Categoria: Rock and Roll music

A dança dos negros gatos

Arte de Jupiter Apple estreia nova proposta

Hamburg Black Cats é o nome do novo projeto e show de Jupiter Apple/Maçã. A expressão reverencia aos vanguardistas hamburguenses do início dos anos 60, que não sairam da obscuridade. Na formação atual, que se apresenta amanhã, 31, em Chapecó (SC), o próprio man assume a guitarra, acompanhado da mulher, Clegue França, na percussão, e de Felipe Faraco, que troca o baixo pelos teclados e programações de bateria eletrônica. Segundo Júlio Sasquatt, músico e produtor ligado a Júpiter, o set list apresenta os clássicos do compositor em versões eletro-rock. “É tri-dançante, é o New Order do Maçã”, brinca Sasquatt, enfatizando o bom gosto demonstrado por Apple na concepção do novo espetáculo, que é auto-produzido.

Faraco e seus teclados

Faraco (ainda no baixo) e Júpiter em 2010.

Clegue

Clegue

Vale lembrar que a ênfase no ritmo já permeava a produção recente de Júpiter: tanto no single “Modern Kid”, como nas extra-oficiais “Six Colours Frenesi”, e ainda, “Cerebral Sex” – esta composta originalmente para outro projeto paralelo “orgânico” do artista: The Apple Sound, que também envolvia Clegue, em um conceito um tanto mais experimental e performático do que a banda regular.

Veja o The Apple Sound em sua estréia em 2009, desconstruindo “As Tortas e As Cucas”: proposta com detalhes comuns ao Hamburg Black Cat.

Excetuando-se os videoclipes acompanhados de singles em vinil, o último álbum de Júpiter foi Uma Tarde Na Fruteira (2008). Este ano ele esteve em Abbey Road masterizando um material que inclui inéditas e takes raros, e que prevê alguns lançamentos, como uma coletânea, que ainda não saiu. Os dias na Zooropa incluiram escala em Paris com visitação a Père Lachaise e à Torre.

De volta ao Brasil, Júpiter andou interagindo com o trompetista Guilherme “Guizado” Menezes, com quem tocou em estúdio, e com o tresloucado Rogério Skylab, em show conjunto no Sesc Campinas.

Como se vê, o cara não se prende a formatos e propostas estagnados… workaholic na criação, vive em metamorfose, insistindo em não se repetir. A inventividade chamou a atenção desde suas primeiras bandas e continuou na carreira solo. Já nos anos 90 se estabeleceu a aura cult e um fiel séquito em torno, com muita expectativa para cada lançamento. Vamos relembrar as fases do camaleônico artista e algo da riqueza das influências que já lhe inspiraram.

Rockabilly, Beatles, Stones: em seu debut nos primórdios do TNT, o precoce compositor de “Identidade Zero” cantava as coisas importantes da humanidade: garotas, carros, rock and roll – do ponto de vista perplexo de um jovem de fim de século. Porno-psychobilly: após a ruptura com a antiga banda, foi possível com os Cascavelettes ir mais fundo na proposta de letras taradas/chapadas. Incluindo vudu e, lógico, gatos pretos. Folk: a alcunha inicial da carreira solo, Woody Apple, faz alusão a W. Guthrie sugerindo um artista voz-e-violão-e-banquinho. Psicodelia: A Sétima Efervescência é seu Sargento Pimenta.
Jazz & Bossa: a lisergia se sofistica em Plastic Soda. Já Hisscivilization aprofunda a sonoridade às beiras do Acid Jazz e progressivo. De repente a crueza quebra a sequencia: com Blues e rock básico Bitter é o famoso “passo atrás” para retomar o vigor da sonoridade de décadas atrás. Tropicalismo: aparece atualizado dando o tom de Uma Tarde na Fruteira. Tudo isso veio temperado com Kurt Weill, Moulin Rouge, e principalmente, Gainsbourg, como ficaria ainda mais claro na estética do clipe “Modern Kid”, e a influência warholiana saindo do armário já nas primeiras cenas de “Calling All Bands”.

Ufa! Depois de todo esse balanço, só nos resta aguardar a próxima carta desse louco do Tarot da Arte…

Leia mais sobre Júpiter:

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterapple/
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/27/applebage/

O bis do sucesso do Pouca Vogal


Coisas que o Pouca Vogal consegue: lotar um novo show e emocionar o público como se não tivesse tocado repertório idêntico no mesmo clube apenas sete meses atrás. Isso aconteceu em Bagé. A única novidade no playlist foram os acordes iniciais de “Seven Nation Army” dos White Stripes, no contrabaixo de Humberto – tocado com os pés, assim como o som de cordas que está mais evidente em algumas canções, dispensando tecladista, e os loops que adicionam empolgação em A Força do Silêncio, Pose e Infinita Highway. De resto, as variações sobre os mesmos temas de Leindecker e Gessinger ficam por conta dos detalhes que fazem a diferença. O duo agora é definido por Humberto como a “maior banda do bairro Bela Vista” (sua morada portoalegrense) ao se apresentar, confere o vídeo:

Hoje é Renato Russo quem dava razão a Humberto, no táxi que trouxe o Alemão a Bagé. E na farmácia, quem procurava protetor solar era um emo, não mais o punk.
Além de tudo isso, 1berto esbanja o know-how de palco de 25 anos como engenheiro havaiano. Entre goles em uma caneca de chá, brinca de animar a audiência. Interrompe estrategicamente Somos Quem Podemos Ser várias vezes só para incitar a gritaria, saúda ao Grêmio Esportivo Bagé (em Banco) e por aí vai. Gessinger está solando mais ao piano. Seus improvisos e os de Duca na guitarra tornam cada show único, aparecendo mais nos momentos jam session como o final de Pouca Vogal, a canção.

