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Humberto Gessinger retorna a Pelotas reverenciando o Theatro Guarany

Republicado do site E-cult. Link original: http://goo.gl/zOR0aK

Uma noite pra ficar legal

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Na noite da quinta-feira, 21, Humberto Gessinger atualiza a extensa listagem de suas apresentações em solo pelotense, desta feita divulgando a turnê “Louco Pra Ficar Legal”, iniciada recentemente com datas em cidades de todo o Brasil.  Acompanhado por Fernando Peters nas cordas e Rafael Bisogno nas baquetas, o Alemão toma conta de todo o resto:  o tradicional baixo, guitarras, teclas, gaitas de boca e de fole, pedais,  verbo e coração. Como não há álbum novo, o repertório passeia por toda a obra – sucessos comerciais e lados B, com muita reinvenção.  Antes de mais uma noite de muita entrega aos fãs “de fé”, Humberto disse algumas palavras com exclusividade ao Blog. Gessinger toca em Pelotas quase todo ano, e seus retornos mais recentes –  março de 2015 e outubro de 2013 – tiveram por palco o Theatro Guarany, locação emblemática nas memórias do artista: “Tenho carinho especial, apesar de, nos prihg 06meiros anos os shows terem sido sempre em outros locais, ele traduz Pelotas na minha mente. São raros os palcos que permanecem tanto tempo, temos que reverenciá-los”, pondera. Gessinger garante que o show é bem diferente dos anteriores, que divulgavam, respectivamente, os lançamentos de Insular (2013) e Insular Ao Vivo (2014) : “Os formatos instrumentais permanecem: um trio onde toco baixo, guitarra, harmônica, teclados e, num set acústico, acordeon. O cenário é novo, assim como o repertórtio. A tour  Insular era fortemente baseada no disco de mesmo nome. Na Louco Pra ficar Legal, tô mais livre para passear pelas várias fases da minha carreira. Além das músicas que estão no compacto que lancei recentemente (Pra Ficar Legal e Faz Parte) rolam lembranças dos 30 anos do disco Longe Demais das Capitais e dos 20 anos do Gessinger Trio”. Os álbuns citados pelo músico são marcos de fases específicas: o primeiro é o debut fonográfico dos Engenheiros, em conseqüência da apresentação na UFRGS. O segundo é um dos muitos recomeços, com o rock vigoroso e básico de uma formação que  incluía músicos que  hoje acompanham Armandinho, e tocam projetos autorais. É um disco dos EngHaw sem o nome da banda, e ainda sem assumir-se como artista solo. Além disso, através hg 08dos variados contextos que já protagonizou na trajetória musical, Humberto aprendeu a se recriar constantemente. Como diz a letra de Recarga: “Recarregar – reiniciar – reinventar – reabastecer”. Experimentando diferentes formações de banda, ele se consolidou como multi-instrumentista e passou a recriar suas  composições, a exemplo das versões para discos acústicos. Essa veia também aparece no show atual e torna uma experiência única o reencontro com os clássicos de sempre:  “Recentemente fizemos um programa de rádio ao vivo em estúdio onde os fãs pediam músicas. Por conta desses pedidos, rearranjei a canção Muros e Grades, substituindo o riff original pelo de Exército de Um Homem Só. Conectar diferentes canções empre foi uma característica do meu trabalho. Essa novidade está no roteiro”, anuncia Humberto, que a propósito, no compacto recém-lançado, recriou duas canções antigas: uma do álbum Minuano (1997) e outra de Surfando Karmas & DNA (2002).

 

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Humberto recriando “Muros e Grades” em apresentação recente no “Estúdio Ao Vivo Transamérica”

 

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Na semana passada, Humberto foi o convidado musical no “Encontro Com Fátima Bernardes”

 

Serviço

Humberto Gessinger – Show da turnê “Louco Para Ficar Legal”
Quinta feira, dia 21 de julho de 2016, às 21 horas
Theatro Guarany – Rua Lobo da Costa, 849 – Centro Histórico – Pelotas/RS
Realização: Martius Entretenimento
https://www.facebook.com/martiusentretenimento/

Ingressos:

Venda online: https://ticketmais.com.br/evento/view/9939/humberto-gessiger

Ponto de Venda:
Fast Burger – Rua XV de Novembro, 557

RPM em Pelotas: turnê gaúcha encerra com “o público mais quente”

