Categoria: Entrevista Exclusiva

Dado Villa Lobos prevê Colapso para 2011

Ex-Legião Urbana trabalha em pré-produção de segundo álbum solo
[ Entrevista exclusiva concedida em 18.11.2010, em Pelotas ]

O artista segura o material que levei para autógrafos: a primeira Bizz que comprei (por causa da Legião), o CD Jam 80 (já com Toni Platão).

Começando pelo disco novo… tinha um nome definido, depois mudou, não?

Dado>> É, não sei ainda. Tem essa ideia do “Passo do Colapso”, que era uma ideia que tava vindo, assim. Mas, que no fundo, no fundo, o disco questiona a vida como ela é – as relações da vida no dia a dia.

Então tem um conceito fechado ?

Dado>> Mais ou menos, mas, justamente: aí abriu. Primeiro comecei com a ideia de “realmente estamos vivendo um colapso quase sem volta” mas, assim: é um ciclo do colapso. Mas ainda as ideias estão em andamento, fechando o repertório. Aí comecei a ver que na verdade o disco falava de outras coisas também, ainda não consegui fechar justamente essa ideia. Mas na verdade estava pensando agora em canções – é um disco muito mais de canções, e no meio do caminho entra a ideia de colapso.

Quais as músicas que vão entrar ? “O Homem que Calculava”, que já está nos shows, entra ?

Dado>> Vai. É toda uma relação com o Nenung – a música “O Passo do Colapso” ele escreveu a letra, em cima de uma ideia que falei. É um grande parceiro.

A música “Overdose Coração” teria potencial para trilha de telenovela…

Dado>> Com certeza. A ideia é assim – o refrão tem título de novela… “mel no sangue”, “cântico dos cânticos”, “amor, sublime amor” (risos)

Já está definido o primeiro single ?

Dado>> Não. Acho que trabalhando as coisas desse jeito, ainda está bem longe de fechar. Primeiro trabalhar o repertório, fazer, realizar, gravar. A previsão seria o primeiro semestre. Vai sair pela Rock It ! com a distribuição de alguma gravadora.

A noticia de que o álbum terá a participação do guitarrista do Calypso surpreendeu…

Dado>> Eu cruzei o Chimbinha um dia. Foi muito bacana, uma noite muito especial. Aí pensei nele tocando nessa música, que inclusive é minha e do Nenung também, “Lucidez”. A ideia é trazer também os Paralamas pra gravar com ele…

Ela tem um traço latino então…

Dado>> Não exatamente latino, é uma música mais praiana. Acho que encaixaria bem os dedilhados, a pegada da guitarra do Chimbinha.

E a parceria com o outro gaúcho, o Marcelo da Robô Gigante, como surgiu ?

Dado>> Gravei duas músicas que ele me mandou: “Paralisado” e “Tudo Bem”. Ele é cantor e guitarrista. Encontrei da última vez que estive aqui e tocamos umas músicas.

Pareceu inusitado o tributo à Legião no Uruguai em 2008, para o qual tu e o Bonfá foram convidados. Como é a cena lá, existe um séquito de fãs ?

Dado>> Aconteceu assim: um amigo que agora é nosso manager, apresentado em 2008 pelo Hermano Viana, passou a ideia: “Tem um pessoal no Uruguai que tá querendo fazer uma homenagem à Legião Urbana, e pretende levar você e Bonfá”. Tenho uma ligação especial com Montevidéo, morei lá quando garoto. Aí, falei: “Pô, legal ir pra Montevideo tocar”. O resultado é que são grandes bandas: La Vuela Puerca, No Te Va a Gustar e metade do Bajo Fondo, que são metade uruguaios e metade argentinos. Eles prepararam um repertório de 20 músicas. A gente entrava na décima-primeira e tocava junto com eles. Foi muito bonito, ficamos muito amigos. Tinha uma ligação com a Legião, aquela coisa da fronteira, a música chegou até lá.

Em Santa Maria, onde vocês vão tocar, existe uma festa “Clube da Criança Junkie”…

Dado>> hahaha. Jura ?!

O que era esse clube, e qual era o teu papel nele ?

Dado>> Isso era uma brincadeira do Renato. Adolescente em Brasília, interiorzão… Como todo adolescente, a gente tinha um bando de garotos, que ia catar cogumelo no pasto, tinha uns chás de Beladona – tudo muito natural. Eu era muito garoto, e o Renato era mais velho, aí um dia ele falou, me deu essa alcunha: (imitando) “Você é o presidente do Clube da Criança Junkie”. Falei: “Não, não, nada disso!”. Mas era só uma brincadeira: a gente passava o fim de semana zoando geral e eramos bem garotos.

O teu estilo de guitarra está mais para Johnny Marr e Robert Smith do que para as distorções de um Malmsteen ou Satriani… como você o define ?

Dado (Fazendo gesto de reverência aos guitarristas dos Smiths e Cure)>> Não sei cara, acho que é bem simples, acho que é mais melódico, harmônico, e às vezes algumas frases que saem, algumas ideias, são bem colocadas, acho que a ideia é essa: de fazer a música andar. A guitarra sendo um instrumento harmônico que compõe bem e harmoniza bem com o resto da canção, enfim. A ideia é harmonizar sempre.

Havia uma espécie de “padrão Legião” de sonoridade, definido pelo Renato, que sempre voltava aos mesmos timbres de teclados, e às cordas de violão e viola. Musicalmente, isso era um limitador para ti ?

Dado>> Depois de um certo tempo, no Descobrimento do Brasil, a gente falou: “Pô, vamos dar uma geral aí”. Experimentar um pouco mais, na verdade você tá dentro do estúdio pra isso: não ficar sempre naqueles timbres de teclados, né ? Que era as cordas do Juno 106. Sempre acreditei que existiam outros sons também que comporiam bem, dentro dos arranjos. Mas Renato, ele gostava muito daquela sonoridade, daquele negócio.

O Renato ainda conseguia se comunicar na tua visita ao apartamento dele, dias antes da morte ?

Dado>> Não, o que foi muito triste, justamente. Foi uma semana antes.

Quando foi o último contato com ele ainda consciente ?

Dado>> Nas mixagens de A Tempestade. Aí a gente meio que teve um bate-boca assim… mas tudo certo, normal. Depois a gente se falava pelo telefone, tava tudo certo. Então quando eu fui visitá-lo, foi realmente uma grande surpresa.

Vocês imaginavam uma turnê para o álbum ?

Dado>> Não, turnê não.

Por causa da saúde do Renato ? Ou por outro motivo ?

Dado>> A gente não fazia muito essas coisas, não saia muito pra rua. Depois de um certo tempo era complicado. Mas ali no momento da Tempestade, eu vi que a gente ia ter que dar um tempo mesmo… mas sempre acreditando na ciência, na medicina… que aquilo seria um quadro reversível.

O que ficou incompleto ? Tem algo que tu queria ter dito ao Renato, ou feito, e que quando percebeu já não era mais possível ?

Dado>> Tem um monte de coisa que você gostaria de ter falado pra pessoa, que a pessoa se foi de um jeito tão repentino, dramático e drástico, que ficou… “cara, esse cara foi embora e eu tinha que ter falado certas coisas pra ele”. Disso… a gente ter meio que se desentendido no final… essa coisa de briga de família, de irmão falar. Tipo, ´cê tava dando um tempo….

E aquele verso de “Leila”, “no domingo cachorro-quente com as crianças na Fernanda”… é a Fernanda Villa Lobos ? É um fato vivido pelo próprio Renato ?

Dado>> É, a gente domingo ia lá pra casa. A gente tava no Rio trabalhando e tal, chegava o domingo e a gente chamava os amigos pra comer cachorro-quente, jogar um jogo, conversar, ouvir música.

A gente mitifica a imagem do poeta amargurado… Mas então o Renato tinha seus momentos de descontração ?

Dado>> Claro… quando ele queria, ele era muito bem-humorado, muito pra cima… um cara dinâmico e tal, esperto… agora, oscilava entre esses momentos bacanas e a solidão. Basicamente, ele era um cara muito sozinho, não conseguia evitar.

A parceria com o Nenung nunca te trouxe ao Kadhro Ling (templo budista em Três Coroas) ?

Dado>> Não, conheço de fotos… eu me identifico.

Qual é a tua “orientação espiritual” ?

Dado>> Sou totalmente agnóstico, ateu. Sou quase um mitômano, tenho santinhos colados no estúdio. Gosto muito das imagens e das histórias, não que eu siga um dogma, coisa da igreja…essas religiões monoteistas. Mas o o budismo tem essa coisa muito mais leve, eu acho e muito mais voltada pra você ali, junto.

A letra de “Diamante” é totalmente inspirada em budismo…

Dado>> Foi a primeira música que gravei. Eu ouvi ela em 98. Era voz e violão. Fizemos uma gravação. Ali foi o que bateu, foi quando me conectei com os Dharmas e o Nenung.

Vocês se encontraram nessa vinda ao Sul ?