Setlist – Bagé, 11.06.2011 – Clube Comercial

Depois da Curva
Até o Fim
Girassóis
Breve
Pose
Dia Especial
Além da Máscara
Somos Quem Podemos Ser
Música Inédita
Terra de Gigantes
Força do Silêncio suingada
Pinhal
Toda Forma de Poder/Banco/Dom Quixote/Satisfaction
Refrão de Bolero
Ao Fim de Tudo
Piano Bar
Tententender
3 X 4
O Amanhã Colorido
Pra Ser Sincero
Pouca Vogal
Vôo do Besouro
A Montanha
Os Segundos
Infinita Higway/ Carona
Jingle “rockabilly” de despedida – curte o vídeo com o simpático agradecimento da dupla, na finaleira do show:

Leia também: Resenha do show de 2010:

Thedy Corrêa tem muito a dizer

Conhecido como cantor e letrista, Thedy Corrêa Filho, 47 anos, tem a oferecer a uma Semana Acadêmica ainda mais do que o lirismo romântico que vocaliza no Nenhum de Nós, banda que acaba de lançar seu décimo-quarto álbum, Contos de Água e Fogo. Além de escrever em seus blogues Astro Thedy e Gigante, já lançou dois livros (Bruto, 2006, e Livro de Astro-ajuda, 2010) por conta dos quais tem sido convidado para feiras do livro e eventos literários Brasil afora. Também participa do programa de televisão Café TV Com.

Thedy e a filósofa Márcia Tiburi, em debate que permitiu interação do público

Thedy e a filósofa Márcia Tiburi, em debate que permitiu interação do público

No interesse de acadêmicos de Comunicação Social, cabe destacar a recente participação de Thedy no evento Filosofia do Rock, onde foi o convidado especial em quatro das oito noites de debates entre músicos e filósofos sobre a relação entre o gênero musical e as correntes de pensamento.
Mesmo quem acha as teorias universitárias algo sonífero teve a atenção despertada pelas análises altamente pertinentes de Corrêa, que relacionaram Bob Dylan a Walter Benjamin, Legião Urbana a Foucalt, Velvet Underground a pós-modernismo. Inclusive o conceito de Sociedade do Espetáculo, de Debord, fundamental para a pesquisa em desenvolvimento pelo autor deste blog, embasou os comentários de Thedy sobre os grupos Nirvana e Radiohead.

Todos esses são alguns dos motivos para engrossarmos o coro de
‎#TOMARAQUEROLE Semana Academica da FACOS Urcamp com presença de @thedycorrea \õ/

Leia ainda a entrevista com Thedy em 2008, em Bagé, antes do show do Nenhum, que voltaria a tocar aqui em janeiro de 2011.

https://marcelofialho.wordpress.com/2008/12/31/ndnbage/

Catarse no Sul com Dado Villa Lobos & Cia.

O Rio Grande do Sul esteve mais poético esta semana. Dado Villa Lobos e Toni Platão, escudados pela banda Reino Animal, impregnaram o clima com canções marcadas pela ênfase na melodia, e letras de influência literária. Sobrevivendo no showbusiness ao se reinventar sem negar suas raízes, os dois protagonistas vitais do B-Rock anos 80 apresentaram um setlist que contempla ambas carreiras solo, mas também reverencia a cena em que surgiram, e que pode ser resumida em um único nome: Legião Urbana.
Além de Frederico Westphalen e Três de Maio, o espetáculo foi recebido em:

PELOTAS>>

SANTA MARIA>>

Nestas duas cidades, foi possível registrar os detalhes que seguem, sobre os shows e bastidores. Os artistas e sua equipe foram bastante acessíveis em colaborar com a cobertura.

I. PELOTAS, 18.11.2010 – BAR JOÃO GILBERTO

No palco do bar que leva o nome de uma de suas grandes influências, Dado confessou que não visitava a terra da Fenadoce “há muitos anos, desde um show do Taranatiriça, que estava muito bom”. Em seguida homenageou Nenung (Dharma Lovers), um dos gaúchos com quem mantém parceria musical, abrindo a noite com “Seres Extranhos” – mais tarde seria a vez de “Diamante”.

Cada vez mais à vontade no palco, Villa Lobos tocou harmônica e dançou a seu modo no clima da cover de “Rainy Day Women”, de Bob Dylan, que conclama: “everybody must get stoned”.
Na sequência, o guitarrista interpõs suas canções mais conhecidas “Dias”, “Quase Nada” e a nova “O Homem Que Calculava” com as da Legião que escolheu para fazer lead vocal: “Teatro dos Vampiros”, “Um Dia Perfeito”, e “A Dança” – em versão rearranjada onde ele se deixa tomar por gestos “epiléticos”, nos golpes na guitarra, e na dança que protagoniza. Break para o frontman, e Renatinho (segunda guitarra) assume também o microfone para sua versão de “Por Enquanto”.

De volta, Dado já convoca Toni ao palco, para duas parcerias que gravaram: “Tudo Que Vai” (hit com o Capital Inicial) e “Como Te Gusta ¿”. Resgatam o êxito-mor da banda de origem de Platão, a Hojerizah: “Pros Que Estão Em Casa”, com seu refrão operístico-smithiano, em versão que abrevia a trabalhada introdução de Flávio Murrah.

Parece que sempre termina… mas não tem fim

A verdadeira Legião, segundo Renato Russo

A verdadeira Legião, segundo Renato Russo

Chega a hora de um tributo feito com toda a propriedade. Dado ainda seria crooner em “Ainda É Cedo/Gimme Shelter”, “Índios” (só ao microfone, sem guitarra), e em uma “Geração Coca-Cola” acústica, estilo trovador solitário, que sua ex-banda às vezes revisitava.

De resto, é de Toni a voz na sequência legionária que entra bis adentro: “Tempo Perdido”, “Eu Sei”, “Será”, “Há Tempos” e “Pais e Filhos”. O timbre do baritono, sem intenção alguma de substituir Renato Russo, ainda assim favorece o clima da catarse coletiva. A combinação no palco demonstra-se uma das melhores alternativas para a demanda reprimida desde 1996, quando, junto com Russo, morreram as esperanças de voltar a ver a Legião ao vivo.

Ao mesmo tempo, Dado estava com saudades do calor das platéias brasileiras, após uma excursão na Europa, com Marcelo Bonfá e a Caravana Americana.
O resultado dessa interação comprovou que a Legião Urbana vive – já que, segundo o próprio Renato, ela é composta pelos fãs. Quantas bandas atuais levam os admiradores a manter em sua memória cache por tantos anos letras longas e com refrão escasso como “Índios” ?

Um Dia Perfeito
A estadia da trupe em Pel

O ônibus com a banda chegou ao Hotel Manta no meio da tarde. Horas depois, passagem de som no JG. Na saída, Dado e os músicos caminharam até a esquina com a Católica, onde tomaram táxis ao hotel. No início da manhã seguinte ao show, a turma já rumava serra acima.

