Categoria: Cinema

Primeiras mutações

A zebra positiva da temporada é um dos melhores filmes de heróis dos últimos anos. Esperava-se o pior, com as imagens sem sal do marketing do lançamento. Além disso, trata de um momento dos heróis ainda sem uniforme e sem o respectivo glamour. Eis o grande mérito: a história se sustenta alheia ao carisma das criações da Marvel. Fossem outros mutantes novos, seria tão legal quanto.
Aqui começa o xadrez sempre presente na vida de Charles Xavier: desde o piso de sua casa de infância…

…até o embate com Erik “Magneto”…

…que se repetiria mais tarde como mostra o filme de 2000 – Primeira Classe é deja-vu.

A disputa escapa do tabuleiro e se estende às vidas dos protagonistas, como no holocausto nuclear iminente que causa pânico geral, e soa acreditável com a inserção de cenas históricas do governo Kennedy. Em meio a rumores bélicos, os mutantes brigam com meio mundo: os “humanos”, a CIA, entre os próprios semelhantes, e principalmente, contra as próprias idiossincrasias psicológicas. Mutante como alegoria do drama de ser diferente e excluído já freqüentou até novela da Record. Tanta pressão psicológica faz pensar que o abrigo temporário deles é uma espécie de casa do Big Brother.

Entre o entusiasmo pelos superpoderes e a frustração com a aparência, eles mesmos evocam Frankenstein e Dr. Jekyll em suas falas.
De chato no filme, só a duração extensa demais, com algumas cenas perfeitamente dispensáveis, e a infidelidade à formação apresentada nos quadrinhos.

X-men First Class, 2011. Diretor: Matthew Vaughn – dirigiu quatro filmes e produziu 15. Cotação no IMDB: 8,0.

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Herr Kapitän

Super-americano nocauteia bruxo inglês e encarnação germânica do mal com único longametragem

Comentários sobre o filme Capitão América: o Primeiro Vingador

Capitão América dá um pau em Harry Potter nas bilheterias americanas no fim de semana. Manchete, mas não surpresa. Tava na cara, nas cores do uniforme. Não tem magia, nem mesmo a da Warner, que faça Tio Sam preferir um conto de sotaque bretão a mais um dos seus vencedores. Seja em ID4, no Golfo ou nos campos de concentração Nazi, a América tem que derrotar o mal. E este está deveras personificado na figura caricata de bigodinho que lembra her führer e claro, leva um socão de direita do mascarado. Agora no filme, mas a cena se repete há décadas.

Cena do filme O Primeiro Vingador (2011).

Cartaz alternativo-estilizado.

Gibi antigo, mesmo discurso.

Personificação do desejo coletivo de uma nação, Capitão América é o Super-homem da Marvel, e ainda, de Nietzsche, em versão antagônica ao projeto de Hitler de mesma inspiração – o ariano olímpico. Como em Thor, o mais bacana do filme é resgatar a moral de uma Marvel em eclosão nos anos 60, e o delicioso sabor inocente disso. A força da vontade de um Steven Rogers mirrado que acaba sendo o seleto escolhido para supersoldado. A vitória do David mais fraco. Ou seja, a velha atualização urbana das mitologias de sempre: ao invés de magos e cavaleiros, cientistas e soldados. Muito antes do projeto Genoma Humano, aquela cisma com a ciência dando superpoderes a mortais problemáticos, recorrente em quase tudo de Stan Lee na época.

Thor e Capitão não são muito mais do que prelúdios para Vingadores, o filme – previsto para o ano que vem. Agora surgem as deixas que permitem imaginar as cenas iniciais dessa grande reunião dos heróis. É de arrepiar. Samuel L. Jackson como Nick Fury. Aliás, a corporação Stark (Homem de Ferro) também já aparece aqui, fabricando o escudo que leva tiros de amor da donzela Hayley Atwell. Continuemos seguindo as pistas.

Capitain America: First Avenger (2011), diretor Joe Johnston. Cotação IMDB: 7.7

Os Vingadores nos traços do eterno Jack Kirby, materializador da Marvel de Stan Lee.