Dado>> Aqui, ainda não encontrei. Eu tava viajando, tô há um mês fora. Cheguei sábado, domingo fui a Belém, toquei lá no Se Rasgum com os Porongas, foi incrível. Cheguei segunda à noite no Rio, na terça, tinha umas entrevistas pra fazer. Correria desgraçada.

A Rock It ! lançou artistas como os gaúchos do Ultramen e Comunidade Nin Jitsu. Agora que ela não é mais uma gravadora, qual a tua contribuição, no lugar dela, para o cenário independente ?

Dado>> O lance da produção musical, fonográfica ficou bem complicado nesse momento. Continua demandando dinheiro, investimentos e tal. Você sempre tem que estar com uma estrutura. Primeiro você tem que satisfazer o artista, ele nunca tá satisfeito. Difícil. E hoje os meios de propagação estão mais fechados, eu sinto. No lugar, eu tenho buscado sempre trabalhar em estúdio. Estar gravando alguma coisa, produzindo alguma coisa. Acabei de fazer uma trilha do Malu de Bicicleta. E o curta do Nicolas Behr. E aí eu me ocupo assim, algo que eu realmente gosto de fazer. E da música, seja a serviço do que for: um curta, um longa, uma canção, um disco. E estar ao vivo tocando também, maravilhoso.

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Conhecendo Danúbio Gonçalves

Referência viva no mundo das artes relembra o Grupo de Bagé

“A arte é para todos, não para uma elite”. A avaliação parte de um nome incontestável das artes gráficas: Danúbio Gonçalves. Coerência total com a escola que lhe projetou na metade do século XX – a do antológico “Grupo de Bagé”, cuja história ele rememora, em fragmentos, para o Blog. Danúbio é o único dos dois remanescentes do Grupo que ainda reside no Rio Grande do Sul, enquanto Glênio Bianchetti mora em Brasília. Suas gravuras primam pela temática realista, o que justifica assim: “As obras tem que se comunicar visualmente, sem necessidade de ser explicadas. O abstrato não diz nada”. Ele acaba de ser convidado para produzir um grande painel na reforma de um forte militar em Jaguarão, e defende o uso do formato, pois “dá um contato com pessoas que nunca entram em museu”.

OS PAINÉIS DE DANÚBIO:

1. “Epopéia Farroupilha”, Estação Mercado Público (2008)

2. “Centenário da Imigração Judaica” – Rótula Carlos Gomes/Protásio (2004)

O “Grupo de Bagé” – alcunha criada pelo escritor Carlos Reverbel, segundo Danúbio – é um dos referenciais que mais desperta orgulho na cidade de origem. Em meados dos anos ´40, os artistas integrantes popularizaram suas obras mediante temas regionalistas e cotidianos, democratizando a arte de modo associado aos movimentos sociais populares. Em conexão direta com a capital gaúcha (onde criariam o Clube da Gravura), influenciaram definitivamente a arte regional, e por conseguinte a brasileira, com reconhecimento no exterior. Foi a deixa para o artista bajeense ganhar o mundo. Ao reconstituir o contexto da época, sua memória descreve como “autodidatas” a Glauco Rodrigues e Glênio Bianchetti, e como “um importante intelectual” a Pedro Wayne, de quem, mais tarde aproximou-se Zé Morais. Carlos Scliar: grande amigo e divulgador do grupo, através, por exemplo, da Revista Horizonte. Particularmente, foi por meio de Scliar que Danúbio sofreu grande influência do taller gráfico mexicano, através de materiais trazidos do convivio direto com Leopoldo Mendez. >>

Se o acesso à cultura de então não dispunha da tecnologia atual, Gonçalves se alimentava artisticamente pela observação direta: “Conheci mais de dez países, e vivia em museus”. Além disso, frequentava a casa de Portinari e Burle Marx, seu vizinho. Como referência literária, aponta Érico Veríssimo, revelando uma admiração mútua entre ambos que teve continuidade na geração seguinte, com Luis Fernando.
Danúbio recorda que teve noção da notoriedade a que fora alçado pelo Grupo atráves dos convites para exposições: “Cheguei a fazer uma retrospectiva com 300 obras no Masp, na época”. Não tardou para o êxito internacional ficar demonstrado com a primeira mostra na galeria francesa L´Oeil de Boeuf, mantida pela bajeense Ceres Franco.

Entre amigos:Danúbio (extrema direita) e Mário Lopes (ao centro). Também na fotografia: Tarcisio Taborda, Carlos Scliar, Glauco, José Mayer e José Henrique. Foto: Mário Lopes/arquivo pessoal

Questionado sobre a falta de vanguardismo em artistas da atualidade, Gonçalves reflete: “Acho que é um ciclo. Hoje não se trabalha o conceitual, copiam a vanguarda antiga. Até o ‘modelo vivo’ tiraram ! Percebo pelos jovens que me procuram, querendo aprender a desenhar…”.

Apesar de “aproveitar a tecnologia como base”, Danúbio produz gravuras basicamente em processo manual, com técnicas de aquarela e monotipia.

Para ele, o volume de itens de sua produção (da qual mantém a maior parte em casa) deve-se a ter começado a dar vazão com apenas três anos de idade à aptidão artística, que considera “um dom”, já que não descende de artistas – o pai era estancieiro. Bem mais tarde, as filhas de Danúbio também preferiram os ramos da Arquitetura e comércio.

Hoje colaborador do Jornal e da Revista Fala Brasil, Gonçalves em seu discurso procura reverenciar constantemente aos locais importantes em sua trajetória, como o Atelier Livre (junto ao Teatro Renascença), Margs e Fundação Iberê Camargo.

Para o lançamento do documentário “Danúbio, o Filme”, o homenageado e o diretor Henrique de Freitas Lima, da Cinematográfica Pampeana, estiveram em Pelotas, com destino a Bagé no dia seguinte, para exibições públicas da obra. Encontramos a dupla no hall do hotel em Pelotas, quando concediam entrevista à TV Pampa local.

A equipe de Camila Martins abordou os detalhes do obra de Danúbio e Henrique

Danúbio comemora a recepção do filme, “que tem sido bastante elogiado”, e a parceria com Henrique, para a qual prevê novos frutos: “Ele vai me ajudar a transformar minha casa e atelier em instituto, devido ao valor histórico e arquitetônico encontrado ali”. O contato entre ambos iniciou há dez anos, quando Lima encomendou a Gonçalves uma ilustração para a abertura de filme sobre João Simões Lopes Neto. Por sugestão de Danúbio o trecho foi produzido como uma animação, cujo resultado ele admite que apreciou muito.

Henrique exaltou vários aspectos do artista e amigo, como o fato de o mesmo ser “um professor sem formação acadêmica”, e também “sua visão da vida e das mulheres”. Destacou alguns detalhes da passagem da dupla pelo México, como a visita a pirâmides e a touradas – apesar de Danúbio ter se recusado a testemunhar a agressão ao animal. Uma das constatações de Lima ao longo do trabalho, e que ele busca superar, é de que “ainda existe uma barreira de comunicação do gaúcho para com outros povos”.

Raridade

Acima, reprodução impressa da xilogravura “Sapata”, de Danúbio, publicada em outubro de 1949 no veiculo “o Mensário”, do qual fazia parte o jornalista Mário Lopes (ao lado), detentor do original.

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O Sul pronto para Dado

A fachada do Bar João Gilberto, em Pelotas, anuncia o evento da próxima quinta-feira. Dado Villa Lobos, Toni Platão e banda vão apresentar um show dividido entre os trabalhos solo do guitarrista e os clássicos da Legião Urbana.
Dado acaba de tocar no festival Serasgum, no Pará, onde mais uma vez acompanhou a banda Los Porongas, que já produziu. Antes, passou 19 dias na Espanha, onde se apresentou por três noites com Marcelo Bonfá e mais dezenas de convidados no projeto La Caravana Americana, do artista espanhol Xoel Lopez.
Já tendo trabalhado com vários artistas gaúchos como Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Dharma Lovers e Marcelo Gigante, Villa-Lobos volta ao Sul, onde esteve em 2008, em momento de intensa atividade, entre o advento de duas novas trilhas sonoras, e a pré-produção do segundo álbum solo de carreira. Começa por Frederico Westphalen na quarta, 17, e após Pelotas, ainda passa por Santa Maria dia 19 e Três de Maio no dia 20.