[Centro de Eventos da Fenadoce, Pelotas, RS, 27set2014. Makbo Produções.]
Quase onze da noite no sábado pelotense, mas os protagonistas de um reencontro iniciado hora e meia antes não demonstram cansaço algum. Uma banda de rock e seu público, frente a frente, mais de uma década de saudades depois. Já começava o bis, mas havia tempo para uma confidência a mais: “A gente tocou em teatros belíssimos e incríveis em Porto Alegre e Novo Hamburgo, mas o público mais quente foi hoje, aqui !”, confessou Paulo Ricardo, líder do RPM, no show de encerramento de uma miniturnê pelo Rio Grande do Sul. Antes de se despedir com aquele característico “Olhar 43”, o quarteto havia passeado por todas as faces de sua discografia com a empolgação de quem reencontrava na audiência um calor comparável ao de três décadas atrás, quando a tour Rádio Pirata trouxe à Boca do Lobo um concerto ao qual a banda se refere como “memorável”.
Em 2014, o que se viu foi a versão lapidada da proposta de espetáculo que havia sido deflagrada com o lançamento do álbum Elektra, três anos antes.
Nos ingredientes do repertório atual, salienta-se uma dose cavalar da estréia do RPM em disco (1985), com os clássicos que ninguém quer evitar, como “Louras Geladas” (primeiro single), “Liberdade/Guerra Fria” e “Juvenília” – apresentada como uma das favoritas do grupo.

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Importados da época do primeiro disco ao vivo do quarteto, os característicos efeitos de raio laser comparecem em vários momentos, mas em “Flores Astrais” são especialmente interessantes, remetendo ao pioneirismo da banda em produção de palco, originalmente sob a direção do precursor por natureza Ney Matogrosso.
No período de tensão pré-eleitoral, as mensagens politizadas da época da abertura democrática que não poderiam faltar, se projetam no telão através das imagens históricas que unem as Diretas Já aos protestos urbanos de 2013, enquanto a banda resgata “Revoluções Por Minuto” e “Alvorada Voraz”.18

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Dedicada a Renato Russo, “A Cruz e a Espada” deixa claro que Paulo vem da mesma “velha escola” oitentista, ao ser apresentada de modo similar ao que o líder da Legião cantava alguns de seus clássicos ao vivo, com citações de várias canções em inglês – aqui, de Rod Stewart, Duran Duran e INXS.

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Num país que marginaliza a música instrumental, o RPM pode se dar o luxo de inserir duas peças autorais do gênero no set, juntas: o “Mergulho” de Deluqui, e “Naja” – que em sua época figurou nas paradas de sucesso.

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Única pérola pinçada d´Os Quatro Coiotes, “Partners” abre o momento mais rústico da noite, em que logo Nando assume a slide steel guitar e Paulo a harmônica para o blues stoneano “You Gotta Move”, que introduz “Exagerado”, do saudoso Agenor – Cazuza.
Uma bandeira argentina na plateia lembra Paulo de homenagear a Gustavo Ceratti, o recentemente falecido fundador da Soda Stereo, banda que para alguns foi o “RPM argentino” na década de oitenta.
A seção desplugada do show, no formato “quatro banquinhos e um violão”, empresta “Dois” da carreira-solo de PR e retoma a global “Onde Está o Meu Amor?” entre referências a Pink Floyd, Commodores e novamente Stones. Sem colares floridos mas muito à vontade, os rapazes aproveitam o retorno anunciado do Echo and The Bunnymen ao Brasil para uma reverencial versão de “The Killing Moon” à moda do Lual MTV da década passada.

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A produção mais recente dos coiotes diz presente de forma seletiva. O disco Elektra contribui com “Muito Tudo” e “Dois Olhos Verdes”, enquanto “Rainha” representa as (então) inéditas do MTV Ao Vivo de 2002.
“Façam a revolução, toquem o meu coração”, citava o comunicador da Rádio União FM (cujo aniversário foi comemorado com a promoção do show) na abertura do evento.

