Marcado: Alessandra Lehmen

Loud Music in a Noisy Night

Back to the Garage
A banda Lautmusik, radicada em Porto Alegre e uma das mais comemoradas do circuito independente, não interrompe os shows enquanto trabalha material novo em estúdio. Desta feita, retornou ao Garagem Hermética de seu début, no Festival Indie Hype. No show compacto, quatro das nove canções representavam a íntegra do EP a caminho: “Lost In The Tropics”, “Jellybean”, “Mai” e “Cloud 9”.

Black-leathered catwoman



Picos de entrega emocional no palco...

Picos de entrega emocional no palco...


...hipnose coletiva na platéia.

...hipnose coletiva na platéia.

Echo & Bunnymen Porto Alegre 2008 – Will Sergeant exclusiva

I) ECHO & THE BUNNYMEN RETURNS TO OPINIÃO – Tudo que você não leu em Zero Hora

Guitarrista do Echo & Bunnymen, no Beco, POA

Will Sergeant (direita) do Echo & Bunnymen, no Beco, POA

Na capital gaúcha, 22h. A atração é britânica, a pontualidade não. Mas o público que veio prestigiar Echo & The Bunnymen no mesmo Opinião da vinda anterior, parece saber:vai lotando a casa aos pouquinhos…

Escondo a câmera fotográfica, pois o ingresso diz que é proibida. Como se fosse possível, na era do celular tudo-em-um. Quantos infratores…
Adentro o recinto. No telão: Love Will Tear Us Apart, aquela que homenageio no Orkut. Obrigado pela recepção ! Estamos nos anos 80… antecipando o clima da festa do dia 12, logo vem Depeche, Cure (A Forest)…

A média etária do público, é a minha. Óbvio. Quem tem um pé nos 80, entende melhor a relevância desses coelhinhos… Comentei com várias amizades virtuais sobre o show e ignoravam o Echo. Pelo menos ninguém confundiu com Eco do Minuano & Bonitinho…
Para esses, foi mais interessante lotar os vários pubs da Cidade Baixa.

Como apresentar o Echo a quem pensa que o rock começou com Kurt Cobain ? Bem, esse grupo inglês é uma das cabeças da nova onda pós-punk dos anos 80. Seu som é típico da década, com letras cabeça, alto teor psicodélico. Fãs de Doors, Velvet Underground e Stones, resgataram um clima sessentista na busca de “uma aura de mistério e magia” em suas canções, com títulos como: “A Lua Fatal”, “Traga os Cavalos Dançantes”, e versos tipo: “assim como meu céu mais baixo, você conhece tão bem meu inferno mais elevado…”.
Do quarteto da formação clássica, o batera morreu e o baixista desertou.
Seu … álbum de estúdio está gravado, ainda sem produtor e deverá sair por selo independente. Como todos da época, gravam discos ao vivo freqüentemente com seus hits para sobreviver.
Estiveram no Gigantinho no auge, em 87, e após divórcio e reconciliação,  em 99, no mesmo Opinião, levaram Jimi Joe a cantar Lips Like Sugar deslumbradamente sob as câmeras do atento programa Folharada da Ipanema, e, na embriaguez lírica, desferir um ósculo no rosto de Ian…

Detalhes em:

http://www.zerozen.com.br/musica/echo.htm

TURN ON THE LIGHTS (A 3ª VINDA)
No palco, os roadies tiveram seus 15 minutos e muito mais para brincar com instrumentos… sob o telão, é claro.
Até que várias ovações do público depois, a cortina sobe…

Hora e meia de atraso, os atuais Bunnymen – Ian e Will de originais; mais quatro músicos – vieram atender as expectativas dos pagantes…

Talvez pela idade, a galera mais reverencia do que enlouquece na pista… Exceção, o cara na minha frente pula convulsivamente, mas normal para a ocasião, não faço caso das cabeçadas…

Rescue, Seven Seas, Bring On The Dancing Horses são alguns dos clássicos que dizem presente. Mais tarde, a seqüência fatal: Back of Love + The Killing Moon + The Cutter…

De meras citações – Walk On The Wild Side – a uma cover – People Are Strange, que eles fazem desde o filme The Lost Boys, chegamos a Lips Like Sugar, que a galera já exigia em coro num dos intervalos – foram dois bis.

ianMcCulloch não é gurizinho, mas nem quando era, saracoteava no palco. E não seria agora. Ele é um poeta. Sua voz está indo rumo a Bob Dylan. O negócio dele é óculos escuro, cigarro na mão, interatividade num inglês não muito compreensível…  invariavelmente de preto, parece vestir sobretudos e jaquetas até no calor…

As músicas novas são mais rústicas que psicodélicas. Não parecem destinadas a conquistar fãs entre os consumidores de novidades. Mas mantêm os atuais.

O repertório não é um Greatest Hits, inclui canções de tardio reconhecimento por parte de quem não consumiu a discografia completa.

Poderia o Echo mais idoso e desfalcado, trazer grandes surpresas em relação às vindas anteriores, e causar frisson maior que o concerto do Gigantinho ?
Improvável…
Alguém precisa disso ?
A oportunidade era clara:  estar a metros de ícones de do rock, ainda na ativa e executando seus clássicos ao vivo…
Assim sendo, o Echo não decepcionou. Se saiu muito bem para sua idade.

Aí, Opinião: agora pode trazer Morrissey (que perdi em 2000), Cure e New Order… nessa ordem. Bilheteria garantida.