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Entrevista: “Se eu fosse depender das grandes estruturas não teria uma semana de vida” (Gessinger)

Ao ser entrevistado em Bagé, Humberto Gessinger avaliou o fato de o Pouca Vogal ter sido trazido pela mobilização dos fãs na internet. “Cara, isso sempre aconteceu muito com Engenheiros, a coisa de transbordar e cair na rua. Eu me lembro que uma vez eu dei uma entrevista, tinha saído numa revista uma livrinho com todos fã-clubes do Brasil e não tinha nenhum do Engenheiros. Achei bacana e falei pro Carlos (Maltz) e a gente falou numa entrevista. No dia seguinte a gente era a banda com o maior fã-clube ! Porque parece que as pessoas querem fazer o contrário do que tá acontecendo… Já senti ali que Engenheiros é uma coisa de rua. Antes da internet, a coisa dos fanzines, dos mimiografados, tinha muito, e foi o que segurou a minha onda, porque se eu fosse depender das grandes estruturas eu não teria uma semana de vida. Ao mesmo tempo que eu sou muito grato a isso eu não conheço outro mundo, talvez eu nem saiba avaliar o quanto importante isso é, porque pra mim desde sempre foi assim, ligação direta”.
Ele adianta que o Pouca Vogal não tem data prevista para acabar: “Do ponto de vista estético ele é inesgotável, porque a gente pode passar uma vida não só compondo, como relendo o que já escreveu, porque o projeto joga luzes diferentes sobre. Tem outros fatores girando em torno dum lance desses que não só os estéticos. Mas espero que o tempo que durar seja com intensidade total”.
Na parceria, o processo de criação “pinta de várias formas. Cada um faz a sua parte sozinho, seja música ou letra. Aconteceu casualmente, não foi algo que a gente tivesse se imposto. Muito da composição se passa na parte de trás do cérebro e tu nem sabe o que tá escrevendo, e uma hora cristaliza. Não faz muita diferença se a composição é para o Pouca Vogal ou não. A questão é mais do arranjo que da composição – pra que formato a gente vai fazer ?”, detalha HG.
Como escritor, Humberto tem pronto o sucessor de Pra Ser Sincero (2009, Belas Letras), com título a ser definido pelos fãs: “O PSS é um zoom in, é alguém contando 1, 2, 3, 4, 5. E esse novo é 1,1 e 1,2 e 1,3, quer dizer, ele tá chegando mais próximo. Não sei se vai ser melhor ou pior, mas vai ter essa diferença”, compara.

Os vários talentos de Duca Leindecker

Dez anos antes de Gessinger se autobiografar, Duca lançava “A Casa da Esquina”, e em 2002, “A Favor do Vento”, ambos os romances pela L & PM. A faceta escritor é uma das muitas do multimidiático artista.

Também produziu várias bandas gaúchas em seu estúdio próprio, o Submarino Amarelo, em Porto Alegre, onde recentemente o Nenhum de Nós gravou seu novo álbum, Contos de Água e Fogo. Leindecker ainda produz curta-metragens como “Chá de Frutas Vermelhas”, atualmente em exibição no Canal Brasil, da Globo, e que entrou nos Curtas Gaúchos da RBS em 2009.
Sua esposa Ingra Liberato, protagonista principal de Ana Raio e Zé Trovão, voltou às telas da tevê aberta em 2010 com a reprise da novela.
Em Bagé, DL revelou estar trabalhando um terceiro romance e ter um novo curta já escrito, ambos os projetos inacabados, respectivamente, por insatisfação com o texto, e por falta de recursos.

2. SEGUINDO GESSINGER E LEINDECKER

Como foi o dia do Pouca Vogal em Bagé: entrevistas, autógrafos, televisão e outros pormenores

Ok, confesso. Venho seguindo Humberto Gessinger e Duca Leindecker há algum tempo. E mais, tem dezenas de milhares fazendo o mesmo. No ambiente onde isso acontece, eles se apresentam como @1bertogessinger e @ducaleindecker. Welcome to Twitter.

Foto: Murilo Dotto

Foto: Murilo Dotto

Pelo microblog é que foi possível antecipar nas primeiras horas da segunda-feira que os dois sairiam em ônibus de POA por volta de 2 hs com chegada prevista para as 7 hs. E de fato, no início da manhã Humberto já tuitava fotos do Clube Comercial. Naquele momento, o madrugador @murilodotto (dottoblog.blogspot.com), que chegava para apresentar o Conexão Pop Rock na FM 98.1, capturou seu encontro com o músico.

Ao meio-dia, HG e DL encerraram bloco do Jornal do Almoço local. Responderam ao repórter Chrystian Ribeiro sobre sucesso, excursões pelo Brasil, interação com o público, improviso no palco e o papel de multiinstrumentistas que assumem. E em seguida tocaram “Depois da Curva”, cuja letra fala em deixar passar a ventania – que de fato marcava Bagé desde a véspera.

A íntegra do papo em vídeo pode ser conferida no site da RBS TV Bagé, atualizado por Patrick Corrêa:
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=147392&channel=45

Retomando a perseguição: fui ao Yázigi porque sabia pela internet que o PV estaria lá. Me antecipei mas encontrei uma fila de fãs. Depois de um hiato, a esperada dupla chegou distribuindo “autógrafos e sorrisos” como Gessinger anunciou ao microfone, e protagonizando, entre tantas, as cenas a seguir.

A diretora do Yázigi Internexus, Maria do Carmo Machado, foi oportuna em explicar a promoção “Band Me Up”, que oportuniza espaço a novas bandas em busca de projeção. Aqui, ela e parte da equipe recepcionam aos músicos.
>>Confira: http://www.bandmeup.com.br/

Entre os fãs mobilizados pela presença do PV, vários músicos (alguns portando instrumentos para que fossem autografados) como é o caso da galera da banda Plasma Rock, na foto. (ao fundo, Leko Machado)

Também trabalharam por ali os enviados dos veículos de comunicação locais, como o Jornal Folha do Sul, representado por Fernanda Couto e Antônio Rocha. Mesmo caso do Rota 20 – na foto, Graciela Freitas grava seu take…

Também Diélen e Marta da Pop Rock FM, que transmitiram ao vivo…

Mas entre os repórteres, provavelmente o coração que bateu mais forte no dia foi o da Niela Bittencourt, do Jornal Minuano. Fã confessa de EngHaw e PcVgl e militante da vinda do segundo, trabalhou na cobertura acompanhada do namorado (e repórter fotográfico) João. Emocionada na presença de Humberto e Duca, lhes revelou que, se vier a ter um casal de filhos, serão chamados Ana e Luciano, em homenagem aos integrantes do PV.

Incidentalmente à esquerda, o autor destas maltraçadas, flagrado pelo mago da fotografia, Leko Machado.

Foto: Leko Machado

Foto: Leko Machado

Falando no Leko, retribuo a aparição – olha ele à esquerda, neste momento tiete da formanda em Comunicação Buca Netto, que compartilha com 1berto a paixão pelo tricolor. À direita, o mascote Humbertinho.

Na verdade o Humbertinho e o Duquinha foram criações artesanais das irmãs Jenifer e Queli.

3. A LONGA HIGHWAY SP-BAGÉ

Fãs unidos pelo PcVgl: Chinelatto (esq.) veio de São Paulo para o show viabilizado por um movimento virtual encabeçado por Leandro Souza (dir.)

A devoção em torno de um artista é também origem de grandes amizades. Foi assim com José Luís Chinelatto, que voou de São Paulo, capital, em sua primeira vinda a Bagé, para o Dia do Pouca Vogal. Desde que se identificou com as canções do álbum Minuano na rádio, em 1997, passou a acompanhar fãs do Sul, onde já veio seis vezes, em cidades como Caxias, Bento, e inclusive na gravação do DVD de 2009 do PV, na capital. Os gaúchos retribuiram as visitas, por exemplo, na gravação de Novos Horizontes, dos Engenheiros, em 2007, e na turnê subsequente. Técnico em Óptica e proprietário de uma casa do ramo, Chinelatto auto-financia suas viagens, pesquisando na internet as passagens mais em conta.

Gessinger e a cultura gaúcha: material exclusivo onde HG avalia a influência da música regionalista no rock gaúcho e em sua obra.
https://marcelofialho.wordpress.com/2008/09/08/gessinger/

Sobre o Pouca Vogal (artigo opinativo em versão original do que saiu editado no Blog da RBS)
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/10/27/pvrbs/

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/11/02/pv/

Theatro Guarany em pé para os Detonautas

Metade do show. Conforme a canção avança, o público sentado nas cadeiras e camarotes vai levantando aos poucos. Em instantes, o Theatro Guarany inteiro está em pé, vibrante, cantante. Tico Santa Cruz exclama ao microfone que foi a reação “mais foda” à composição “Só Nós Dois” até hoje. A cena ocorreu na noite de quinta, 09, em Pelotas, primeira cidade a receber os Detonautas, após o retorno de apresentações no Japão, para uma turnê de seis datas no Sul. De início, a platéia parecia em dúvida sobre como interagir com o espetáculo – a expectativa de arranjos mais suaves promovendo o mais recente CD/DVD foi surpreendida por guitarras totalmente plugadas e uma banda a fim de oferecer peso. “Esqueceram de avisar pra gente que o show é acústico.”, brincou o cantor. “Espero que não se importem de ouvir guitarras. Vocês se importam se a gente continuar ´pegando pesado´ ?” Resultado: nas primeiras músicas, além da barricada de fotógrafos entrincheirados diante do palco, fãs exaltados já pulavam frente às primeiras filas de cadeiras, para desconforto dos devidamente “acomodados”.