Os músicos que ele chamou ao palco não o deixariam a desejar ao longo da noite. a noite. Em um dos momentos derradeiros da performance, “Rádio Pirata” celebrou a história de um rock brasileiro que ela própria ajudou a escrever, irrompendo como uma autêntica jam recheada de (ex)citações. O fogo dos Doors; Beatles versus Stones. Os solos a la Deep Purple de Schiavon. As sempre melodiosas distorções Deluquianas. Sob o compasso das baquetas de P.A. e capitaneados pela voz e quatro/cinco cordas de Paulo Ricardo, a reunião desses elementos foi a alquimia que mais uma vez tornou os pampas gaúchos cenário de revolução – só que de acordes e sem sangue derramado. Deixam como saldo centenas de corações tocados, e imediatamente saudosos de novas pilhagens da nau RPM pelos mares do Sul…


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Setlist completo:

  1. (Pink Floyd cover)
  2. Rádio Pirata/Light My Fire/You Can´t Always Get What You Want/Day Tripper
  3. Encore:

Anos 80 são meus favoritos, mas os 90 também foram muito legais!

Kleiderman

Quem vê o Branco Melo empregado no programa da Fátima e o Sérgio Brito cantando neobossa, talvez não acredite que esses caras eram grunge há 20 anos. Pois tava aqui ouvindo Kleiderman, banda paralela desses dois lá dos idos de 1994, e mais uma vez lembrei com nostalgia daquele período efervescente para o rock brasileiro e mundial.
O grunge foi a última sacudida estética relevante no estilo que as paradas já tinham condenado à morte. Até os roqueiros da antiga que estavam meio desmotivados aderiram à sonoridade que reverberava desde Seattle. Os próprios Titãs chamaram Jack Endino para gravar. No disco do Kleiderman tem ecos de som industrial a la Ministry, e de Pixies… era o que rolava na época. E claro, umas coisas meio Ramones, os pais da matéria. E pensar que o Brasil tinha seu Ramones particular: Raimundos, Rodolfo Abrantes pré-gospel. Lançados, como o Kleiderman, por um selo inimaginável no Brasil 2014, um golpe de sorte ou oportunismo do gordo Miranda, que capitaneou um sopro de renovação no rock BR. Além dos Raimundos, o mix de rock com elementos regionais tinha outra grande expressão no pessoal do mangue bit (e não beat). Gangrena Gasosa era outra novidade no mínimo curiosa.
De lá para cá, o bundamolismo no rock – lá e cá – não foi mais sacudido de jeito como naquele período.
Miranda

Ira! em Pelotas: estréia do novo show no RS recorda as raízes gaúchas da banda

[ Show no Pavilhão da Feira Nacional do Doce, Pelotas, RS, 20.06.2014. Evento da Morphine Produções ]

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Com mais cinco datas agendadas em solo gaúcho até setembro, a banda Ira! aportou na Fenadoce com a primeira apresentação no Estado da turnê Núcleo Base, que marca o retorno após a separação ocorrida em 2007. Dos músicos que tocaram na cidade nos anos 80 e 90 (na Danceteria Avenida e Teatro Avenida), a formação atual mantém Nasi e Edgard Scandurra, agora acompanhados por Daniel Scandurra, Johnny Boy e Evaristo Pádua. Já na abertura, Nasi relembrou a ligação histórica do grupo com a região, especialmente a cidade de Bagé, onde ele e Edgard passaram uma semana em 1985, “redefinindo a banda, recomeçando nossa viagem novamente… e dessa viagem nasceu uma música”, revelou, começando a cantar “Longe de Tudo”. A primeira faixa do primeiro álbum do grupo, e atual música de abertura do show, foi composta na terra natal do pai de Edgard, “gaúcho de Bagé” a quem o guitarrista dedicaria já no bis “Girassol”, cujos vocais divide com Nasi. Foi um dos picos de empolgação do público, junto a “Eu Quero Sempre Mais” e “Tarde Vazia”, o que demonstra o poder do finado Acústico MTV, e do produtor hitmaker Rick Bonadio, que deram a essas canções um destaque que não tinham alcançado nas versões originais.