II) DJ SERGEANT: PORTO ALEGRE VIRA LIVERPOOL

double fun

Teriam as manifestações do Echo em Porto Alegre concluído com a saída do palco do Opinião ? Não enquanto houvesse uma lua fatal no céu…
Sob novo endereço e cenário, um bunnymen está apenas começando sua performance; no Cabaret a R$ 10… Calma, explico: trata-se do Cabaret do Beco, ex-Voltaire [ http://www.beco203.com.br ], que teve o oportunismo saudável de botar Will Sergeant a discotecar sua pista, assim como ocorreu no centro do país, mas com a vantagem de estarmos em plena quinta-feira, quando ele sempre faz isso em solo britânico… Liverpool hoje é aqui. (ver entrevista a seguir)

Alguns passos recinto adentro e:
cara a cara com o homem, a lenda !

Contrariando a informação da portaria, de que ele não chegara… desinformação ? ou seleção de público ?

Um ícone do rock, naquela cabine dos DJs do beco, térrea, aberta e tão acessível aos presentes… que, longe de lotar a casa, volta e meia diziam algo nos ouvidos da celebridade, face ao volume generoso do som nas caixas.

Som ? Se minutos antes, na casa irmã, o Porão do Beco, quadras acima, verificava-se o Créu (credo?!) rolando, nós privilegiados do Cabaret, contávamos com a Friction inglesa entre nós… Sergeant não veio puxar nosso saco e tocar Jorge Benjor… ele fez exatamente o que faria em seu habitat.
O que vem à mente quando se imagina o playlist desse DJ ? Anos 80, né ? New wave, Blondie, B-52´s, etc. Não é óbvio ?
NÃO ! E ESTÁ TOTALMENTE ERRADO !!!
A banda de Sergeant decolou nos anos 80, mas ele já era nascido há um pedaço… e não se criou ouvindo Pride do U2. Ele se interessa por psicodelismo.
Então, o que temos no cardápio ?
Beatles pós-Sergeant Peppers…
Hello I Love You, claro…
Umas novidades lisérgicas que eu não conheço…
E mais… Bowie, Who, Kinks
E muito mais: funks clássicos (não o “funk” carioca, tá ?), reggae… DJ é para fazer dançar. Esse cara sabe seu papel.

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Will ficou horas ali, entre um e outro drinque, comandando a noite… solo; depois em dupla com uma das DJs escaladas, Alessandra Lehmen – vocal da banda Lautimusik, cuja musicalidade reverbera “ecos” do “zeitgeist” pós-punk  em que a gangue de Will tomou forma. clarissa lehmen

Alê, por fim, substituiu a contento ao DJ-coelho quando este foi socializar na pista…  nas pick-ups, pérolas como Just Like Heaven (Cure), Transmission (Joy Division) e Head On (J & M Chain).

III) UM BUNNYMEN, POR ELE MESMO – ENTREVISTA EXCLUSIVA COM WILL SERGEANT

Mais de 5 AM. Will incrementou gradativamente o teor alcoólico em sua circulação. Mas está tão acessível quanto antes, física e psicológicamente. Nem imagino quanto ele faturou pela discotecagem, mas tive impressão de humildade ao vê-lo ali, sem estrelismo… o que se confirmou durante “a few questions”.

Inicialmente, Sergeant explica suas aventuras como DJ, para os desavisados:
“tenho uma noite em Liverpool toda semana, na quinta-feira… (NOTA: é a festa Friction, no bar Korova) a noite de hoje, é minha noite de lá, aqui: a mesma coisa que toco lá: psicodélico, anos 60… “.
Agora sim, sobre sua banda: há uma fórmula para sobreviver dignamente quando tantos grupos de sua geração já desapareceram ? “não sei, é uma situação muito estranha… acho que é nossa recusa em morrer !”, ri o guitarrista. “pergunta difícil”.
Será que o Echo toca com o mesma vontade que no início da carreira ? “Nunca será como os primeiros anos. Éramos como uma pequena gangue… hoje somos eu e Ian, e pessoas vem tocar conosco…”, pondera. “É uma época diferente… outro século !”
E os Bunnymen necessitam se reinventar para o século 21 ? “Não ! Não jogamos esse jogo… apenas queremos ser uma boa banda e fazer nossas canções”. Will reconhece a influência de sua obra em artistas atuais: “sim, é para isso que fazemos nosso trabalho, queremos que gostem e digam: quero ser como vocês ! Comparam muitas bandas conosco, mas não se trata de copiar. Nunca fizemos isso, com o que ouvíamos, como Bowie… é que tudo é conectivo. Desde homens da caverna chutando ossos… há uma evolução”. E em sua própria evolução, a banda está construindo um novo álbum… “tocamos duas novas músicas no show em Porto Alegre: Forgotten Fields, e outra cujo nome não lembro… já trocamos centenas de vezes !” Como soam as composições recentes ? “Bunnymen típico ! Se bem que ainda não sei, pois depois de tê-las gravado, nunca as ouvi, só toquei ao vivo”. De acordo com Sergeant, o disco será lançado em 2009 e o produtor ainda não foi definido, entre dois nomes cotados. Apesar de manter uma “amizade especial e uma espécie de conexão” com o Brasil, o músico admite conhecer pouco rock brasileiro. “Sepultura é do Brasil, certo ? Gostamos dessa coisa heavy…”
Finalmente, uma pergunta que deveria ser dirigida a seu parceiro de banda: Ian costumava dizer em entrevistas que procurava escrever a música pop perfeita… e estava chegando perto. Será que ele ainda persegue esse objetivo ? “Provavelmente… não sei o que se passa pela cabeça dele… hahahaha”. Palavras de um homem-coelho.
A quinta-feira está encerrada.