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos acústicos...

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos acústicos...

...e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

...e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

Esse foi apenas um dos picos de sintonia emotiva entre palco e audiência. O afiado entertainer Tico incitou ao coro no final reggae-estendido para “Quando O Sol Se For”. Trouxe ao palco uma garota do público para recitar poema no meio de “Olhos Certos”. Explicou que “Só Por Hoje” alude a uma frase-lema dos grupos de reabilitação de viciados em alcoolismo e drogas. E ainda, no final do show, com “Outro Lugar” pediu que cada um abraçasse a pessoa ao lado, estimulado pela mensagem “abraços grátis” em um cartaz exibido por fãs.
Sem falar na corrente por vibes positivas, com mãos levantadas, próximo de a banda prestar tributo a Raulzito emendando “Metamorfose Ambulante” e “Sociedade Alternativa”, entremeadas com discurso pró-liberdade individual. Outra cover inesperada foi “Ainda É Cedo” da Legião Urbana.
Tudo isso veio encartado entre os hits aguardados: “Você Me Faz Tão Bem”, “O Amanhã”, “Tênis Roque”, “O Dia Que Não Terminou”, “Mercador das Almas”, “Não Reclame Mais”, “O Retorno de Saturno”, “O Inferno São Os Outros”. Em arena ou teatro, o clube dos Detonautas é sempre o do rock.

ENTREVISTA

CONEXÃO NIPO-SATOLEP

A apresentação em solo pelotense foi a primeira depois de a banda ter tocado no último final de semana nas cidades japonesas de Hamamatsu e Toyohashi (no Brazilian Day). “A gente passou só dois dias no Rio, tempo de trocar de mala, lavar as roupas e vir. Teríamos dois shows na Europa mas priorizamos tocar aqui no Sul, que serão seis datas”, revela Tico Santa Cruz. “No Japão, foi show de parque, que mistura público variado – brasileiro, japonês, americano. A galera começou, num primeiro momento, observando, e no final tava todo mundo com a gente, foi uma vitória”. Segundo o vocalista, a banda não tem CDs lançados no mercado nipônico. “Com internet não tem muito esse lance, as pessoas tem acesso pelo próprio site”.
Apresentando no Sul um show distinto do último álbum, os Detonautas ainda não iniciaram a pré-produção do sucessor do Acústico: “Estamos compondo, mas não há um conceito, vamos precisar de mais tempo. A idéia é fazer como no Psicodelia…, onde a gente ficou no estúdio criando, até sair coisas novas, e não só compôr no violão como estou acostumado a fazer, e como foram os últimos discos”.

ATÉ A PÉ DETONAREMOS…

Gremista assumido a ponto de eventualmente ostentar simbolos de seu timão, Tico, que esteve na equipe de transmissão no Olímpico quando da última conquista do Campeonato Gaúcho em 2010, relata as origens da preferência. “Meu tive lá do RJ é um time que não tem muita expressão, o América. Joga campeonato da terceira divisão. Aí escolhi um time de fora”.

UM COMUNICADOR NATO

Para dedicar-se aos Detonautas, Tico interrompeu algumas faculdades iniciadas, entre elas Jornalismo, no fim dos anos 90. “Quando fui fazer Ciências Sociais na UFRJ ia fazer Ciência Política poder atuar como jornalista na área política especializada. Mas enfim depois fui deixando amadurecer as idéias e prevaleceu o meu sonho de fazer som e tal. Ser jornalista é investigativo, tentar passar os fatos de uma forma que as pessoas possam tirar as conclusões delas sem ser necessariamente influenciadas pelos interesses dos jornais. É diferente ser jornalista e ser marketeiro”.
Mesmo sem diploma, o roqueiro demonstrou ser comunicador também de outras formas, através, inclusive, dos meios virtuais:
-Seu Blog pessoal onde descreve fatos reais, além de reflexões e contos eróticos.

-Seu Twitter para o qual retornou há pouco após ter deletado o perfil anterior em seguida de polêmica envolvendo bandas emo. Há algum tempo Tico atravessava madrugadas tuitando, com seu fuso horário particular. Temas, diversos: dicas de livros, como ele também sugere nas letras, já que “O Inferno São Os Outros” vem de Sartre, há uma “Ensaio Sobre a Cegueira”… Meteção de pau no tratamento oferecido pelas companhias aéreas brasileiras. E, entre outras formas de ode ao amor solitário 5 X 1, já é tradicional a sessão do “Proibidão”, vídeos pornôs temáticos para a ocasião – recentemente rolou com japinhas, não por acaso.
Além disso, e nessa linha independente dos impérios midíáticos, Tico apresentava há alguns meses seu Sarau Eletrônico através de streaming de vídeo via Justin TV.
[ Mais no Blog:
https://marcelofialho.wordpress.com/2009/07/01/justin/ ]

Recebeu convidados célebres como Biquíni Cavadão para conversas e jams. O projeto não tem data para retomada: “A gente tá muito sem tempo, e exigia bastante. Passava as segundas feras de descanso fazendo um trabalho que levava seis horas durante a madrugada toda, se tornou um pouco cansativo. Preferi parar pra não ficar fazendo mal feito”.

Entregamos ao Tico CD com demos de algumas bandas de Bagé: Central do Rock, Lactário Ruivo, Marcelo Chroner, Plasma Rock, Ricardo Belleza, Sistema Falido, Twin Cities, The Vermes, Viajantes do Éden

Entregamos ao Tico CD com demos de algumas bandas de Bagé: Central do Rock, Lactário Ruivo, Marcelo Chroner, Plasma Rock, Ricardo Belleza, Sistema Falido, Twin Cities, The Vermes, Viajantes do Éden

JABÁ NO CARDÁPIO DAS GRANDES

Também independente é a postura que a banda adotou em relação à divulgação de seus singles, após terem sido limados de algumas programações dentro do jabá, aliás, método de trabalho de algumas grandes emissoras. “Obviamente que com essas rádios a gente teria muito mais força com o mercado popular. Mas, a Internet privilegia o artista que sabe manipular ferramentas e a gente sempre soube se sair muito bem através dos meios digitais. Detonautas não sofreu nenhum baque por conta do boicote e da censura, muito pelo contrário, fazendo bastante shows, e sempre cheios, as coisas estão acontecendo muito bem pra gente. Voltamos a fazer coisas importantes, voltamos ao Japão, o que mostra que não estamos mais nas mãos desse pessoal, e que eles são importantes mas não únicos. Existem outros caminhos para você poder chegar até o público”.

NUMA PROPAGANDA DE REFRIGERANTES

Domingo, no Pepsi On Stage, em POA, a banda divide os palcos com os Raimundos, cujos lead vocais Tico também assumiu recentemente, de modo eventual. “Conheço desde o começo, nos primeiros shows no Circo Voador, quando nem era conhecida a banda e só tinham disco independente. Uma influência não pro som do Detonautas diretamente, mas pra mim como artista, sem dúvida. Foi um privilegio tocar com os caras, fazer uma turnezinha e shows cheios, festivais grandes. Muito produtivo pra todo mundo que participou”. Na ocasião, também se apresentam as bandas finalistas do Concurso Pepsi Música, de cuja escolha Tico participou. “Eu fiz a seleção do Pepsi em Porto Alegre e aqui no sul foi mais tranqüilo de fazer que em são Paulo, onde só tinha banda emo. Espero ver como as selecionadas vão se desenvolver lá no palco, agora que é a hora do ´vamos ver´, no estúdio você pode parar, no palco não tem como”. Tico fala ainda de sua relação com o rock gaúcho: “Conheço as coisas mais antigas na verdade, as atuais não conheço muita coisa. Tenho contato com a galera do Reação (em Cadeia), do Tequila Baby, com o Tonho (Crocco), com uma galera que já faz o som aí já há muito tempo”.

OBRA-PRIMA

O terceiro disco do DRC, psicodeliamorsexo&distorção (2006), talvez o mais criativo, teve produção do gaúcho Edu K. “Eu já gostava do Edu, conhecia a muito tempo, tinha a história do De Falla e tal, já tinha visto show… e achava que ele era a pessoa certa pra registrar aquele momento que a gente tava vivendo… Pra mim é o disco mais rock and roll do Detonautas, o mais pesado…”
O disco tem punch e muita variedade entre as faixas, e brinca com clichês do gênero – o próprio título parece aludir ao bloodsugarsexmagik dos Chilli Peppers. Porém o ano de lançamento do álbum coincidiu com a maior tragédia experimentada pelo grupo, a perda violenta do guitarrista Rodrigo Netto em um assalto. Pergunto ao Tico se ele não considera aquela obra subestimada pela mídia. “Acho que tudo tem seu tempo. Talvez o disco não teve reconhecimento agora e possa ter no futuro, quando a gente já não estiver mais aqui. Pra gente o que vale é o trabalho e pra gente foi bem bacana e o Edu potencializou isso muito ali com a gente”.
A partir daí, um álbum com menor peso e maior romantismo, incluindo a candidata a hino pacifista “Canção do Horizonte”, enquanto Tico se engajava também em manifestações contra a violência. Até chegar ao recente acústico, que reconstrói arranjos, em alguns casos completamente, como “Dia Comum” e explicita um link com os anos 80 ao coverizar Plebe Rude e Renato Russo.

