InSULarizando o Rock

[Show de Humberto Gessinger no Theatro Guarany, Pelotas, RS, 05.10.2013]

HG 01

Através da produção da X13 Produções e realização da Morphine Produções, Pelotas foi a terceira cidade gaúcha a receber o show da tour Insular, que lança o primeiro disco oficialmente solo de HG, dois dias após a estréia no Araújo Vianna, em POA. Como no disco, o formato da apresentação demonstra uma rejeição ao jogo já jogado até então na carreira artística e a busca por novas propostas musicais já praticada com o Pouca Vogal. Ao repetir a palavra “milonga” através de um vocoder no meio do espetáculo, Gessinger parece confessar a motivação que lhe acompanha desde que se sentia Longe Demais das Capitais, nos idos de 86: apresentar a influência da música regionalista gaúcha sob uma leitura pessoal e inusitada. Roqueira, a princípio, e progressiva, necessariamente (paixão confessa do artista).
O acordeão passa a ser um bom símbolo dessa apropriação, quando Gessinger o assume para executar melodias simples durante um set acústico com “Somos Quem Podemos Ser”, “Terra de Gigantes” e “De Fé”. O bumbo suspenso, tocado qual tambor por um Rafael Bisogno vestindo bombacha e botas, reforça a impressão. Já um Tavares bastante à vontade, assumindo lead vocal em vários momentos, é o encarregado dos solos que adicionam indispensável pegada roqueira à alquimia. A improvisação do guitarrista causa a melhor versão até então de “Tchau Radar, A Canção”, de sua autoria.

1berto e sua circunstância

1berto e sua circunstância

Além disso, todas as nuances passadas da discografia de HG se fazem presentes no palco, parecendo representadas em cada haste do logo (suástica) do novo trabalho, estampado em sua camiseta: “3X4” remete ao arranjo do acústico 2004 em versão light. A performance em “O Exército de Um Homem Só I/II” lembra a que poderia ter ocorrido na época d´O Papa é Pop. O bis com Gessinger solando na guitarra resgata o arquiteto sendo abortado pelo rock em pleno palco da UFRGS. Aliás, o show ocorre na cidade onde o baixista EngHaw daquela época, Marcelo Fagundes, hoje é um técnico-administrativo, distante dos holofotes do palco.
1berto também se consolida como o multiinstrumentista que nasceu no power trio G,L & M mas viu a luz definitivamente com os malabares do Pouca Vogal. Depois de “O Sonho é Popular” e “Ando Só”, assume o piano para “Piano Bar”, fechando uma trinca do álbum de 91 (faltou o “driver, follow that car”). Ainda nas teclas manda “Vida Real” e “Pra Ser Sincero”. Mais tarde, toma a guitarra para “O Exército…”, “Dom Quixote” e “Refrão de Bolero”. Maratona finda com a volta ao baixo em “Infinita Highway”.
E apesar de voltar para dois bis, Humberto não respondeu (ou não ouviu) ao rapaz que insistia em bradar de seu camarote: “qual é teu xampu ?”. Ora, qualquer fã sabe que é qualquer um que a Adriane comprar. Não tá na Caras, mas tá no Blogessinger.

Stage

Insular, um álbum de parcerias
Gessinger é, além de tudo, um grande estrategista. Ao convidar Luís Carlos Borges para gravar, não só enriqueceu o disco com solos não-reproduzíveis, mas legitimou sua proposta com muito mais verdade do que um registro de patente. Marcou com ferro em brasa de sua criatividade a cultura regional. Ainda aproveitou o momento vivido por Frank Solari – em que o virtuose tenta se popularizar, gravando single cantado pela Izmália e fazendo tributos ao Iron – para também captar para o Insular solos de outra iminência gaúcha, agora do rock. Reivindicou seu lugar no hall do que chamariam de MPG em parcerias com Bebeto Alves (que hoje ensaia uma volta do quarteto Juntos). E selou tudo com peculiar humor, em dueto com Nico Nicolaiewsky, como nos lembrando que não devemos levá-lo muito a sério – pois ele mesmo não se leva. Pensando bem, talvez as hastes da suástica do Insular sejam pontes para todos esses 10.001 destinos que a música de Gessinger pode assumir… ou talvez, os dragões sejam Moinhos de Vento.

Pontes para um dia em Pelotas
Na capital do doce, onde viria a descobrir que gosta de brigadeiro, antes da terceira noite consecutiva de shows percorrendo o Rio Grande, Gessinger se hospedou no hotel Jacques George Tower. À tarde, recebeu os fãs em sessão de autógrafos na Livraria Vanguarda do Shopping Pelotas, inaugurado há dois dias. Foi transportado por uma van da Tour.com.

Junto a Beth da Livraria Vanguarda, 1berto firma o livro de assinaturas da loja

Junto a Beth da Livraria Vanguarda, 1berto firma o livro de assinaturas da loja

Vanguarda 02

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