Força sempre: Bruno e Uiliam viajaram 110 Km para o show e conseguiram autógrafos e fotos com Dado

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Sargento Garcia, banda contumaz no JG, animou a noite antes e depois de Dado

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Dedicação ao Rock I: João Lopes, do João Gilberto Bar, trouxe os ícones nacionais do estilo um dia antes de viajar para ver Paul McCartney em SP

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II. SANTA MARIA, 19.11.2010. BOATE KISS

Dois anos após o show do Jardim de Cactus no Hotel Morotin, Dado se reencontrou com os santamarienses para um repertório idêntico ao da véspera, em Pelotas. Antes e depois do rock, o DJ Juliano Paim é quem pilotava pickups e telões.

Dado e Toni prestaram seu tributo à Legião

Dylan também foi lembrado com Dado na harmônica

A guitarra ficou de lado para cantar “Índios”

Visão alternativa do palco, pela lateral externa ao salão principal

Dedicação ao Rock II: Kiko Spohr traz à sua boate nomes como Cachorro Grande, e em sua banda  Projeto Pantana divide palco com Alemão Ronaldo e Duda Calvin

Dedicação ao Rock II: Kiko Spohr traz à sua boate nomes como Cachorro Grande, e em sua banda Projeto Pantana divide palco com Alemão Ronaldo e Duda Calvin

O Reino Animal, versão 2.010

A banda atual de Dado aproveita o nome de seu projeto experimental pré-Legião. Saiba um pouco mais sobre a fauna dos músicos de apoio:

Lourenço, Renato, Caio e Laufer

Lourenço, Renato, Caio e Laufer

Se você conhece o rock nacional dos anos 80, conhece o baixista Carlos Laufer, mesmo que nunca tenha visto sua imagem. Nos clássicos da neo-filosofia tarada de Fausto Fawcett como “Kátia Flávia” e “Rio 40 Graus”, era ele. Está sempre co-produzindo projetos, como foi o Básico Instinto, que viajou o Brasil nos 90´s, e o primeiro álbum de Dado. Ainda mais low profile que Villa Lobos, demonstra tarimba até quando toca com três cordas.

O drummer Lourenço Monteiro tem vida paralela bem intensa fora do Reino. Além de sua banda Cabeza de Panda, colabora com artistas do quilate de Marcelo D2 e a banda Tantra. Jornalista formado, é uma espécie de diretor do soundcheck, onde auxilia a mesa de som, cantando inclusive, e garante a descontração.

O guitarrista Renato Ribeiro chega a se encarregar dos principais solos em alguns momentos, como ocorre em “P´ros Que Estão Em Casa”. Emplacar um trabalho solo parece uma tendência quando assume o vocal da canção que conquistou no set.

Nas teclas, um concentrado Caio Márcio pouco abre os olhos durante o show, parecendo literalmente viajar entre os timbres sinfônicos herdados de Renato Russo e as outras possibilidades mais ritmicas do repertório solo.

Um-dois, som… testando !


Tanto no intimismo do bar (Pelotas) quanto na amplidão da boate (Santa Maria), a passagem de som da banda foi bem extensa, minuciosa. Rolaram músicas como “Blue Monday” do New Order, e “No Alarms” do Radiohead.

Nesse momento entra em cena o papel fundamental do engenheiro de som
Fernando Fischgold, que não se constrange ao sacrificar um pouco os colegas, mantendo-os no palco até atingir a maior harmonia possível para os ouvidos do público.
Além dos citados, a equipe é formada ainda pelo roadie e pelas duas assessoras do manager Alexandre Soares. Ele informa a intenção de ampliar ainda mais as excursões pelo interior. Já tem como certa a volta ao Sul para o lançamento do novo álbum em 2011. E o projeto da tour Sete Cidades, com Bonfá, está de pé – a ideia agora é fazê-la em parceria com as prefeituras dos municípios.

Leia também:

Entrevista Exclusiva com Dado

Dado Villa Lobos prevê Colapso para 2011

Ex-Legião Urbana trabalha em pré-produção de segundo álbum solo
[ Entrevista exclusiva concedida em 18.11.2010, em Pelotas ]

O artista segura o material que levei para autógrafos: a primeira Bizz que comprei (por causa da Legião), o CD Jam 80 (já com Toni Platão).

Começando pelo disco novo… tinha um nome definido, depois mudou, não?

Dado>> É, não sei ainda. Tem essa ideia do “Passo do Colapso”, que era uma ideia que tava vindo, assim. Mas, que no fundo, no fundo, o disco questiona a vida como ela é – as relações da vida no dia a dia.

Então tem um conceito fechado ?

Dado>> Mais ou menos, mas, justamente: aí abriu. Primeiro comecei com a ideia de “realmente estamos vivendo um colapso quase sem volta” mas, assim: é um ciclo do colapso. Mas ainda as ideias estão em andamento, fechando o repertório. Aí comecei a ver que na verdade o disco falava de outras coisas também, ainda não consegui fechar justamente essa ideia. Mas na verdade estava pensando agora em canções – é um disco muito mais de canções, e no meio do caminho entra a ideia de colapso.

Quais as músicas que vão entrar ? “O Homem que Calculava”, que já está nos shows, entra ?

Dado>> Vai. É toda uma relação com o Nenung – a música “O Passo do Colapso” ele escreveu a letra, em cima de uma ideia que falei. É um grande parceiro.

A música “Overdose Coração” teria potencial para trilha de telenovela…

Dado>> Com certeza. A ideia é assim – o refrão tem título de novela… “mel no sangue”, “cântico dos cânticos”, “amor, sublime amor” (risos)

Já está definido o primeiro single ?

Dado>> Não. Acho que trabalhando as coisas desse jeito, ainda está bem longe de fechar. Primeiro trabalhar o repertório, fazer, realizar, gravar. A previsão seria o primeiro semestre. Vai sair pela Rock It ! com a distribuição de alguma gravadora.

A noticia de que o álbum terá a participação do guitarrista do Calypso surpreendeu…

Dado>> Eu cruzei o Chimbinha um dia. Foi muito bacana, uma noite muito especial. Aí pensei nele tocando nessa música, que inclusive é minha e do Nenung também, “Lucidez”. A ideia é trazer também os Paralamas pra gravar com ele…

Ela tem um traço latino então…

Dado>> Não exatamente latino, é uma música mais praiana. Acho que encaixaria bem os dedilhados, a pegada da guitarra do Chimbinha.