MOMENTOS ANTES, EM PELOTAS…

Fãs recepcionaram a banda na chegada ao hotel

Fãs recepcionaram a banda na chegada ao hotel


Devoção: as fãs Júlia Pereira e Adriana Cunha aguardavam a chegada do DRC

Devoção: as fãs Júlia Pereira e Adriana Cunha aguardavam a chegada do DRC

Vibe bajeense conquista Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Atelier Coletivo, Bagé, em 26.08.2010

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

“Foi uma puta vibe ! Senti um clima de happening“. Assim avaliou Jupiter Apple o show que realizara pouco antes no Atelier Coletivo, em Bagé. O artista comemorou o fato de ter ficado bem próximo ao público, já que a peça que serve de palco é em mesmo nível e sem obstáculos aos admiradores que literalmente cercaram a banda. Com iluminação clara e cercado por quadros fauvistas de Carlo Andrei Rossal, Jupiter se deixou envolver por um mood de maior intimismo, parecendo exibir um olhar reflexivo enquanto cantava seus poemas.
Em relação ao show da véspera em Pelotas, em que o blog também esteve

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/

o setlist foi idêntico e o que variou mais foram os picos de êxtase do público – alcançados em Bagé com “A Marchinha Psicótica…” e a tradicional saideira “Um Lugar do Caralho”, extendida como uma vigorosa jam que serve de trilha para a saída de cena de Apple.
Antes de deixar a cidade Jupiter visualizou o cartaz promocional do show, de autoria de Rodrigo Sarasol, e debateu com Carlo Andrei as influências artísticas no leiaute, entre Warhol e Matisse.

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

PRÉ-SHOW
A van com a banda chegou à tarde e à noite foi degustado um churrasco no Atelier. A imprensa local se mobilizou. Pelo Rota 20, Ricardo Belleza, fã confesso de Jupiter, soube entrevistar com conhecimento de causa uma de suas maiores inspirações como roqueiro. Os jornais Minuano e Folha do Sul também interagiram com o artista – o editor do primeiro, Glaube Pereira, capturou registros fotográficos da frente do palco. Mais tarde conversou com Jupiter, que comemorou ao ser informado que todos os repórteres presentes haviam passado pelas disciplinas ministradas por Glaube no curso de Jornalismo da Urcamp.

Confira algumas matérias motivadas pela presença de Jupiter na cidade:
http://covilsitiado.blogspot.com/2010/08/festa-dos-bichos.html

http://onavegador.wordpress.com

http://twitpic.com/2gkdmy

http://twitpic.com/2gkf5r

(entrevista ao Minuano)

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p+2&n=4327

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Jupiter Apple/Maçã: megaentrevista exclusiva

“Sir Jupiter Apple´s Triumphal March to Cloud #9”
ou
“Os planos de Jupiter Apple para tornar sua obra mais visível e eventualmente conquistar o mundo”

Esqueça Stuart Stucliff. O beatle extra que entende das artes vive, e aprecia cafés no centro histórico da capital gaúcha. Flávio (ou Flavius) Basso de nascença, elegeu a assinatura “Jupiter Apple” para firmar suas obras-polaróides de uma compulsão interior full time pela criação, e que ao mesmo tempo refletem dilemas do caos urbano. Os indícios de ser um beatle estão em sua trajetória: começou com nuances de transgressão em uma formação rock básico que influenciou gerações. Se apartou para dar vasão a uma concepção mais autoral. Teve uma fase de lisergia real. Transcendeu os limites da própria criação assimilando influências das artes de avant-garde. Conquistou um séquito fiel e passional com uma obra que assimila influências como psicodelia, bossa nova, tropicalismo, poesia beat e exala uma fragrância de inventividade desigual. Hoje só o que lhe distingue de um fab4 é o êxito restrito a uma cena cult, e ainda não devidamente massificado. Provocar maior visibilidade para si é o desejo confesso do artista que, aos 42 anos, passa longe de ser has been, incansável em reinventar sua obra com soluções nada previsíveis e que não reproduzem fórmulas.

PÉTALAS DE GENIALIDADE

É comum a associação de Jupiter Apple à idéia de genialidade. Aconteceu na entrevista do Wander Wildner ao blog, quando o ex-replicante rejeitou ser gênio mas disse que Jupiter e Edu K. fazem jus ao termo.

https://marcelofialho.wordpress.com/wander/

No programa Código MTV em 2008, o apresentador Lobão referiu-se com este qualitativo a Apple, que na ocasião concordou, rebolando: “I am a genius! I´m a genius!” Hoje, ele acrescenta: “Depois vi que o Lobão chama um monte de gente de gênio (risos). Mas eu já fui chamado assim por pessoas muito sérias – assim como o Lobão, lógico – com responsabilidade em suas palavras. O que eu acho ? Tem mesmo, cara, um toque genial ali… agora o que é este toque ? Pode ser um pezinho na não-realidade, que alguns dizem ´quase um autista´… pode ser excesso de devoção às artes, mas será que existe isso ? O porquê, onde, como, quando, se existe uma formula, não sei exatamente. Existe um quê de genialidade que, me distanciando, consigo detectar mesmo, na minha obra. Se me incomoda ? Não, nem me deixa desconfortável. Levo com bom humor, e sem modéstia. Levo numa boa. Não sou o dono absoluto… mas existem pétalas de genialidade no meu jardim”.

OS DISCOS DE JUPITER “AINDA ESTÃO PRA SAIR”

Extremos de uma obra: a primeiro demo, anterior à "Sétima Efervescência"...

Extremos de uma obra: a primeira demo (acima), anterior à “Sétima Efervescência”, e (abaixo) Jupiter replicado nos “Silver Beatles”, já na era singles de “Calling All Bands”: uma obra inteira a ser (re)descoberta pelo Brasil.

Photogram by ZÉ ROBERTO MUNIZ, SAN LEO, RS, BRAZIL

Photogram by ZÉ ROBERTO MUNIZ, SAN LEO, RS, BRAZIL

Mesmo convicto da qualidade de sua obra, Jupiter informa que, apesar de ela estar disponível na web “mais do que nunca” (a discografia oficial quase completa no site Trama Virtual), fisicamente ela está fora de catálogo, e “cosmicamente tudo conspira” para que ela seja relançada. “Então não posso considerar lançada ´Uma Tarde Na Fruteira´. A ´Marchinha…´ não caiu na boca do povo, ou pelo menos 50, 60% dos apaixonados pela Pop Culture Brazilis, que seja, os neo-tropicalistas, tropicalistas, os universitários todos… é aí que está meu público geralmente, mas não num grande número, num percentual maior. Então, eu vou revisitá-las mais, eu vou recolocá-las, eu vou mostrá-las mais. Não significa que não esteja escrevendo em português, mas tenho umas coisas tão lindas que não, eu realmente acho, que não foram bem colocadas, e eu tô deixando fluir naturalmente.
As pessoas falam que eu tenho pérolas e pérolas e pérolas e pérolas, sou um grande letrista e tal. Eu tenho um público bem considerável, mas muitos acham também que não o número suficiente de pessoas teve acesso a ponto de sacudir a música brasileira num todo, as músicas em português, que era o que muitos artistas desejavam que viesse acontecer, que eu desse uma sacudida”.
Seria o momento de sair do status cult para algo maior ?
“Eu penso nisso. Essa coisa cult rolou e rola, e tem crescido, uma cena grande, uma cena maior, mas ainda com essa característica do cult, que tem seu charme e é uma coisa legal, elegante e chique. Mas é interessante que muita gente conheça? Olha, desde que elas estejam entendendo, sintonizadas… tem que existir a simbiose, acho que daí tendo essa realimentação, esse sol na coisa toda, acho legal, cara. Se venham a entender a obra pelo que ela é. É muito fácil acontecer um boom de um balela. Mas não aconteceu.
Porque se acontece alguma coisa tipo ´Um Lugar do Caralho’, deve existir a seqüência na linha de raciocínio e admiração, e apreciação e degustação dos próximos números da obra, ao meu entender. Na verdade isso não sou eu que decido.
A coisa acontece”.

