance. Essa tentativa de fugir do “engessado” vem desde a concepção do Pouca Vogal, duo que compôs com Humberto Gessinger entre 2008 e 2012. Aliás, o “fantasma camarada” do PV está presente e é bem-vindo em todo o atual trabalho de Duca: no logo do novo álbum, leiaute do palco, na forma de arranjamento e apresentação das canções – baseada, por sinal em técnicas que Duca desenvolveu com a dupla, como explica ao executar “Toda Forma de Poder” batucando a caixa do violão, e com afinação diferenciada.
Além dessa, outra canção não-autoral do set é “Message In a Bottle”, do Police, uma das peças mais agitadas da noite e que me lembrou que a Cidadão tocava alguns covers, inclusive de reggae, incidentalmente, em seus princípios. Assim os vi em show na AABB em Bagé, com a formação original. Mais tarde, no Colégio Auxiliadora, Pauliinha já estava com as baquetas. Completam meu currículo Leindeckeriano apresentações do Pouca Vogal no Clube Comercial em dois anos distintos. Mas no Guarany, eu não era o único dinossauro: várias mãos se elevaram quando Duca questionou quem ali tinha estado em um show da Cidadão no mesmo Theatro, quando faltou luz e a banda iniciou cantando a capela.

O que completou a playlist da noite ? Umas oito do Cidadão com ênfase nos hits mais recentes, cinco do novo disco, e duas do Pouca Vogal. Sem falar no final, onde Duca abriu para pedidos da platéia e levou na guitarra praticamente um medley com trechos de canções mais antigas como Carona, Por Você, A La Recherche e Um Dia. A abertura da noite havia sido no estilo “um banquinho, um violão e vários instrumentos”,que mais tarde cedeu espaço à uma seqüência encorpada pelo baixo sempre eficiente do Luciano.

Deputada Manuela D´Ávila, namorada de Duca, e seu pai Alfredo acompanharam nos bastidores os preparativos para o show.

Guilherme, filho de Duca, assiste a mais um show, ao lado de Manuela. O aniversariante da semana seria citado pelo pai no palco.

As criações de Duca Leindecker e produtos promocionais coexistem na banca da Stereophonica montada no saguão de entrada do Theatro Guarany: discos, livros, canecas, camisetas… Só não tem ainda o Liquidificador Duca Leindecker, que o artista cogita lançar após se surpreender que lojas de departamentos estão deixando de vender CDs. É o caso do supermercado freqüentado por Duca e seu filho Gui em Porto Alegre, onde o garoto sentiu falta de ficar olhando os discos como costumava fazer.

As novas vogais e consoantes de Duca
(entrevista exclusiva em Pelotas)

“Voz, violão e batucada” não é apenas o título do novo álbum de Duca. É uma definição literal para um “projeto” (termo que o autor usa repetidamente) estético de um cantor e instrumentista, que inclui também o conceito do show, e veio em substituição ao “projeto” Pouca Vogal, quando os dois integrantes resolveram lançar discos-solo. Desde o relise inicial do PV, era explicada a proposta de inovar no formato das músicas e das apresentações. Será que o público e a mídia entenderam esse recado?
“Sim, mas acho que agora está bem mais claro no Voz, Violão e Batucada”, opina Duca. “Sinto nos comentários na internet – que é um instrumento bom pra isso, pois tu consegues ver a opinião das pessoas, e o que elas estão achando – que elas estão realmente compreendendo o projeto, e está sendo legal essa aceitação!”, comemora.
Essa liberalidade no formato permite que cada show da turnê seja único, “vivo”, como define Duca, em relação às músicas que entrarão no set e à forma como serão apresentadas. “Apenas o conceito do VVB é sempre o mesmo: eu tocando todos os instrumentos ao mesmo tempo, a parafernália toda. Sempre tem uma participação de baixo, e eventualmente de bateria”, detalha Leindecker.
Enquanto o novo álbum de Duca tem uma música composta com Gessinger, “Missão”, o alemão já anunciou que terá duas composições da dupla no seu disco Insular, que está para ser lançado. ” A gente fez música juntos antes do Pouca Vogal e está fazendo depois, é uma parceria que provavelmente vai se manter”, comenta Duca.
Apesar de o Cidadão Quem após a morte de Cau Hafner ter sido os irmãos Leindecker mais músicos convidados, Duca esclarece porquê esse não seria motivo suficiente para lançar o disco novo com o nome da Cidadão: “Porque não é a Cidadão, é muito diferente esteticamente, uma proposta muito minha. Eu sou compositor de todas as músicas do Cidadão e obviamente que o conteúdo vai ser parecido, mas a proposta estética é totalmente diferente, independente do meu irmão estar participando. O Luciano tem a banda dele que é a Mani Mani, e o Cidadão as pessoas sabem como é, e é bem diferente do VVB”, explica.
Duca88
O álbum novo é na verdade o segundo disco-solo de Duca, que lançou um vinil com seu nome em 1988. “Pra mim aquele disco hoje é como se fosse uma outra pessoa, eu tinha 17 anos. Tem coisas interessantes mas é bem tipo laboratório, foi meu primeiro laboratório”, define.
Além das letras, que admite serem a maioria autobiográficas, Duca está com um novo livro “adiantado” e pretende lançá-lo ainda em 2013. É mais uma novela de sua autoria: “é a história de um artista mitomaníaco. Fala sobre a subjetividade da arte, e a relatividade de tudo isso enquanto todo mundo pode ser genial e medíocre ao mesmo tempo”, adianta o escritor.
Já as ideias cinematográficas do diretor do curta “Chá de Frutas Vermelhas” não estão conseguindo ser realizadas: “Tenho um novo roteiro pronto, mas não tenho dinheiro pra filmar”, lamenta o músico, e completa rindo: “posso informar minha conta no Itaú para quem quiser patrocinar”.

https://www.youtube.com/watch?v=T_bu8fOVfXc

Anúncios

Um Comentário

  1. Kenia

    Ficou ótimo o enfoque que tu deste a entrevista, bastante profundo e esclarecedor.
    Seja muito bem vindo, em todos os eventos produzidos pela X13 Produções.
    Parabéns!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s