E a parceria com o outro gaúcho, o Marcelo da Robô Gigante, como surgiu ?

Dado>> Gravei duas músicas que ele me mandou: “Paralisado” e “Tudo Bem”. Ele é cantor e guitarrista. Encontrei da última vez que estive aqui e tocamos umas músicas.

Pareceu inusitado o tributo à Legião no Uruguai em 2008, para o qual tu e o Bonfá foram convidados. Como é a cena lá, existe um séquito de fãs ?

Dado>> Aconteceu assim: um amigo que agora é nosso manager, apresentado em 2008 pelo Hermano Viana, passou a ideia: “Tem um pessoal no Uruguai que tá querendo fazer uma homenagem à Legião Urbana, e pretende levar você e Bonfá”. Tenho uma ligação especial com Montevidéo, morei lá quando garoto. Aí, falei: “Pô, legal ir pra Montevideo tocar”. O resultado é que são grandes bandas: La Vuela Puerca, No Te Va a Gustar e metade do Bajo Fondo, que são metade uruguaios e metade argentinos. Eles prepararam um repertório de 20 músicas. A gente entrava na décima-primeira e tocava junto com eles. Foi muito bonito, ficamos muito amigos. Tinha uma ligação com a Legião, aquela coisa da fronteira, a música chegou até lá.

Em Santa Maria, onde vocês vão tocar, existe uma festa “Clube da Criança Junkie”…

Dado>> hahaha. Jura ?!

O que era esse clube, e qual era o teu papel nele ?

Dado>> Isso era uma brincadeira do Renato. Adolescente em Brasília, interiorzão… Como todo adolescente, a gente tinha um bando de garotos, que ia catar cogumelo no pasto, tinha uns chás de Beladona – tudo muito natural. Eu era muito garoto, e o Renato era mais velho, aí um dia ele falou, me deu essa alcunha: (imitando) “Você é o presidente do Clube da Criança Junkie”. Falei: “Não, não, nada disso!”. Mas era só uma brincadeira: a gente passava o fim de semana zoando geral e eramos bem garotos.

O teu estilo de guitarra está mais para Johnny Marr e Robert Smith do que para as distorções de um Malmsteen ou Satriani… como você o define ?

Dado (Fazendo gesto de reverência aos guitarristas dos Smiths e Cure)>> Não sei cara, acho que é bem simples, acho que é mais melódico, harmônico, e às vezes algumas frases que saem, algumas ideias, são bem colocadas, acho que a ideia é essa: de fazer a música andar. A guitarra sendo um instrumento harmônico que compõe bem e harmoniza bem com o resto da canção, enfim. A ideia é harmonizar sempre.

Havia uma espécie de “padrão Legião” de sonoridade, definido pelo Renato, que sempre voltava aos mesmos timbres de teclados, e às cordas de violão e viola. Musicalmente, isso era um limitador para ti ?

Dado>> Depois de um certo tempo, no Descobrimento do Brasil, a gente falou: “Pô, vamos dar uma geral aí”. Experimentar um pouco mais, na verdade você tá dentro do estúdio pra isso: não ficar sempre naqueles timbres de teclados, né ? Que era as cordas do Juno 106. Sempre acreditei que existiam outros sons também que comporiam bem, dentro dos arranjos. Mas Renato, ele gostava muito daquela sonoridade, daquele negócio.

O Renato ainda conseguia se comunicar na tua visita ao apartamento dele, dias antes da morte ?

Dado>> Não, o que foi muito triste, justamente. Foi uma semana antes.

Quando foi o último contato com ele ainda consciente ?

Dado>> Nas mixagens de A Tempestade. Aí a gente meio que teve um bate-boca assim… mas tudo certo, normal. Depois a gente se falava pelo telefone, tava tudo certo. Então quando eu fui visitá-lo, foi realmente uma grande surpresa.

Vocês imaginavam uma turnê para o álbum ?

Dado>> Não, turnê não.

Por causa da saúde do Renato ? Ou por outro motivo ?

Dado>> A gente não fazia muito essas coisas, não saia muito pra rua. Depois de um certo tempo era complicado. Mas ali no momento da Tempestade, eu vi que a gente ia ter que dar um tempo mesmo… mas sempre acreditando na ciência, na medicina… que aquilo seria um quadro reversível.

O que ficou incompleto ? Tem algo que tu queria ter dito ao Renato, ou feito, e que quando percebeu já não era mais possível ?

Dado>> Tem um monte de coisa que você gostaria de ter falado pra pessoa, que a pessoa se foi de um jeito tão repentino, dramático e drástico, que ficou… “cara, esse cara foi embora e eu tinha que ter falado certas coisas pra ele”. Disso… a gente ter meio que se desentendido no final… essa coisa de briga de família, de irmão falar. Tipo, ´cê tava dando um tempo….

E aquele verso de “Leila”, “no domingo cachorro-quente com as crianças na Fernanda”… é a Fernanda Villa Lobos ? É um fato vivido pelo próprio Renato ?

Dado>> É, a gente domingo ia lá pra casa. A gente tava no Rio trabalhando e tal, chegava o domingo e a gente chamava os amigos pra comer cachorro-quente, jogar um jogo, conversar, ouvir música.

A gente mitifica a imagem do poeta amargurado… Mas então o Renato tinha seus momentos de descontração ?

Dado>> Claro… quando ele queria, ele era muito bem-humorado, muito pra cima… um cara dinâmico e tal, esperto… agora, oscilava entre esses momentos bacanas e a solidão. Basicamente, ele era um cara muito sozinho, não conseguia evitar.

A parceria com o Nenung nunca te trouxe ao Kadhro Ling (templo budista em Três Coroas) ?

Dado>> Não, conheço de fotos… eu me identifico.

Qual é a tua “orientação espiritual” ?

Dado>> Sou totalmente agnóstico, ateu. Sou quase um mitômano, tenho santinhos colados no estúdio. Gosto muito das imagens e das histórias, não que eu siga um dogma, coisa da igreja…essas religiões monoteistas. Mas o o budismo tem essa coisa muito mais leve, eu acho e muito mais voltada pra você ali, junto.

A letra de “Diamante” é totalmente inspirada em budismo…

Dado>> Foi a primeira música que gravei. Eu ouvi ela em 98. Era voz e violão. Fizemos uma gravação. Ali foi o que bateu, foi quando me conectei com os Dharmas e o Nenung.

Vocês se encontraram nessa vinda ao Sul ?

