RPM em Pelotas: turnê gaúcha encerra com “o público mais quente”

[Centro de Eventos da Fenadoce, Pelotas, RS, 27set2014. Makbo Produções.]
Quase onze da noite no sábado pelotense, mas os protagonistas de um reencontro iniciado hora e meia antes não demonstram cansaço algum. Uma banda de rock e seu público, frente a frente, mais de uma década de saudades depois. Já começava o bis, mas havia tempo para uma confidência a mais: “A gente tocou em teatros belíssimos e incríveis em Porto Alegre e Novo Hamburgo, mas o público mais quente foi hoje, aqui !”, confessou Paulo Ricardo, líder do RPM, no show de encerramento de uma miniturnê pelo Rio Grande do Sul. Antes de se despedir com aquele característico “Olhar 43”, o quarteto havia passeado por todas as faces de sua discografia com a empolgação de quem reencontrava na audiência um calor comparável ao de três décadas atrás, quando a tour Rádio Pirata trouxe à Boca do Lobo um concerto ao qual a banda se refere como “memorável”.
Em 2014, o que se viu foi a versão lapidada da proposta de espetáculo que havia sido deflagrada com o lançamento do álbum Elektra, três anos antes.
Nos ingredientes do repertório atual, salienta-se uma dose cavalar da estréia do RPM em disco (1985), com os clássicos que ninguém quer evitar, como “Louras Geladas” (primeiro single), “Liberdade/Guerra Fria” e “Juvenília” – apresentada como uma das favoritas do grupo.

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Importados da época do primeiro disco ao vivo do quarteto, os característicos efeitos de raio laser comparecem em vários momentos, mas em “Flores Astrais” são especialmente interessantes, remetendo ao pioneirismo da banda em produção de palco, originalmente sob a direção do precursor por natureza Ney Matogrosso.
No período de tensão pré-eleitoral, as mensagens politizadas da época da abertura democrática que não poderiam faltar, se projetam no telão através das imagens históricas que unem as Diretas Já aos protestos urbanos de 2013, enquanto a banda resgata “Revoluções Por Minuto” e “Alvorada Voraz”.18

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Dedicada a Renato Russo, “A Cruz e a Espada” deixa claro que Paulo vem da mesma “velha escola” oitentista, ao ser apresentada de modo similar ao que o líder da Legião cantava alguns de seus clássicos ao vivo, com citações de várias canções em inglês – aqui, de Rod Stewart, Duran Duran e INXS.

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Num país que marginaliza a música instrumental, o RPM pode se dar o luxo de inserir duas peças autorais do gênero no set, juntas: o “Mergulho” de Deluqui, e “Naja” – que em sua época figurou nas paradas de sucesso.

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Única pérola pinçada d´Os Quatro Coiotes, “Partners” abre o momento mais rústico da noite, em que logo Nando assume a slide steel guitar e Paulo a harmônica para o blues stoneano “You Gotta Move”, que introduz “Exagerado”, do saudoso Agenor – Cazuza.
Uma bandeira argentina na plateia lembra Paulo de homenagear a Gustavo Ceratti, o recentemente falecido fundador da Soda Stereo, banda que para alguns foi o “RPM argentino” na década de oitenta.
A seção desplugada do show, no formato “quatro banquinhos e um violão”, empresta “Dois” da carreira-solo de PR e retoma a global “Onde Está o Meu Amor?” entre referências a Pink Floyd, Commodores e novamente Stones. Sem colares floridos mas muito à vontade, os rapazes aproveitam o retorno anunciado do Echo and The Bunnymen ao Brasil para uma reverencial versão de “The Killing Moon” à moda do Lual MTV da década passada.

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A produção mais recente dos coiotes diz presente de forma seletiva. O disco Elektra contribui com “Muito Tudo” e “Dois Olhos Verdes”, enquanto “Rainha” representa as (então) inéditas do MTV Ao Vivo de 2002.
“Façam a revolução, toquem o meu coração”, citava o comunicador da Rádio União FM (cujo aniversário foi comemorado com a promoção do show) na abertura do evento.

Os músicos que ele chamou ao palco não o deixariam a desejar ao longo da noite. a noite. Em um dos momentos derradeiros da performance, “Rádio Pirata” celebrou a história de um rock brasileiro que ela própria ajudou a escrever, irrompendo como uma autêntica jam recheada de (ex)citações. O fogo dos Doors; Beatles versus Stones. Os solos a la Deep Purple de Schiavon. As sempre melodiosas distorções Deluquianas. Sob o compasso das baquetas de P.A. e capitaneados pela voz e quatro/cinco cordas de Paulo Ricardo, a reunião desses elementos foi a alquimia que mais uma vez tornou os pampas gaúchos cenário de revolução – só que de acordes e sem sangue derramado. Deixam como saldo centenas de corações tocados, e imediatamente saudosos de novas pilhagens da nau RPM pelos mares do Sul…


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Setlist completo:

  1. (Pink Floyd cover)
  2. Rádio Pirata/Light My Fire/You Can´t Always Get What You Want/Day Tripper
  3. Encore:
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