A relação especial com o Rio Grande do Sul, que Nasi considerou um “estado roqueiro”, vai além do sangue bageense nas veias de Scandurra: entre os músicos gravados pelo Ira!, estão Frank Jorge, Flávio Basso, e especialmente Wander Wildner, cuja “Bebendo Vinho” veio como um presente acrescentado ao setlist, entre as cinco músicas do bis. Nico Nicolayewski, recentemente falecido, foi homenageado com “Prisão das Ruas”, em cuja versão original de 1991 tocou acordeão, aqui emulado pelas teclas de Johnny Boy.

De resto, o repertório passeou pela maior parte dos álbuns da discografia, excluindo apenas os discos de 1993 e 1998. E ainda apresentou a inédita em disco “ABCD”, que Nasi anuncia como parte de “uma nova safra de composições”, reforçando ainda mais a semelhança entre o momento atual – em que a banda retomou seu “núcleo base” original de compositores, Nasi e Scandurra – com o “recomeço” que a dupla viveu na cidade gaúcha nos distantes anos 80.
Ao vivo, Edgard segue demonstrando a razão por que é considerado um dos melhores guitarristas do Brasil desde os tempos da revista Bizz, improvisando bastante nos solos, o que traz um hálito juvenil aos arranjos das canções mais massificadas como “Núcleo Base” e “Envelheço na Cidade”.

A rouquidão que as décadas adicionaram à voz de Nasi dá um sentido muito mais coerente às várias canções de influência mod que o show resgata dos primórdios da banda.
Com 30 anos e integrantes na casa dos 50, o Ira! versão 2014 soa como uma banda de garagem que está apenas começando.

Setlist:
01 Longe de Tudo
02 Gritos na Multidão
03 É Assim Que Me Querem
04 Flerte Fatal
05 Tarde Vazia
06 Dias de Luta
07 ABCD
08 Flores Em Você
09 Universo dos Seus Olhos
10 Tolices
11 Mudança de Comportamento
12 Rubro Zorro
13 Vivendo e Não Aprendendo (Quinze Anos)
14 Eu Quero Sempre Mais
15 Coração
16 Bom e Velho Rock and Roll
17 Envelheço na Cidade
18 Núcleo Base
Bis:
19 Girassol
20 Bebendo Vinho,
21 Prisão das Ruas
22 Como os Ponteiros
23 Nas Ruas

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Clássicos do rock em roupagens de luxo com os Filhos da Véia

Pelo baixo acústico no palco já dava para se desconfiar que o show da noite da segunda-feira não seria convencional. A trajetória dos músicos envolvidos é de longa data, mas a proposta artística da vez é tão nova quanto a formação que os reúne sob o nome de Filhos da Véia: Wilian Chaves (vocal e guitarra-base), Eduardo Simões (baixo) e Alexandre Vianna (guitarra) buscam na sofisticação um dos diferenciais para se destacar entre os músicos da cena local. Os trajes sociais, os instrumentos acústicos e o repertório clássico (do rock) que selecionaram para sua primeira apresentação pública deixam claro que os rapazes não estão para o improviso do punk rock, mas primam por um espetáculo que inclui um preparo cuidadoso e uma orientação estética – neste caso, de tendência retrô, incluindo o uso de um microfone Shure Super 55, sucesso desde… Elvis Presley !
O trio ganhou o reforço do especialíssimo convidado Renato Popó no “cajón” para o set de dez canções, que foram tocadas no Salão da Biblioteca Pública, dentro das programações alusivas ao aniversário do Conservatório de Música da UFPel.

A playlist (vide foto) teve rock nacional e internacional e doses cavalares de Beatles, preferência confessa do trio e em especial do baixista Eduardo. Ainda rolou bis com “Não Vou Mais Voltar”, do TNT. Esse pocket-show, semi-desplugado, é uma versão light das apresentações elétricas da agenda que inicia nas próximas semanas. O requinte dos Filhos da Véia também pode ser conferido em seu primeiro vídeo de divulgação, dirigido pela fotógrafa Júlia Rodrigues, que também capturou fotos da banda no histórico Casarão Oito. No filme, o grupo divulga sua versão para “Get Back”, com solos de violino do convidado Luís Borges, e citação de “Eleanor Rigby”, em uma atmosfera vintage reforçada pelo visual P&B e pela presença de uma eletrola.