Dado>> Aqui, ainda não encontrei. Eu tava viajando, tô há um mês fora. Cheguei sábado, domingo fui a Belém, toquei lá no Se Rasgum com os Porongas, foi incrível. Cheguei segunda à noite no Rio, na terça, tinha umas entrevistas pra fazer. Correria desgraçada.

A Rock It ! lançou artistas como os gaúchos do Ultramen e Comunidade Nin Jitsu. Agora que ela não é mais uma gravadora, qual a tua contribuição, no lugar dela, para o cenário independente ?

Dado>> O lance da produção musical, fonográfica ficou bem complicado nesse momento. Continua demandando dinheiro, investimentos e tal. Você sempre tem que estar com uma estrutura. Primeiro você tem que satisfazer o artista, ele nunca tá satisfeito. Difícil. E hoje os meios de propagação estão mais fechados, eu sinto. No lugar, eu tenho buscado sempre trabalhar em estúdio. Estar gravando alguma coisa, produzindo alguma coisa. Acabei de fazer uma trilha do Malu de Bicicleta. E o curta do Nicolas Behr. E aí eu me ocupo assim, algo que eu realmente gosto de fazer. E da música, seja a serviço do que for: um curta, um longa, uma canção, um disco. E estar ao vivo tocando também, maravilhoso.

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O Sul pronto para Dado

A fachada do Bar João Gilberto, em Pelotas, anuncia o evento da próxima quinta-feira. Dado Villa Lobos, Toni Platão e banda vão apresentar um show dividido entre os trabalhos solo do guitarrista e os clássicos da Legião Urbana.
Dado acaba de tocar no festival Serasgum, no Pará, onde mais uma vez acompanhou a banda Los Porongas, que já produziu. Antes, passou 19 dias na Espanha, onde se apresentou por três noites com Marcelo Bonfá e mais dezenas de convidados no projeto La Caravana Americana, do artista espanhol Xoel Lopez.
Já tendo trabalhado com vários artistas gaúchos como Ultramen, Comunidade Nin-Jitsu, Dharma Lovers e Marcelo Gigante, Villa-Lobos volta ao Sul, onde esteve em 2008, em momento de intensa atividade, entre o advento de duas novas trilhas sonoras, e a pré-produção do segundo álbum solo de carreira. Começa por Frederico Westphalen na quarta, 17, e após Pelotas, ainda passa por Santa Maria dia 19 e Três de Maio no dia 20.

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Dado Villa Lobos em Pelotas

Guitarrista traz produção solo e revisita Legião Urbana no Sul do Brasil

Os gaúchos interessados em Legião Urbana terão oportunidade de assistir ao legado vivo da banda, em novembro. Dado Villa Lobos se apresenta em Pelotas no dia 18, no Bar João Gilberto, em tour que inclui ainda praças como Três de Maio e Frederico Westphalen. Além das canções da carreira solo do guitarrista, cerca de metade do show será reservada à obra da Legião. Para isso, o convidado especial Toni Platão, com seu vocal barítono, acompanha a banda completada por Carlos Laufer (baixo), Renatinho Ribeiro (guitarra), Caio (teclados) e Lourenço Monteiro (bateria).

Fração importante do trio que a Legião foi no maior período de sua existência, Dado, 45, assim como Marcelo Bonfá, é co-autor de grande parte das músicas cantadas por Renato Russo. Ratificando o lema Urbana Legio “Omnia Vincit” (Vence Tudo), as canções do grupo surgido em Brasília superaram a morte (o poeta-cantor se foi há 14 anos) e o tempo – perpetuando-se na memória coletiva, e se fazendo obrigatórias nos projetos posteriores dos ex-integrantes.

A sonoridade do álbum solo de Dado, Jardim de Cactus, remete a ecos das influências pós-punk como The Cure e Smiths, em um ambiente experimental e climático. A maioria das faixas é cantada pelo próprio Dado, mas há várias participações especiais. O disco foi lançado fisicamente em versão “Ao Vivo MTV” em 2005, e só mais tarde a gravação original de estúdio seria prensada por um selo paulista.

Vale lembrar que na época dos primeiros álbuns da Legião, Toni Platão teve mais do que 15 minutos de fama nacional com sua banda Hojerizah e o hit “Pros que Estão em Casa”. Dado é quem avalia: “Somos grandes amigos desde então e é sempre um grande prazer dividir o palco com ele, grande artista que é”. Nos anos 90, a dupla registrou algumas parcerias nos estúdios da Rock It! (gravadora de Dado, que também é produtor musical), e desde então Toni se habituou a cantar Legião nos mais variados tributos, como a Jam 80 da Bizz, o “Uma Celebração” do Multishow e Festival Porão do Rock.

Dado respondeu rapidamente algumas perguntas do blog enquanto arrumava as malas nas vésperas de sua viagem à Espanha – para três datas em um projeto especial com um “combo” de artistas, La Caravana Americana. Ele comenta seu entusiasmo com a experiência: “Estou por aqui e amanhã, 19, devo encontrar com todos, uma idéia de Xoel Lopez, artista Espanhol que tocou conosco em Fortaleza na virada do ano, um super projeto que traz a cultura ibero-americana, cubanos, argentinos, colombianos, portugueses e muito mais, em terras européias, uma super caravana e promete ser muito divertida”. O chefe da Rock It! revela ainda que está na pauta de seus produtores a retomada do projeto Sete Cidades, onde ele e Bonfá se reuniriam para excursionar por sete importantes cidades brasileiras tocando Legião com a presença de convidados, possivelmente músicos uruguaios, repetindo o que ocorreu em Brasília e Fortaleza.

No dia 25, enquanto os dois terços remanescentes da Legião estiverem na Europa, a EMI, eterna gravadora da banda, lança um box com os oito álbuns da banda remasterizados e fotos inéditas. Dado não ignora que a internet se tornou um mercado à parte convivendo com o fonográfico, onde existe uma discografia “extra-oficial”, de amplo conhecimento público, de shows e sobras de estúdio da banda… Questionado, comenta: “O mercado paralelo vai passar um dia a ser o mercado oficial, passamos por um periodo de transição, não tem volta; mas no entanto, os discos da legião chegarão em novos formatos, CDs e vinil, e acabam de vender 500 mil cópias dos digipacks nos últimos três meses, algo a ser avaliado…”.