A MORTE DO INDIE

E nessa visão, há restrições quanto a apresentar-se em programas de televisão considerados mainstream ? “Atualmente, se alguma coisa me incomodasse em algum sentido, eu saberia levar na brincadeira. Confesso que estou a fim de maior exposição. Visibilidade: está muito em voga essa palavra. As pessoas querem dizem ‘eu quero aparecer mais’ e dizem ´visibilidade´. Ai, que amor! Sou parceiro da visibilidade… se alguma coisa me incomodar vou levar no bom-humor, essa é minha postura. Não existe mais o indie, independent, não tem mais nada disso. Existe a visibilidade e o posicionamento”.
Jupiter faria programas na linha de Domingão do Faustão e Programa do Gugu? “Com maior prazer, se for o caso. Eu acho que a gente cria o caso. Eu não gosto muito de joguinhos, de brincadeiras absurdas… eu não recuso, eu faço uma contraproposta. Já aconteceu: ‘vamos fazer aquilo lá, aquele jogo divertido televisivo’ e eu digo ‘que tal fazer essa outra coisa’ ?. Algumas vezes aconteceu, outras não, ok. Acho que lido bem com isso”.
Dentro das idéias de aumentar a audiência, já houve quem comentasse que as músicas em inglês de Apple visam ao mercado internacional. Ele comenta: “Comecei a escrever em inglês meio que espontaneamente, e flui naturalmente. Até porque essa coisa do mercado, depois eu descobri que se você escreve em português você vai estar agradando mais um público supostamente internacional, pois os ingleses chaparam com a ‘Marchinha Psicótica…’ que é toda em português – tocando na Inglaterra, não fiz muitos shows, mas em alguns que fiz… é um poema bastante grande, mas eles gostaram das colagens, das sonoridade, se apaixonaram pela coisa.
Mas claro que tenho esse interesse… eu quero expandir. Fiz coisa bem de cena, bem focada. Tenho disco lançado lá, sou um cara bem comentado, benquisto, mas não sou uma estrela européia… mas acho que eu posso (risos)”.
Já em francês, idioma de origem de algumas de suas referências culturais, o artista não pretende compor: “Só a vinheta de ‘ Mademoiselle Marchand’, já é um slogan art. Eu não domino a língua francesa nem alemã… queria. Japonês… acho muito legal. Mas eu escrevo em inglês melhor do que falo, e tão bem quanto em português. São coisas bonitas”.

ASSINATURA

O foco na visibilidade nem é tão recente para ele – foi o que motivou, por exemplo, a adoção para a carreira solo de alcunhas diferentes de seu nome próprio, iniciando por Woody Apple, depois Júpiter Maçã e finalmente Jupiter Apple. Ele explica que não é um personagem temporário a la Bowie, mas sim uma assinatura que designa o que ele é em tempo integral:
“Sou Jupiter o tempo todo. Porque é Flávio Basso e seus apelidos. E é tudo meio assim, número romano, ou sci-fi, ou mitológico. Na verdade não existe Flávio, eu sou Flavius Basso, eu sou Júpiter Maçã, Júpiter Apple. É essa coisa futurista, greco-romana. São vários apelidos, nem tantos, foi o Woody… Rogério Skylab detectou que eu tive tantos pseudônimos, mas nem tantos… eu acho que o Apple tem um pouco mais de peso pela abrangência da palavra, e Maçã restringe um pouco à língua portuguesa. Isso eu detecto nas pessoas quando elas falam, de outros países cuja língua não seja a portuguesa. Quando elas recebem esse nome sinto que ele é tão forte. Não é um personagem, nem é alter ego. É uma assinatura para um outro tipo de visibilidade, para se pôr ‘a mercê de’ ”.

DAY-BY-DAY PERSON
Apesar da criatividade fluente e de um estilo de vida próprio, Jupiter também tem seus momentos corriqueiros. “Faço as coisas day-by-day. Sou uma pessoa muito discreta, não faço questão de estar aparecendo, gosto de ser notado como uma pessoa day-by- day. A coisa do flerte: uma mulher sai bonita à rua, ela quer flertar; um homem, se está se sentindo bonito, ele quer flertar… É essa a sensação, a sensação do “estou ok, estou de bem com a vida” mas não de “ei, olhem, viram, notaram? Sou eu, sou eu”. Não, eu não levo o palco e a sessão de fotos, o estúdio fotográfico, cinematográfico, a locação pra rua. Posso até poetisar em torno dele, mas não. Vou no mercado, carrego a sacolinha. Gosto de ir no mercado público de POA, centro histórico, cafés. Mas de ficar na minha. É gostoso ser reconhecido? Às vezes. Bater um papo, tirar uma foto, dar autógrafo, mas é isso. Em princípio sou bastante discreto. Quero ficar tranqüilo, fazer as coisas.” Em casa, Jupiter também não se isenta de zapear por canais de TV aberta e fechada: “Dou uma olhada. Filmes – geniais ou não, programas de variedades…”

Nos momentos de compositor, predomina a própria necessidade artística ou a intenção de ser compreendido ?
“As duas coisas. Eu escrevo pra mim mas eu fico pensando até que ponto estou conectado. Essa conexão é cósmica, ela é telepática. Tenho que me sentir, e sinto também quando é só pra mim. E aí, não raro são as canções que vão ficando em stand-by, elas vão ficando naturalmente na gaveta, arquivadas, em esboço ou não.”

MUITO ALÉM DO ROCK
Se a obra de Apple precisasse ser definida em um rótulo, seria o do rock and roll ? “Minha obra movimenta, trabalha com um tipo de vibração que pode ser detectada no segmento que leva esse cunho rock. Mas não é rock, não sou um roqueiro. Eu já fui dez anos um neo-beatnik. Quem é um neo-beatnik ? Isso não existe. É cosplay então. Beat, mas tem graça ser um beat… Não consigo imaginar um garoto de 15 anos… qual fantasia tem que ter pra ser um beat ? Aí o cara diz: ‘não, é fácil, você tem que levar umas garrafas pra um quarto de hotel lúgubre, fechar todas janelas e deixa só uma fresta’. Ele vai achar fantástico, mas não é uma coisa que você vai dividir e você vai brincar. Como é que você vai colocar isso na Internet ? Como vai se vestir o beatnik ? E se ele ficar realmente depois bêbado e não souber lidar, jogar e brincar com isso… Eu tive essa vida sombria poeticamente e existencialmente falando. Uma vez sóbrio, olhando pra trás eu tirei proveito poético disso”.
Hoje as influências artísticas vão muito além do rock, vem das artes em geral. Celebra os coletivos de arte em atividade no mundo (“Quanto mais melhor”) e enfatiza: “Todos artistas me influenciam. Pode me mostrar por onde não ir (risos) ou apontar pra onde ir, me deixar mais aguçado, mais perceptivo mais belo, mais afinado, sintonizado… Às vezes estou bem desligado para as artes, às vezes fico bem ligado – dos outros”.
Que caminho o artista recomenda para quem quiser, como ele, ampliar seu leque de referências culturais ? “Para se aproximar rapidamente das artes, de vanguarda de preferência? Adquira trabalhos e obras de Júpiter Apple… Depois, beem depois quem sabe os de Wander Wildner. Raaá! (risos)”

PSICODELIA SEGUNDO UM LISÉRGICO

“Ainda hoje sou muito associado. Já na época lisérgica minha – em que eu também não brincava de lisergia – eu dizia pra mim que psicodelia era a saturação das formas e que eu vinha saturando formas na minha música, basicamente em a Sétima Efervescência e algumas coisinhas que vieram depois e não entraram em disco nenhum. Aí o Plastic Soda acaba tendo já essa ressaca dessa psicodelia, que é uma ressaca muito doce, aveludada, muito legal. É um disco de veludo, feminino. É uma ressaca psicodélica, complexa, mas tudo bem. Uma coisa que existe toda vez que você satura mesmo dentro dessa intenção do exagero e do maior númer de absorção possível da sua própria produção e sua própria imaginação também. Lá dos anos 60 muitos saturaram a fórmula. É uma estética, é um segmento mas ele está ligado a saturação. Nem todos saturam, tem uns que preferem coisas concretistas, outros preferem descontrução/construção, É fundamental, anyway. Abriu horizontes. Escancarou geral. Abriu as portas perceptivas. Pra mim foi ótimo. Eu fui psicodélico. Eu vesti a camisa. Aí eu fiquei com uma gama e tanto, um leque pra seguir nas mais diferentes vertentes, nas artes como um todo”.

NEXT RELEASES
Sob tal gama de influências, o processo criativo de Jupiter é absurdamente produtivo: trabalha simultaneamente vários projetos de futuros lançamentos, e arquiva alguns e prioriza outros conforme a vibração de sua obra em um dado instante.
“Estou trabalhando com conceitos. Não quero anunciar nada. Vou estrear meus lançamentos com singles, e depois é provável um EP com os quatro singles: seus A-sides e B-Sides”.

1.GOTHIC LOVE – provável próximo single
Atualmente Jupiter trabalha no que deverá ser o próximo single: “Gothic Love/Urban Blue”, produzida por Ray-Z http://www.myspace.com/rayzmusicproductions e o próprio Jupiter, como foi “Calling All Bands”. “Ainda não tem registro mas já tenho o poema todo. É uma espécie de um folkzinho existencialista inspirado nos 80´s, que pincela um pouco e dá uma colorida na situação… você poderia lembrar de Smiths”. (N. do R.: Legal !! 😉 )

2.FLORISTAS, B-side inédito
Jupiter exemplifica com peça não-lançada, um caráter transgressor que identificamos que se mantém em sua obra desde o início: “ ‘Floristas’ é em português, que é singela, leve, ácida, tem isso que você disse que eu não perco… Tá falando sobre casais apaixonados pessoas simples do day-by-day. São floristas, eles tem uma banquinha de flores. A outra é a menina que colhe framboesas pra sobremesa, preparar os drinques; ela se atrasa porque foi no médico. Aí ela se casa e se apaixona – com o médico. Acho que é natural da minha essência, esse toque poisoned touch… sempre teve desde criança, acho que não perco… um toque de veneno”.

THE UNDERGROUND YEARS ALBUM
Chegou a circular a informação de um álbum em 2010 com o título “The Underground Years”, postada, por exemplo, no artigo sobre Jupiter na Wikipédia. Mas ele esclarece que o projeto não vingou e esse nome pode resultar no máximo em uma coletânea. “Esse álbum seria lançado ainda no formato CD, no final de 2009, quando eu decidi que não era mais um conceito que me atraía tanto o CD, quer dizer, até de forma mercadológica e também o charme, e todo o design, já há algum tempo estava desinteressado. Eu confesso que tive momentos muito bons com o CD, Mas eu realmente acho que tem outras formas de apresentar a arte”. Hoje esse é apenas o título provável de uma compilação que, se sair, “vai ser muito fina, vou trabalhar pra ser finésima”.

UNRELEASED ONES
Essa exuberância criativa pode até confundir os fãs que colecionam sua discografia. Depois de “Uma Tarde na Fruteira” ele passou a trabalhar com singles e B-Sides (“Gregorian Fish” é o B de “Modern…
”), e mesmo assim, nos shows atuais, toca pelo menos duas canções jamais lançadas em versão estúdio:

1.CEREBRAL SEX
“Gravada mas não disponibilizada, é originalmente uma música do meu projeto The Apple Sound http://www.myspace.com/theapplesound que é com Clegue França, Astronauta Pingüim e Laura Vrona, lá em São Paulo. Então esse quarteto de certa forma inovou bastante, até marcou a cena ali paulistana. Com uma batera fragmentada e tal O the apple sound vai retomar, não sei exatamente com que face, mas vai retomar. Eu quero lançar esse projeto paralelo já em forma de candy architecture, como é que é isso: já vem pelo clipe e pelo single o disquinho, enfim, do jeito que eu quero que as coisas doravante venham a acontecer. Mas como estou em fase de organização de uma estrutura maior que vai produzir, que vai colocar meus produtos – chamando educadamente mesmo, arte de “produto”, expressão que tô colocando numa dimensão respeitosa pela coisa toda…”

2.SIX COLOURS FRENESI
“Vem crescendo em ritmo laboratorial, no estúdio, o áudio dela; e já tem um conceito pro clipe que junto com isso tudo fecha o que eu entendo pelo single em si. Eu já penso naturalmente imagem e som, som e imagem, muitos artistas já fazem isso mas eu costumava pensar muito o áudio, muito o vídeo e nesse caso acabar também pensando cinema, e aí foi a questão, do Apartment Jazz. Então hoje eu sou uma pessoa mais parecida com essa gama de artistas que pensa paralelo, e o interessante, crescem juntos o áudio e o vídeo. Mas aí acabei colocando outro single na frente, passei na frente “Calling All Bands”, por questões minhas, porque as cores , o design e tal que eu pretendia estavam muito mais para “Calling”. Aí voltei para “Six Colours…” por uma semana, e decidi trabalhar a “Gothic Love”.

A IMPORTÂNCIA DA IMAGEM
Dentro da visão de “produto” que já nasce associado à imagem, Jupiter assume cada vez mais a direção de seus clipes. “Calling All Bands” é assinado a seis mãos por ele, Clegue França e Rafael Syd ( http://rafaelvideos73.wordpress.com/ traz fotos hi-quality da produção do clipe). Comentário do autor: “O processo de vídeos parte muito de mim e da Clegue França, estudante de moda. O design está diretamente ligado e a gente bate muita bola, trocamos figurinhas. E aí chega logicamente com um olho clínico de cineasta/cinegrafista, ou seja, com uma câmera gravando muito bem posicionada. Esses três funcionaram muito bem, porque houve uma interferência muito grande da dupla Apple-França, essa intenção”. Jupiter reflete sobre o peso da imagem no conjunto de cada lançamento atual: “Eu sempre apostava muito em toda abstração que seria natural de um brainstorming do ´the audience´ (do público, do ouvinte). Sempre apostei muito na criatividade, na inventividade do público, principalmente nos meus álbuns mais ´pesados´ de conceito mais fechado, mais denso. as pessoas sempre me diziam ´tive uma idéia genial, muito legal para esse, aquele clipe; eu pensei nisso naquilo´ e alguns realmente convidavam pra fazer os clipes E também pelo meu lifestyle muitos clipes eu deixei de fazer. A questão é as pessoas faziam clipes em suas mentes. É como ler um livro, elas construíam seus próprios filmes, durante muito tempo funcionou assim. Hoje é mais uma outra coisa, consigo dar a eles um aspecto de embalagem, também com respeito. Gosto de deixar com uma cara de perfume, de peça plástica, de peça geométrica e decorativa. Que os clipes tenham aspecto de peças organo-plásticas que você leva pra algum lugar, objetos”. Alguém pensou em Warhol ? “Inconscientemente, acaba tendo a influência. Mas quem não foi influenciado ? ´Calling All Bands´ foi escancarado isso, mas ´Modern Kid´ já tinha, e acho que tem mais. Você pode estar levando outras coisas pra casa, um quintal, um jardim, uma casa de campo, esse tipo de coisa. São instalações. Não é o jeito que os grandes clipmakers fizeram, os precursores Madonna ou Michael Jackson, ou os inventores do clipe, Richard Lester com The Beatles, ‘A Hard Days Night’ ”.

O clipe do single anterior, “Modern Kid”, dirigido por André Peniche, (http://www.andrepeniche.com/ – contém vídeo com o making of) já tinha um apurado tratamento estético, potencializado pela feliz escolha da locação: “foi o Antiquário Artemobília Galeria, na Rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, São Paulo. É do Sérgio Campos, que foi integrante da banda Kafka, importante nos 80´s”.

DUMONT, O FILME INÉDITO BY APPLE
A assinatura dos videoclipes dá vasão à uma cinematografia já exercida por Apple, de forma plena, em pelo menos uma ocasião: seu média Apartment Jazz (2002). “Ele virou ‘o chiquésimo’, relíquia do cult. Na web tem fragmentado, e como parte de um filme também que é meio piratão “Pescando Júpiter Segundo Huxley”, você acaba se deparando lá pelas tantas com ele”.

Flyer do média metragem debut do Jupiter film maker

Flyer do média metragem debut do Jupiter film maker

Um segundo projeto como cineasta, “Dumont”, está em “stand-by total. Cheguei a filmar, fiz alguma coisa… na linha experimental mas tinha uma linearidade maior, até quero ver onde estão os originais que não estão comigo, estão na Spectrum produtora. Você sabe, eu tive experiências digamos assim de lidar com delicadeza com alcoolismo e tal, eu não sei se teve a ver, mas minha cabeça foi preenchida de outra forma, a ponto de sair o “Uma Tarde na Fruteira”. Hoje olhando e ouvindo o álbum e vendo toda aquela complexidade, toda a beleza do conceito que é mesmo, é foda aquele álbum. Pô, como é que eu fiz aquele álbum num estado tão etílico ? Mas eu não sei se foi exatamente só isso… O fato é eu não tava inspirado. Depois eu comecei a pensar… lá pelas tantas será que é cinema, será que não é cinema ? Mas não era bem isso, pra mim era essa vontade de fazer videoclipes. Desse conceito que pra mim é flash que acabei de descrever. Depende da parceria, de um co-diretor, ou de um diretor, talvez eu queira argumentar mais e atuar, porque neste projeto pausado eu só dirigia. Acho que eu quero ser dirigido por um grande diretor”.