Trinta anos entre o punk rock e as câmeras: Carlos Gerbase debate música e cinema na UFPel

Carlos Gerbase, conhecido de longa data como cineasta e ex-integrante d´Os Replicantes, foi o convidado especial do Quartas no Lyceu, programa cultural da UFPel, nesta quarta-feira, 09. Ele e o representante da casa, Leandro Maia (professor do Bacharelado em Música e diretor da Rádio Federal FM) debateram “O Cinema e o Rock”, com a apresentação do professor Luís Rubira, além da presença entre o público do reitor Mauro Del Pino, que também é músico e integrante da banda Laquê.
Gerbase é jornalista desde antes da banda punk, e hoje professor da PUC (Tecnologia em Produção Audiovisual), com pós-doutorado em Cinema na França. Leandro conquistou o troféu Revelação do Prêmio gaúcho Açorianos de Música, com seu trabalho Palavreio, de 2008.

Leandro Maia e Luis Rubira

Leandro Maia e Luis Rubira

Leandro Maia e Luis Rubira[/caption]Em breve intervenção, Maia citou dois marcos históricos da representação do jovem na cultura recente: na sétima arte, Juventude Transviada (Rebel Without a Cause), e na literatura, O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the Rye).
Gerbase iniciou sua apresentação, acompanhada pela projeção de slides com tópicos. Ao fazer um relato histórico, foi buscar nos primórdios da história humana as primeiras manifestações relacionadas à música, associando-as inclusive ao surgimento dos mitos. O cineasta aproveitou a presença dos veteranos do metal pesado liderados por Ozzy Osbourne na capital gaúcha para lembrar que a performance de uma banda no palco não envolve apenas música, mas toda uma misce-en-scène que tem origens nas cerimônias pagãs como o Sabá. Também comparou popularidade das óperas em sua época à dos concertos de rock atuais, e em cujo auge surgia o cinema mudo.


Ao longo das explanações, foram projetados trechos de filmes: Gene Kelly dançando em Singing´ In The Rain (1952) e a seqüência com “Love Reign´Over Me” de Quadrophenia (1979), traçando paralelos entre as obras, notadamente a alegria esfusiante da primeira versus o fatalismo lapidado da segunda, que é baseada na ópera-rock do The Who – um dos tipos prediletos de filme do cineasta, assim como Jesus Cristo Superstar e Hair.


O diretor comentou as origens negras do gênero musical rock e sua popularização ao ser cantado pelo branco Elvis, e comentou filmes como o contracultural Sem Destino e Embalos de Sábado à Noite, que considera um bom drama.
Para finalizar sua fala, Gerbase exibiu passagem da animação American Pop (1981), que introduz a figura do anti-herói como protagonista.
Na parte interativa do debate, o replicante citaria ainda películas relacionadas ao rock como Trainspotting, 24 Hours Party-Time, Closer e Last Days, de Gus Van Sant.