ATENÇÃO EMPRESÁRIOS DA NOITE BAJEENSE: a produção do show de Dado está aberta para ampliar a agenda no Sul, eventualmente com uma apresentação por aqui, em data próxima à de Pelotas. Contatos: e-mail alexandre.milenar@gmail.com e telefones (21) 2424-1091 e (21) 7843-1518.

Theatro Guarany em pé para os Detonautas

Metade do show. Conforme a canção avança, o público sentado nas cadeiras e camarotes vai levantando aos poucos. Em instantes, o Theatro Guarany inteiro está em pé, vibrante, cantante. Tico Santa Cruz exclama ao microfone que foi a reação “mais foda” à composição “Só Nós Dois” até hoje. A cena ocorreu na noite de quinta, 09, em Pelotas, primeira cidade a receber os Detonautas, após o retorno de apresentações no Japão, para uma turnê de seis datas no Sul. De início, a platéia parecia em dúvida sobre como interagir com o espetáculo – a expectativa de arranjos mais suaves promovendo o mais recente CD/DVD foi surpreendida por guitarras totalmente plugadas e uma banda a fim de oferecer peso. “Esqueceram de avisar pra gente que o show é acústico.”, brincou o cantor. “Espero que não se importem de ouvir guitarras. Vocês se importam se a gente continuar ´pegando pesado´ ?” Resultado: nas primeiras músicas, além da barricada de fotógrafos entrincheirados diante do palco, fãs exaltados já pulavam frente às primeiras filas de cadeiras, para desconforto dos devidamente “acomodados”.

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos acústicos...

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos acústicos...

...e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

...e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

Esse foi apenas um dos picos de sintonia emotiva entre palco e audiência. O afiado entertainer Tico incitou ao coro no final reggae-estendido para “Quando O Sol Se For”. Trouxe ao palco uma garota do público para recitar poema no meio de “Olhos Certos”. Explicou que “Só Por Hoje” alude a uma frase-lema dos grupos de reabilitação de viciados em alcoolismo e drogas. E ainda, no final do show, com “Outro Lugar” pediu que cada um abraçasse a pessoa ao lado, estimulado pela mensagem “abraços grátis” em um cartaz exibido por fãs.
Sem falar na corrente por vibes positivas, com mãos levantadas, próximo de a banda prestar tributo a Raulzito emendando “Metamorfose Ambulante” e “Sociedade Alternativa”, entremeadas com discurso pró-liberdade individual. Outra cover inesperada foi “Ainda É Cedo” da Legião Urbana.
Tudo isso veio encartado entre os hits aguardados: “Você Me Faz Tão Bem”, “O Amanhã”, “Tênis Roque”, “O Dia Que Não Terminou”, “Mercador das Almas”, “Não Reclame Mais”, “O Retorno de Saturno”, “O Inferno São Os Outros”. Em arena ou teatro, o clube dos Detonautas é sempre o do rock.

ENTREVISTA

CONEXÃO NIPO-SATOLEP

A apresentação em solo pelotense foi a primeira depois de a banda ter tocado no último final de semana nas cidades japonesas de Hamamatsu e Toyohashi (no Brazilian Day). “A gente passou só dois dias no Rio, tempo de trocar de mala, lavar as roupas e vir. Teríamos dois shows na Europa mas priorizamos tocar aqui no Sul, que serão seis datas”, revela Tico Santa Cruz. “No Japão, foi show de parque, que mistura público variado – brasileiro, japonês, americano. A galera começou, num primeiro momento, observando, e no final tava todo mundo com a gente, foi uma vitória”. Segundo o vocalista, a banda não tem CDs lançados no mercado nipônico. “Com internet não tem muito esse lance, as pessoas tem acesso pelo próprio site”.
Apresentando no Sul um show distinto do último álbum, os Detonautas ainda não iniciaram a pré-produção do sucessor do Acústico: “Estamos compondo, mas não há um conceito, vamos precisar de mais tempo. A idéia é fazer como no Psicodelia…, onde a gente ficou no estúdio criando, até sair coisas novas, e não só compôr no violão como estou acostumado a fazer, e como foram os últimos discos”.

ATÉ A PÉ DETONAREMOS…

Gremista assumido a ponto de eventualmente ostentar simbolos de seu timão, Tico, que esteve na equipe de transmissão no Olímpico quando da última conquista do Campeonato Gaúcho em 2010, relata as origens da preferência. “Meu tive lá do RJ é um time que não tem muita expressão, o América. Joga campeonato da terceira divisão. Aí escolhi um time de fora”.

UM COMUNICADOR NATO

Para dedicar-se aos Detonautas, Tico interrompeu algumas faculdades iniciadas, entre elas Jornalismo, no fim dos anos 90. “Quando fui fazer Ciências Sociais na UFRJ ia fazer Ciência Política poder atuar como jornalista na área política especializada. Mas enfim depois fui deixando amadurecer as idéias e prevaleceu o meu sonho de fazer som e tal. Ser jornalista é investigativo, tentar passar os fatos de uma forma que as pessoas possam tirar as conclusões delas sem ser necessariamente influenciadas pelos interesses dos jornais. É diferente ser jornalista e ser marketeiro”.
Mesmo sem diploma, o roqueiro demonstrou ser comunicador também de outras formas, através, inclusive, dos meios virtuais:
-Seu Blog pessoal onde descreve fatos reais, além de reflexões e contos eróticos.

-Seu Twitter para o qual retornou há pouco após ter deletado o perfil anterior em seguida de polêmica envolvendo bandas emo. Há algum tempo Tico atravessava madrugadas tuitando, com seu fuso horário particular. Temas, diversos: dicas de livros, como ele também sugere nas letras, já que “O Inferno São Os Outros” vem de Sartre, há uma “Ensaio Sobre a Cegueira”… Meteção de pau no tratamento oferecido pelas companhias aéreas brasileiras. E, entre outras formas de ode ao amor solitário 5 X 1, já é tradicional a sessão do “Proibidão”, vídeos pornôs temáticos para a ocasião – recentemente rolou com japinhas, não por acaso.
Além disso, e nessa linha independente dos impérios midíáticos, Tico apresentava há alguns meses seu Sarau Eletrônico através de streaming de vídeo via Justin TV.
[ Mais no Blog:
https://marcelofialho.wordpress.com/2009/07/01/justin/ ]

Recebeu convidados célebres como Biquíni Cavadão para conversas e jams. O projeto não tem data para retomada: “A gente tá muito sem tempo, e exigia bastante. Passava as segundas feras de descanso fazendo um trabalho que levava seis horas durante a madrugada toda, se tornou um pouco cansativo. Preferi parar pra não ficar fazendo mal feito”.

