Categoria: Poemas Autorais

Poema direto do forno

Pela primeira vez coloco um poema meu no blog. Algo que sempre tive a idéia de fazer; e aproveito que acabei de escrever algo novo, com rimas pobretonas.

Sangue novamente circulando por aqui
Por essas veias, que velhas, não querem invenção
E tudo vai, porque vai
E assim chega e sai – do coração

E todo nutriente que é preciso
Sem vícios, sem paixão
Cumpre cabalmente seu destino
de suster uma suposta evolução

Sustentar, na verdade, o insustentável
e nutrir o que é perdido
E esperançar, à toa, o que é visto
que melhor seria não ter vindo

Sangue, como sempre, aqui e ali
Circulando – mas não em círculos
Ruborizando caminhos
Rebatizando tecidos

Sangue novamente se arrastando por aqui
como as pernas que, quisera, retirassem para além
Água viajando com açúcar, e hemácias
pelas distâncias que transformam tudo em nada

Tanto tempo gasto pra forjar um novo herói
e o herói não acredita nem na auto-salvação
Devolve o projeto para quem há de saber
que a mágoa nesta vida é estar nela sem querer.