Gerbase responde a estudantes de Cinema

Gerbase responde a estudantes de Cinema

A casa que projetou o RS
Alunos de Cinema da UFPel questionaram Gerbase sobre a Casa de Cinema de Porto Alegre, onde a atual professora do curso, Ivonete Pinto, participou junto com o diretor da realização de filmes como Verdes Anos. Um dos fundadores da Casa, o diretor recorda que na época (final dos anos 80), cineastas abriam suas pequenas produtoras de curtas, e resolveram formalizar algumas alianças naturais de modo praticamente cooperativo. A ideia começou a engrenar bem no arranque da era Collor, que chegou para desvastar toda a estrutura que havia para o cinema nacional, inclusive a Embrafilme. Apesar de todo o cenário adverso, Gerbase relata a façanha conquista pelo grupo na época: “a Casa produziu o curta Ilha das Flores sem dinheiro nenhum, e conseguiu se colocar no mapa do cinema brasileiro e de certo modo, mundial. Demos um tiro na lua e acertamos!”, avalia. Esse formato da Casa de POA perdurou até 1992, quando a entidade assumiu moldes mais próximos de uma empresa formal. Gerbase atribui a longa sobrevivência do projeto à proximidade com a TV, relatando que em sua filmografia teve experiências positivas inclusive com o núcleo Guel Arraes e Carlos Manga, da Rede Globo, como é o caso da minissérie Memorial de Maria Moura, adaptação dele e de Jorge Furtado para o romance de Rachel de Queiróz.
Os seriados atuais despertam em Gerbase interesse e a impressão de que de concentram o material de maior qualidade nos audivisuais da atualidade. Ele retoma a personificação do anti-herói ao citar Breaking Bad e Mad Men (EUA), onde respectivamente um professor com diagnóstico de câncer e publicitários manipuladores são protagnistas que fogem do estereótipo de bom moço, porém demonstram justificativas extremamente humanizadas para suas condutas.
Gerbase alerta aos estudantes que a nova lei de TV por assinatura pode ser uma oportunidade para se colocar uma séria na televisão – algo que também está tentando. E lembra que apesar de alguns cineastas que “vivem de editais” e captam recursos do governo ao invés de no mercado, ele próprio é exemplo de quem já fez cinema com orçamento baixíssimo, em distintos momentos. Seu cachê para realizar Ocidentes foi de R$ 2 mil. Já ofereceu diárias de apenas R$ 100 para atores, que no entanto, ao final das filmagens já manifestavam a vontade de voltar a trabalhar com o diretor de imediato. “O cinema gaúcho hoje tá num momento muito interessante por causa das faculdades”, opina o cineasta, que também enxerga perspectivas interessantes em distribuições não-convencionais, como o Netflix (serviço de filmes e séries por assinatura, recentemente premiado), You Tube e Vimeo. As possibilidades digitais parecem imensas para quem já trabalhou com projeção em lençóis e divulgação através da distribuição de filipetas nas ruas.

A banda nos primórdios com Gerbase nas baquetas

A banda nos primórdios com Gerbase nas baquetas

Pogação em dois atos
Onde quer que se apresente, Carlos Gerbase sempre será perseguido pela memória de andróides de Ridley Scott que certamente não lhe incomodam em nada. Há 11 anos afastado dos Replicantes, banda da qual fez parte desde a fundação, o cineasta foi notícia na ZH da quarta-feira exatamente por dois projetos comemorativos aos 30 anos de seu ex-grupo que já traz no nome uma referência cinematográfica – a personagens de um filme cult. Ele admite que “é muito difícil se afastar emocionalmente da música”, e tomou a iniciativa de reunir a formação atual dos Replicantes com os ex-integrantes para um grande show no Bar Opinião, no dia 09 de dezembro. Além disso, prestará outra homenagem à banda em apresentação no emblemático Bar Ocidente, dia 27 de outubro, onde vai cantar acompanhado de versões pré-gravadas para músicas replicantes que encomendou a músicos participantes de bandas gaúchas contemporâneas, como Fantomáticos, Bidê ou Balde, Graforréia Xilarmônica, De Falla, Dharma Lovers, Lautmusik e até os ex-Engenheiros do Hawaii da fase Tchau Radar, Luciano Granja e Lúcio Dorfmann.

Oci Logo

O ocidente de Gerbase
O Ocidente ou simplesmente “Oci”, meca do underground portoalegrense no início dos anos 80, é tema recorrente na caminhada de Gerbase, que avalia a longevidade do local como “um incrível caso de bar que deu certo”. De propriedade de seu amigo, o arquiteto Fiapo Barth, o Oci ambientou uma cena de seu filme Inverno, de 1982, que hoje representa um “registro antropológico e histórico” de como era aquele espaço na época. Pouco depois, foi o palco da estreia dos Replicantes. Agora, será homenageado ficcionalmente através da perspectiva de quatro diretores, dos quais Gerbase é o decano, em minissérie da TVE gaúcha idealizada pelo colega cineasta Fabiano de Souza, encarregado de um dos quatro episódios que dividem a obra em períodos históricos.

InSULarizando o Rock

[Show de Humberto Gessinger no Theatro Guarany, Pelotas, RS, 05.10.2013]

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Através da produção da X13 Produções e realização da Morphine Produções, Pelotas foi a terceira cidade gaúcha a receber o show da tour Insular, que lança o primeiro disco oficialmente solo de HG, dois dias após a estréia no Araújo Vianna, em POA. Como no disco, o formato da apresentação demonstra uma rejeição ao jogo já jogado até então na carreira artística e a busca por novas propostas musicais já praticada com o Pouca Vogal. Ao repetir a palavra “milonga” através de um vocoder no meio do espetáculo, Gessinger parece confessar a motivação que lhe acompanha desde que se sentia Longe Demais das Capitais, nos idos de 86: apresentar a influência da música regionalista gaúcha sob uma leitura pessoal e inusitada. Roqueira, a princípio, e progressiva, necessariamente (paixão confessa do artista).
O acordeão passa a ser um bom símbolo dessa apropriação, quando Gessinger o assume para executar melodias simples durante um set acústico com “Somos Quem Podemos Ser”, “Terra de Gigantes” e “De Fé”. O bumbo suspenso, tocado qual tambor por um Rafael Bisogno vestindo bombacha e botas, reforça a impressão. Já um Tavares bastante à vontade, assumindo lead vocal em vários momentos, é o encarregado dos solos que adicionam indispensável pegada roqueira à alquimia. A improvisação do guitarrista causa a melhor versão até então de “Tchau Radar, A Canção”, de sua autoria.

1berto e sua circunstância

1berto e sua circunstância

Além disso, todas as nuances passadas da discografia de HG se fazem presentes no palco, parecendo representadas em cada haste do logo (suástica) do novo trabalho, estampado em sua camiseta: “3X4” remete ao arranjo do acústico 2004 em versão light. A performance em “O Exército de Um Homem Só I/II” lembra a que poderia ter ocorrido na época d´O Papa é Pop. O bis com Gessinger solando na guitarra resgata o arquiteto sendo abortado pelo rock em pleno palco da UFRGS. Aliás, o show ocorre na cidade onde o baixista EngHaw daquela época, Marcelo Fagundes, hoje é um técnico-administrativo, distante dos holofotes do palco.
1berto também se consolida como o multiinstrumentista que nasceu no power trio G,L & M mas viu a luz definitivamente com os malabares do Pouca Vogal. Depois de “O Sonho é Popular” e “Ando Só”, assume o piano para “Piano Bar”, fechando uma trinca do álbum de 91 (faltou o “driver, follow that car”). Ainda nas teclas manda “Vida Real” e “Pra Ser Sincero”. Mais tarde, toma a guitarra para “O Exército…”, “Dom Quixote” e “Refrão de Bolero”. Maratona finda com a volta ao baixo em “Infinita Highway”.
E apesar de voltar para dois bis, Humberto não respondeu (ou não ouviu) ao rapaz que insistia em bradar de seu camarote: “qual é teu xampu ?”. Ora, qualquer fã sabe que é qualquer um que a Adriane comprar. Não tá na Caras, mas tá no Blogessinger.

Stage

Insular, um álbum de parcerias
Gessinger é, além de tudo, um grande estrategista. Ao convidar Luís Carlos Borges para gravar, não só enriqueceu o disco com solos não-reproduzíveis, mas legitimou sua proposta com muito mais verdade do que um registro de patente. Marcou com ferro em brasa de sua criatividade a cultura regional. Ainda aproveitou o momento vivido por Frank Solari – em que o virtuose tenta se popularizar, gravando single cantado pela Izmália e fazendo tributos ao Iron – para também captar para o Insular solos de outra iminência gaúcha, agora do rock. Reivindicou seu lugar no hall do que chamariam de MPG em parcerias com Bebeto Alves (que hoje ensaia uma volta do quarteto Juntos). E selou tudo com peculiar humor, em dueto com Nico Nicolaiewsky, como nos lembrando que não devemos levá-lo muito a sério – pois ele mesmo não se leva. Pensando bem, talvez as hastes da suástica do Insular sejam pontes para todos esses 10.001 destinos que a música de Gessinger pode assumir… ou talvez, os dragões sejam Moinhos de Vento.

Pontes para um dia em Pelotas
Na capital do doce, onde viria a descobrir que gosta de brigadeiro, antes da terceira noite consecutiva de shows percorrendo o Rio Grande, Gessinger se hospedou no hotel Jacques George Tower. À tarde, recebeu os fãs em sessão de autógrafos na Livraria Vanguarda do Shopping Pelotas, inaugurado há dois dias. Foi transportado por uma van da Tour.com.

Junto a Beth da Livraria Vanguarda, 1berto firma o livro de assinaturas da loja

Junto a Beth da Livraria Vanguarda, 1berto firma o livro de assinaturas da loja

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