Entregamos ao Tico CD com demos de algumas bandas de Bagé: Central do Rock, Lactário Ruivo, Marcelo Chroner, Plasma Rock, Ricardo Belleza, Sistema Falido, Twin Cities, The Vermes, Viajantes do Éden

Entregamos ao Tico CD com demos de algumas bandas de Bagé: Central do Rock, Lactário Ruivo, Marcelo Chroner, Plasma Rock, Ricardo Belleza, Sistema Falido, Twin Cities, The Vermes, Viajantes do Éden

JABÁ NO CARDÁPIO DAS GRANDES

Também independente é a postura que a banda adotou em relação à divulgação de seus singles, após terem sido limados de algumas programações dentro do jabá, aliás, método de trabalho de algumas grandes emissoras. “Obviamente que com essas rádios a gente teria muito mais força com o mercado popular. Mas, a Internet privilegia o artista que sabe manipular ferramentas e a gente sempre soube se sair muito bem através dos meios digitais. Detonautas não sofreu nenhum baque por conta do boicote e da censura, muito pelo contrário, fazendo bastante shows, e sempre cheios, as coisas estão acontecendo muito bem pra gente. Voltamos a fazer coisas importantes, voltamos ao Japão, o que mostra que não estamos mais nas mãos desse pessoal, e que eles são importantes mas não únicos. Existem outros caminhos para você poder chegar até o público”.

NUMA PROPAGANDA DE REFRIGERANTES

Domingo, no Pepsi On Stage, em POA, a banda divide os palcos com os Raimundos, cujos lead vocais Tico também assumiu recentemente, de modo eventual. “Conheço desde o começo, nos primeiros shows no Circo Voador, quando nem era conhecida a banda e só tinham disco independente. Uma influência não pro som do Detonautas diretamente, mas pra mim como artista, sem dúvida. Foi um privilegio tocar com os caras, fazer uma turnezinha e shows cheios, festivais grandes. Muito produtivo pra todo mundo que participou”. Na ocasião, também se apresentam as bandas finalistas do Concurso Pepsi Música, de cuja escolha Tico participou. “Eu fiz a seleção do Pepsi em Porto Alegre e aqui no sul foi mais tranqüilo de fazer que em são Paulo, onde só tinha banda emo. Espero ver como as selecionadas vão se desenvolver lá no palco, agora que é a hora do ´vamos ver´, no estúdio você pode parar, no palco não tem como”. Tico fala ainda de sua relação com o rock gaúcho: “Conheço as coisas mais antigas na verdade, as atuais não conheço muita coisa. Tenho contato com a galera do Reação (em Cadeia), do Tequila Baby, com o Tonho (Crocco), com uma galera que já faz o som aí já há muito tempo”.

OBRA-PRIMA

O terceiro disco do DRC, psicodeliamorsexo&distorção (2006), talvez o mais criativo, teve produção do gaúcho Edu K. “Eu já gostava do Edu, conhecia a muito tempo, tinha a história do De Falla e tal, já tinha visto show… e achava que ele era a pessoa certa pra registrar aquele momento que a gente tava vivendo… Pra mim é o disco mais rock and roll do Detonautas, o mais pesado…”
O disco tem punch e muita variedade entre as faixas, e brinca com clichês do gênero – o próprio título parece aludir ao bloodsugarsexmagik dos Chilli Peppers. Porém o ano de lançamento do álbum coincidiu com a maior tragédia experimentada pelo grupo, a perda violenta do guitarrista Rodrigo Netto em um assalto. Pergunto ao Tico se ele não considera aquela obra subestimada pela mídia. “Acho que tudo tem seu tempo. Talvez o disco não teve reconhecimento agora e possa ter no futuro, quando a gente já não estiver mais aqui. Pra gente o que vale é o trabalho e pra gente foi bem bacana e o Edu potencializou isso muito ali com a gente”.
A partir daí, um álbum com menor peso e maior romantismo, incluindo a candidata a hino pacifista “Canção do Horizonte”, enquanto Tico se engajava também em manifestações contra a violência. Até chegar ao recente acústico, que reconstrói arranjos, em alguns casos completamente, como “Dia Comum” e explicita um link com os anos 80 ao coverizar Plebe Rude e Renato Russo.