Jupiter projeta, também, o (re)lançamento oficial dos filmes que dirigiu: “Eu tô vendo algumas parcerias pra fechar isso, pra dar esse presente pra nós todos, para os fãs, um DVD meio documentário que traga cenas soltas, enfim…”

SEXY WORDS
“Eu canto muito sobre o que estou vivendo… escrevo sobre o que estou vivendo… passa por esse filtro da existência. Isso faz de mim o autor que capta, traduz e emana de volta. É tão amplo, e acho que sou tão versátil nas temáticas”. Os primeiros instantes de “Calling…”, por exemplo, já denunciam o erotismo marcante dos textos. Uma figura fálica é construída em cima de imagens icônicas de Warhol enquanto a letra fala em “sexy words”, “perfect penis”. Jupiter avalia: “O erotismo tá bem presente na minha obra, diferentes formas… Separa o erotismo de pornô, correto? Mas Cascavelletes praticamente inventaram, já foram creditados pela invenção do pornorock, pornobilly, pornopunkabilly, tararátá. Depois, talvez mais erótico de fato, uma coisa mais rebuscada, você começa encontrar um erotismo muito fino em “Mademoiselle…”. “Miss lexotan…”. Uma languidez química você encontra ao longo de “Plataforma 6”. Em inglês também, eu escrevo bem, esse é o fato. O erotismo paira, né ? Então aparece nas letras… é meio que uma transparência da existência”.

EVERY MODERN KID WILL LOSE THEIR MOTHERS
Jupiter comenta os versos do refrão de “Modern Kid”: “É sobre civilizações que nascem instantâneas. Como sopa de pacotinho, e pipoca de microondas. Eu quis dar essa coisa do “mamãe-filhinho… ? NÃO mamãe-filhinho!”, tipo: muito instantâneo, muito rápido. Eu quis passar essa coisa fria da ruptura drástica entre gerações, gerando civilizações no sentido do exagero do rompimento de gerações. Talvez uma civilização tenha nascido aos nossos olhos com a coisa toda da internet etc. A alteração dos costumes foi tão grande de uma vez só que não é uma nova geração. Muita coisa pode indicar que é uma nova civilização. Até mesmo um pouco de guerra, do caos, é tudo isso.. É muito mais amplo, né ? É poema mesmo. De tudo um pouco. Ondas gigantes… tudo isso”.

BEATLE GEORGE ou “QUE BEATLE É VOCÊ, JUPITER ?”
“Quando eu descobri The Beatles vi uma fotos do ‘Help’, George está com aquela cartola e achei muito elegante a posição dele. Logicamente eles são quatro e o John e Paul sempre liderando, e o George com breves frases no microfone na música ‘Help’. Aquela cartola, só aquele detalhe de um dos maiores clipes, ‘Ticket to Ride’… No fundo eu estava determinado que eu estava mais pra ser John ou Paul, band leader, mas a coisa se manifstou por essa elegância do George. Claro que também acabei me tornado super Paul, super John no sentido de ordenar idéias dirigir um grupo artisticamente”.

ÁLBUM BÊBADO
Questiono a Jupiter porque o álbum Bitter é o único ausente do seu playlist atual. “é o meu ‘drunk album’, assim como os Beatles tem o White Álbum. Adoro, muito legal, tem momentos gloriosos da parceria Jupiter Apple e Bibmo (http://www.myspace.com/bibianamorena), mas não é todo dia. Não creio que esteja fechando muito com o que eu quero traduzir, as formas, cores do meu som, a geometria. E definitivamente o Bitter não lida bem com isso. Então não está mesmo nos planos por hora”. Pensando no repertório do álbum, acrescenta: “Favoritas eu não tenho,mas ‘Lovely Riverside’ é realmente sério aquilo, eu cantei pro (rio) Thames. Não passou lancha, não passou nada, vento não faz, mas foi tão bonito. Teve uma manifestação do rio e houve uma saudação, quando parei me distanciei ele baixou também, pra mim aquele momento foi sensacional. Passavam duas inglesas do tipo matinais assim, usando parcas… chuva fina, dia nublado, aquela caminhada tipo roupa improvisada tênis-abrigo-parcás. Praticamente aplaudiram porque eu tava cantando a capella: (cantando) “I borrowes a lamp from captain Green”. Grande música minha, viu ? Podia estar num belo filme de piratas desse aí, do “man”… do Jack Sparrow lá… e aí vai”.

ÁLBUM TEATRAL
Além de desejar ser soundtrack, Jupiter também revela algo sobre outro de seus álbuns em inglês: “O Hisscivilization ainda está pra sair. (N.: no sentido de que deveria ser relançado pois não teve a devida divulgação) Para mim ele tem que ser encenado teatralmente”.

“ESSE FILHO DA PUTA É TALENTOSO…”
Regravações por nomes como Ira!, Wander, Thunderbird denotam a repercussão do trabalho, e entre as inéditas em sua voz, está uma faixa que ele apresenta em shows como fez no Opinião em novembro de 2009: a new bossa ‘Talentoso’. A banda Cérebro Eletrônico gravou sua versão. Apple conta como rolou: “o Tatá (Aeroplano) da banda ouviu uma demonstration tape, se apaixonou e fizeram uma versão maravilhosa. É uma sobra do Plastic Soda, foi a primeira que gravei, antes da faixa título. O primeiro take era violão e voz, gravei ao vivo num gravador alemão de oito canais de pistas de fita, uma máquina antiga Studard, no estúdio do Tomas Dreher que co-produziu comigo.

JOVEM GUARDA CANTA THE JUPITER APPLE
Às vésperas dos shows de Jupiter em Pelotas e Bagé, no final de agosto de 2010, a cantora Lílian Knapp se apresentou no Programa do Jô com “Um Lugar do Caralho”, que ela regravou, assim como “Miss Lexotan”, com sua atual banda, a Kynna. Lílian fez sucesso na Jovem Guarda, em dupla com Leno. “Fomos apresentados, embora eu não a conheça tanto como o (tecladista) Astronauta Pingüim, que chegou a tocar com ela. Personalidade marcante, uma artista buscando novos caminhos e encontrou (nas músicas) uma forma de expressar algo que ela vem sintonizando”.

TALK SHOW NA MTV BR
“Achei que ia ser asssustador, essa é a jogada: eu estava num período etílico e fui numa realidade etílica nos shows, e depois em alguns outros números eu me recuperava dessa crise. Então na verdade eu sempre fui um pouco peixe fora dágua e acho que isso deu esse toque tão especial pros números, acho que isso acabou gerando um número de extrema qualidade e expressividade, que as pessoas vieram adorar, e gostaram muito”. Planos para novas edições ? “Não nesses moldes, acho que teria que bater uma bola, se for o caso de haver na MTV ou em outra emissora”.

OLD DAYS REVISITED
A carreira solo de Jupiter se consagrou independente dos grandes sucessos de suas ex-bandas: “Lugar do Caralho tem a mesma força, só pra citar um standard”. Mesmo assim, a turnê atual resgata uma composição dele em cada um dos grupos: “Morte Por Tesão” e “Zero”: “adorei ter cantado esta em Chapecó, linda, revisitada, texturizada. Acho ‘Cachorro Louco’ um hino, lembro do dia que escrevi com tênis Iate no quarto, pezinho de adolescente marcando o tempo… tan-tan-tantan (fazendo esse riff) com 16 anos, aqui no sul a música é gigante !”.

ELE E SEUS EX
A última reunião da formação original dos Cascavelletes foi em 2007. “Ensaiamos bastante. Aquilo foi mágico e bem legal mas justamente por ser específico e casual. Faz muito tempo que não falo com nenhum deles. Se a conversa for ficar muito afunilada num sentido que pode gerar depois uma discordância de pontos de vista, eu também já evito, mas isso qualquer um deles faz. Existe carinho, lembrança e respeito ao passado, pelo menos da minha parte, mas também existe a diplomacia”.
Com Charles Máster, do TNT, Jupiter nunca voltou a tocar, e teve contatos superficiais: “Oi, tchau e tal. Ele deu um telefonema estes dias”.

MOMENTO ETÍLICO É PASSADO
Há alguns anos, Jupiter vivia uma “fase etílica” que afetou o ritmo de seus projetos e era visível, por exemplo, em seus shows – há relatos de que não conseguia cantar as músicas – e até mesmo em aparições na MTV e no próprio Jupiter Show. Eventualmente fumando um cigarro retirado da carteira de Camel em sua frente, Apple avalia que o ponto crítico foi “na virada 2008/2009, quando eu parei. A coisa ficou muito radical. A coleção de frascos estava bastante acelerada. Spirits, bebidas fortes. Hoje em dia tomo muito café… expresso, clássico… disponível na região central histórica de Porto Alegre”.

MISS CLEGUE´S BLUES

Quem entra em contato pessoal com Jupiter percebe que uma das atuais inspirações do poeta o acompanha na maior parte dos momentos. Antes de subir ao palco, o cantor se despede carinhosamente dela, que fica atenta em um dos lados do palco. Até mesmo em nossa entrevista, Jupiter a quis por perto: “Ei, baby, você está me inspirando !”. Trata-se de Clegue França, atual sweetheart do artista, e parceria total em sua obra, como mencionado na conversa – desde a concepção estética até, literalmente, on stage com The Apple Sound.

Love is beautiful

Love is beautiful

EPILOGUE: THE JUPITER APPLE´S TIMELINE

L´Enfant Terrible (arquivo Cláudia Basso)

L´Enfant Terrible (arquivo Cláudia Basso)


Sex Symbol ´88

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MMX year: about to conquer the world

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