MOMENTOS ANTES, EM PELOTAS…

Fãs recepcionaram a banda na chegada ao hotel

Fãs recepcionaram a banda na chegada ao hotel


Devoção: as fãs Júlia Pereira e Adriana Cunha aguardavam a chegada do DRC

Devoção: as fãs Júlia Pereira e Adriana Cunha aguardavam a chegada do DRC

Odd: CD de estréia da Twin Cities registra em estúdio a energia dos shows

Capa do disco - por Léko Machado

Capa do disco - por Léko Machado

Show de lançamento ocorre sexta-feira no Atelier Coletivo

Enfim a Twin Cities lança seu primeiro álbum completo e em formato físico, Odd. Presente no underground gaúcho a banda já está há algum tempo. Em Porto Alegre, tocaram em importantes festivais alternativos (estarão no Indie Hype em 15 de outubro), e foram entrevistados em sites como o Qual é A Boa, espécie de agenda cultural. Além da qualidade de seu som, a Twin conquista espaços também pelo modo quase profissional com que se promove nos cybercanais como Myspace, Twitter, Facebook, LastFM, Orkut, e seu site oficial. Por ali foram lançados virtualmente: o EP “Five Days Off”, em 2009. O single “Better Of Us” – que entrou no hit parade da Pop Rock FM – e “How” (B-side), gravado em Porto Alegre com produção de Ray-Z (Jupiter Apple, RPM). Em seguida, veio o vídeo de “How” produzido pela Horizon Express no Clube Comercial. Não satisfeitos, acabam de disponibilizar outra inédita, em streaming, pelo blog Amplifica: “Worst Case Scenario”, expressão que alude a uma situação onde tudo que poderia, saiu errado – e que não se parece em nada com o momento vivido pela Twin.
O show de lançamento de Odd ocorre dia 10 de setembro no Atelier Coletivo. Na data, o novo single “Bones” e uma faixa bônus serão disponibilizados para download no site oficial. Haverá distribuição de 100 cópias de Odd no evento.
O vocalista Diego Maraschin cogita que em algumas semanas todas as 13 faixas de Odd poderão ser baixadas pelo site.
Ele comenta o conceito do álbum: “é mostrar a imagem da banda ao vivo. A escolha da capa, com os instrumentos ao meio dos destroços, é uma ´ode´ às nossas brincadeiras nos shows (que quem já conhece tem noção de quais brincadeiras são essas). A maioria das músicas foram selecionadas após vermos o que soa bem e o que funciona para nós, como banda, ao tocá-las ao vivo. O sentido de ´ao vivo´ foi levado tão á sério que as próprias sessões de gravações do instrumental foram feitas praticamente ao vivo pela banda, apenas acrescentando segundas guitarras e vocais depois. As referências ao gravar, as fotos e tudo mais no disco com os shows foram escolhidas porque, assim como muitas bandas, nesse momento é como soamos melhor, na nossa opinião”.
Assim como em Five Days Off, o título do álbum remete à própria banda: “Odd é um adjetivo que em português pode significar tanto ´estranho´, como ´ímpar´, ´ esquisito´, e lá vai pedradas de significados. Mas não que o som que a banda faz seja peculiar, mas apenas a uma referência de que ainda soa ´estranho´ o fato de estarmos separados e ainda poder fazer o que nos completa, fazendo assim da banda, para nós três, algo ´ímpar´na nossa vida. Pessoalmente, ainda me surpreende o fato de que quando se trata da banda, independente da distância, do pouco contato, cada vez mais a vontade de seguir fazer ´dar pé´ ainda nos move com mais vontade”, explica Diego, em relação ao fato de não morar em Bagé como os outros twins.



Fotos no Studio Digital: João Pedro

Quando a banda entrou no Studio Digital em janeiro, a intenção de registrar apenas duas demos: “O resultado ficou o que realmente queríamos, e assim marcamos as gravações seguintes para a realização do disco. O disco foi gravado em um dia, exceto por uma música, que voltamos a gravar na manhã seguinte. Já o processo de mixagem, masterização duraram quase uma eternidade. Como é um disco 100% independente produzido pela banda, a falta de dinheiro foi um dos enormes problemas que enfrentamos para que o disco fosse finalizado anteriormente”. Relacionando as novas canções ao EP anterior, a avaliação do vocalista é de que “a diferença é o simples fato é de que quando surgimos, não tínhamos nenhuma idéia do que iríamos fazer. As canções presentes no disco estão amadurecidas, e até o exato momento das gravações, tínhamos evoluído do ponto de partida, musicalmente falando. Na época que gravamos nosso primeiro EP, mais da metade das músicas que estão no disco já haviam sido compostas, mas nunca tocadas ao vivo o suficiente para aprendermos mais sobre elas. Outro fator interessante, é a sinceridade que levamos o conceito do disco e banda. As composições feitas são todas em inglês. E talvez sempre serão, porém o medo de que não fosse o bastante e não funcionasse, para mim, já não existem mais. O tipo de música, assim como o idioma, já são partes da banda, e do que sempre tivemos vontade de fazer”.
Diego não descarta um lançamento de Odd em Porto Alegre, entusiasmado com os contatos recentes na capital: “Os últimos shows que fizemos juntos com outras bandas do cenário ´alternativo´, como A Red So Deep, Lautmusik, Parkplatz, foram realmente bons. Temos em comum as letras em inglês (menos a Parkplatz, que é uma banda instrumental), o que me fez ver que não estávamos sozinhos ao redor e foi bem reconfortante, a referência ao ´alternativo´ dos anos 80 e 90 foi outra coisa que temos em comum – praticamente, nossos heróis são os mesmos! -, são pessoas realmente legais, não muito diferente das que conhecemos aqui em Bagé, e foram bem acolhedores conosco. Ainda tem mais um pessoal por lá, que tem bandas, que iria ser bem gratificante de tocarmos juntos, como Bad Honeys, Loomer, Electric Mind (que aliás, tem como integrantes a Riane e a Kika que antes tocavam comigo na Phosphurus e moravam também em Bagé) e etc, e que para um futuro próximo após o lançamento, torcemos para que tudo saia como esperado e aconteça”.

Vibe bajeense conquista Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Atelier Coletivo, Bagé, em 26.08.2010

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

“Foi uma puta vibe ! Senti um clima de happening“. Assim avaliou Jupiter Apple o show que realizara pouco antes no Atelier Coletivo, em Bagé. O artista comemorou o fato de ter ficado bem próximo ao público, já que a peça que serve de palco é em mesmo nível e sem obstáculos aos admiradores que literalmente cercaram a banda. Com iluminação clara e cercado por quadros fauvistas de Carlo Andrei Rossal, Jupiter se deixou envolver por um mood de maior intimismo, parecendo exibir um olhar reflexivo enquanto cantava seus poemas.
Em relação ao show da véspera em Pelotas, em que o blog também esteve

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/

o setlist foi idêntico e o que variou mais foram os picos de êxtase do público – alcançados em Bagé com “A Marchinha Psicótica…” e a tradicional saideira “Um Lugar do Caralho”, extendida como uma vigorosa jam que serve de trilha para a saída de cena de Apple.
Antes de deixar a cidade Jupiter visualizou o cartaz promocional do show, de autoria de Rodrigo Sarasol, e debateu com Carlo Andrei as influências artísticas no leiaute, entre Warhol e Matisse.

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

PRÉ-SHOW
A van com a banda chegou à tarde e à noite foi degustado um churrasco no Atelier. A imprensa local se mobilizou. Pelo Rota 20, Ricardo Belleza, fã confesso de Jupiter, soube entrevistar com conhecimento de causa uma de suas maiores inspirações como roqueiro. Os jornais Minuano e Folha do Sul também interagiram com o artista – o editor do primeiro, Glaube Pereira, capturou registros fotográficos da frente do palco. Mais tarde conversou com Jupiter, que comemorou ao ser informado que todos os repórteres presentes haviam passado pelas disciplinas ministradas por Glaube no curso de Jornalismo da Urcamp.

Confira algumas matérias motivadas pela presença de Jupiter na cidade:
http://covilsitiado.blogspot.com/2010/08/festa-dos-bichos.html

http://onavegador.wordpress.com

http://twitpic.com/2gkdmy

http://twitpic.com/2gkf5r

(entrevista ao Minuano)

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p+2&n=4327

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano