Marcado: Atelier Coletivo

Odd: CD de estréia da Twin Cities registra em estúdio a energia dos shows

Capa do disco - por Léko Machado

Capa do disco - por Léko Machado

Show de lançamento ocorre sexta-feira no Atelier Coletivo

Enfim a Twin Cities lança seu primeiro álbum completo e em formato físico, Odd. Presente no underground gaúcho a banda já está há algum tempo. Em Porto Alegre, tocaram em importantes festivais alternativos (estarão no Indie Hype em 15 de outubro), e foram entrevistados em sites como o Qual é A Boa, espécie de agenda cultural. Além da qualidade de seu som, a Twin conquista espaços também pelo modo quase profissional com que se promove nos cybercanais como Myspace, Twitter, Facebook, LastFM, Orkut, e seu site oficial. Por ali foram lançados virtualmente: o EP “Five Days Off”, em 2009. O single “Better Of Us” – que entrou no hit parade da Pop Rock FM – e “How” (B-side), gravado em Porto Alegre com produção de Ray-Z (Jupiter Apple, RPM). Em seguida, veio o vídeo de “How” produzido pela Horizon Express no Clube Comercial. Não satisfeitos, acabam de disponibilizar outra inédita, em streaming, pelo blog Amplifica: “Worst Case Scenario”, expressão que alude a uma situação onde tudo que poderia, saiu errado – e que não se parece em nada com o momento vivido pela Twin.
O show de lançamento de Odd ocorre dia 10 de setembro no Atelier Coletivo. Na data, o novo single “Bones” e uma faixa bônus serão disponibilizados para download no site oficial. Haverá distribuição de 100 cópias de Odd no evento.
O vocalista Diego Maraschin cogita que em algumas semanas todas as 13 faixas de Odd poderão ser baixadas pelo site.
Ele comenta o conceito do álbum: “é mostrar a imagem da banda ao vivo. A escolha da capa, com os instrumentos ao meio dos destroços, é uma ´ode´ às nossas brincadeiras nos shows (que quem já conhece tem noção de quais brincadeiras são essas). A maioria das músicas foram selecionadas após vermos o que soa bem e o que funciona para nós, como banda, ao tocá-las ao vivo. O sentido de ´ao vivo´ foi levado tão á sério que as próprias sessões de gravações do instrumental foram feitas praticamente ao vivo pela banda, apenas acrescentando segundas guitarras e vocais depois. As referências ao gravar, as fotos e tudo mais no disco com os shows foram escolhidas porque, assim como muitas bandas, nesse momento é como soamos melhor, na nossa opinião”.
Assim como em Five Days Off, o título do álbum remete à própria banda: “Odd é um adjetivo que em português pode significar tanto ´estranho´, como ´ímpar´, ´ esquisito´, e lá vai pedradas de significados. Mas não que o som que a banda faz seja peculiar, mas apenas a uma referência de que ainda soa ´estranho´ o fato de estarmos separados e ainda poder fazer o que nos completa, fazendo assim da banda, para nós três, algo ´ímpar´na nossa vida. Pessoalmente, ainda me surpreende o fato de que quando se trata da banda, independente da distância, do pouco contato, cada vez mais a vontade de seguir fazer ´dar pé´ ainda nos move com mais vontade”, explica Diego, em relação ao fato de não morar em Bagé como os outros twins.



Fotos no Studio Digital: João Pedro

Quando a banda entrou no Studio Digital em janeiro, a intenção de registrar apenas duas demos: “O resultado ficou o que realmente queríamos, e assim marcamos as gravações seguintes para a realização do disco. O disco foi gravado em um dia, exceto por uma música, que voltamos a gravar na manhã seguinte. Já o processo de mixagem, masterização duraram quase uma eternidade. Como é um disco 100% independente produzido pela banda, a falta de dinheiro foi um dos enormes problemas que enfrentamos para que o disco fosse finalizado anteriormente”. Relacionando as novas canções ao EP anterior, a avaliação do vocalista é de que “a diferença é o simples fato é de que quando surgimos, não tínhamos nenhuma idéia do que iríamos fazer. As canções presentes no disco estão amadurecidas, e até o exato momento das gravações, tínhamos evoluído do ponto de partida, musicalmente falando. Na época que gravamos nosso primeiro EP, mais da metade das músicas que estão no disco já haviam sido compostas, mas nunca tocadas ao vivo o suficiente para aprendermos mais sobre elas. Outro fator interessante, é a sinceridade que levamos o conceito do disco e banda. As composições feitas são todas em inglês. E talvez sempre serão, porém o medo de que não fosse o bastante e não funcionasse, para mim, já não existem mais. O tipo de música, assim como o idioma, já são partes da banda, e do que sempre tivemos vontade de fazer”.
Diego não descarta um lançamento de Odd em Porto Alegre, entusiasmado com os contatos recentes na capital: “Os últimos shows que fizemos juntos com outras bandas do cenário ´alternativo´, como A Red So Deep, Lautmusik, Parkplatz, foram realmente bons. Temos em comum as letras em inglês (menos a Parkplatz, que é uma banda instrumental), o que me fez ver que não estávamos sozinhos ao redor e foi bem reconfortante, a referência ao ´alternativo´ dos anos 80 e 90 foi outra coisa que temos em comum – praticamente, nossos heróis são os mesmos! -, são pessoas realmente legais, não muito diferente das que conhecemos aqui em Bagé, e foram bem acolhedores conosco. Ainda tem mais um pessoal por lá, que tem bandas, que iria ser bem gratificante de tocarmos juntos, como Bad Honeys, Loomer, Electric Mind (que aliás, tem como integrantes a Riane e a Kika que antes tocavam comigo na Phosphurus e moravam também em Bagé) e etc, e que para um futuro próximo após o lançamento, torcemos para que tudo saia como esperado e aconteça”.

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A vocação headbanger do South Fest

Festival South Fest de bandas, Atelier Coletivo, 04.09.2010

Tanto o cast escalado como a recepção do público comprovaram que o festival South Fest, apesar de algumas variações, confirmou a tendência metálica dos eventos coletivos de rock mais recentes na cidade.
Os shows começaram por volta de 21h30, surpreendendo o provinciano hábito bajeense de sair para festas lá pelas 2h da manhã.

Lactário Ruivo

Amnésia

Três músicas autorais também foram tocadas em seguir pela Amnésia. Aqui começaram os covers da noite, partindo do metal e hard até uma seqüência que revisitou o grunge.

Formação
Diego Almeida (Frodo) – Vocal
Marco machado – Guitarra
Alberto Delabari – Baixo
Israel Lopes – Bateria

Repertório
Fundo de Aquário (instrumental) – Amnesia
N.I.B. – Black Sabbath
Fire and Water – Free
Saudade (instrumental) – Amnesia
Nutshell – Alice in Chains (participação especial: Allan Silveira – violão)
Bleed the Freak – Alice In Chains
The Stonewings – Amnesia

Wild Side

Heavy mas clássica, a Wild Side (Santa Maria), em mais da metade do show reverenciou Led Zeppelin, comprovando que canções como “Over The Hills and Far Away” permanecem as mesmas… Apesar de a vocalista Susie alegar problemas na garganta, a performance foi impecável.

Formação:
Susie Q – Voz
Pablo Iffarraguirre – Guitarra
Bruno Gomes – Baixo
Bruno Trindade – Bateria

Repertório:
Whole Lotta Love
Communication breakdown
Rock and Roll
Burn
I believe in a thing called love
The Song Remains The Same
Over The Hills And Far Away
Little Wing
18 and Life
Immigrant Song
Thunderstruck

Morphose

Formada em 1996, a Morphose apresentou o peso mais extremo da noite, com seqüências de duas covers para cada banda, exceto o Slayer que teve um bônus com uma reprodução de sua versão para o hino do filme Easy Rider.

Formação:
Antonio Munhoz – baixo, vocal
Gladimir Purper – guitarra
Andrei Cabral – Bateria

Repertório:
Sepultura: Arise, Territory
Metallica: Creeping Death, Motorbreath
Slayer: Seasons In The Abyss, Raining Blood
Motorhead: Ace Of Spades, No Class
Pantera: Mouth For War , 5 Minutes Alone (participação especial: Patrick Gomes – vocal)
Steppenwolf versão Slayer: Born To Be Wild

Outsiders

Finalmente, os anfitriões – organizadores do festival apresentarem um set ligeiramente modificado em relação à performance do show de semanas atrás no mesmo Atelier, continuando o peso da banda anterior mas com algo mais de melodia nos minuciosos solos do Diego.

Formação
Fabiano V. R. (laranja) – vocal
Bruno M. D. (porta) – bateria
Diego M. M. (monteblanco) – Guitarra
Luiz Mário M. (hilario) – baixo

Repertório
Metallica – for whom the bell tolls
Black Sabbath – Children of the Grave
Megadeth – Skeen o’ my teeh
Pantera – Mouth for War
Iron Maiden – Losfer Words
Metallica – Am I Evil
Metallica – Seek’n’destroy
Megadeth – holy wars
Pantera – Cowboys from Hell
Black Label Society – Losin’ your mind
Megadeth – A Tout le Monde
Black Label Society – Stillborn
Pantera – 5 Minutes Alone
Down – Stone in the Crow

Vibe bajeense conquista Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Atelier Coletivo, Bagé, em 26.08.2010

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

“Foi uma puta vibe ! Senti um clima de happening“. Assim avaliou Jupiter Apple o show que realizara pouco antes no Atelier Coletivo, em Bagé. O artista comemorou o fato de ter ficado bem próximo ao público, já que a peça que serve de palco é em mesmo nível e sem obstáculos aos admiradores que literalmente cercaram a banda. Com iluminação clara e cercado por quadros fauvistas de Carlo Andrei Rossal, Jupiter se deixou envolver por um mood de maior intimismo, parecendo exibir um olhar reflexivo enquanto cantava seus poemas.
Em relação ao show da véspera em Pelotas, em que o blog também esteve

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/

o setlist foi idêntico e o que variou mais foram os picos de êxtase do público – alcançados em Bagé com “A Marchinha Psicótica…” e a tradicional saideira “Um Lugar do Caralho”, extendida como uma vigorosa jam que serve de trilha para a saída de cena de Apple.
Antes de deixar a cidade Jupiter visualizou o cartaz promocional do show, de autoria de Rodrigo Sarasol, e debateu com Carlo Andrei as influências artísticas no leiaute, entre Warhol e Matisse.

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

PRÉ-SHOW
A van com a banda chegou à tarde e à noite foi degustado um churrasco no Atelier. A imprensa local se mobilizou. Pelo Rota 20, Ricardo Belleza, fã confesso de Jupiter, soube entrevistar com conhecimento de causa uma de suas maiores inspirações como roqueiro. Os jornais Minuano e Folha do Sul também interagiram com o artista – o editor do primeiro, Glaube Pereira, capturou registros fotográficos da frente do palco. Mais tarde conversou com Jupiter, que comemorou ao ser informado que todos os repórteres presentes haviam passado pelas disciplinas ministradas por Glaube no curso de Jornalismo da Urcamp.

Confira algumas matérias motivadas pela presença de Jupiter na cidade:
http://covilsitiado.blogspot.com/2010/08/festa-dos-bichos.html

http://onavegador.wordpress.com

http://twitpic.com/2gkdmy

http://twitpic.com/2gkf5r

(entrevista ao Minuano)

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p+2&n=4327

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Semana Jupiter Apple – megaentrevista exclusiva

Decretada a Semana Jupiter Apple no blog, às vésperas de apresentações na região – Pelotas na quarta-feira e Bagé na quinta. Ao ser entrevistado, o artista considerou “uma terapia” falar de seu trabalho durante uma hora na Sala de Reuniões do Hotel Manta, em Pelotas.

Em suas respostas…
Avalia o fato de ser considerado um gênio.
Detalha seu processo de criação que concebe “produtos” artísticos cada vez mais pensados de modo “plástico” que integra som, imagem, cinema, design.
Revela vários planos e desejos, como:
>>relançar seus discos, que fisicamente estão fora de catálogo
>>aumentar a visibilidade de sua obra pelo publico, para o que faria sem problemas programas como Faustão e Gugu
>>conquistar sucesso internacional, a exemplo da “Marchinha Psicótica” na Inglaterra
>>concluir seu segundo filme como cineasta
>>atuar sob a batuta de um grande diretor
>>ter sua canção Lovely Riverside como trilha de Piratas do Caribe
>>ter o álbum Hisscivlization encenado em teatro
E também esclarece que…
>>Jupiter Apple não é alter ego ou personagem, é uma assinatura
>>Não se considera roqueiro
>>Nunca mais tocou com Charles Máster
E ainda comenta trechos de algumas letras: erotismo, novas civilizações, Beatles
Apesar de viver cada vez mais sua arte, Jupiter também protagoniza situações de pessoas comuns; e vive a superação da fase “etílica” vivenciada há cerca de dois anos.

Leia a entrevista na íntegra:
https://marcelofialho.wordpress.com/jupiterapple/

Fim-de-semana rock em Bagé

Minifestival Rock Coletivo, Atelier Coletivo, 07.08.2010

O rock voltou a sacudir as estruturas do Atelier na noite de sábado, com a performance de quatro bandas locais, nesta ordem: Plasma Rock, Twin Cities, Outsiders e Black Box.

Foto ilustrativa roubada do orkut da banda

Atelier anuncia Espaço de Verão com show 3 em 1

Atelier Coletivo prepara o lançamento de seu Espaço de Verão com reunião inédita de três artistas consagrados localmente

Na sexta, 23 de outubro, o Atelier Coletivo ofereceu um espetáculo com algumas inovações que foram um ensaio para a inauguração de seu Espaço de Verão, prevista para daqui a duas semanas. Uma reforma ampliará a capacidade de público do prédio, que terá ainda abertura de seu pátio para eventos de quarta a sexta, incluindo happy hour com início mais cedo que o praticado pelos festeiros bageenses.
O proprietário do Atelier, Carlo Andrei Rossal, motivou-se após avaliar as tendências do entretenimento noturno local e perceber apropriações de propostas diferenciadas, praticadas pelo Atelier desde sua origem, inclusive na escolha dos artistas a se apresentar na cidade. Rossal teve mais certeza de que o caminho é uma polarização cada vez maior das opções, na qual a casa que dirige deve se afirmar como um local cult.
A partir da abertura com show do Soul da Silva, o Espaço de Verão deverá oferecer sempre interações multiculturais, com artes plásticas, grafitagem, exposições fotográficas… Com efeito, nesta data já se presenciou um fato do tipo que “só se vê no Atelier”: paralelamente aos shows, o desenhista Theo Gomes tomou uma mesa e com gestos bruscos, comparados por alguém com os de uma psicografia, começou a esboçar imagens a lápis, com seu estilo característico baseado em achura.

Show três-em-um: Belleza, Schneider e Pavão (+ auxílio luxuoso…)

O ambiente de liberdade artística e parceria previsto como uma marca para o Atelier de Verão já se fez sentir no show da sexta-feira.
Uma reunião inédita entre três músicos com história em Bagé, e convidados especiais, na qual cada um tinha seu set mas era livre o intercâmbio entre todos, no palco. Ricardo Belleza, Roger Schneider e Luciano Pavão, respectivamente, modificaram o playlist de seus shows habituais para o formato do evento: acústico plugado, sem bateria mas com a percussão de um cajón (instrumento de origem flamenca).

leko

Eu com Belleza e Alessandro - clicados por LÉKO MACHADO

Belleza demonstrou algumas concepções mais artísticas de sua produção-solo: “Flamenco Western” (oportuna para a percussão latina) e “Anjo da Fronteira” (letra longa inspirada em Gildo de Freitas, e associada à produção de um curta-metragem), momento em que o cantor arriscou-se na harmônica. Do repertório de sua banda Marvin (atualmente em stand-by), inseriu apenas as covers finais, como “One” do U2 e “A Hard Day´s Night”, com a presença do guitarrista da banda, Alessandro Ribeiro. A B. K. Jones, banda de maior projeção radiofônica de Belleza, foi representada com o hit “Você Não Vai Se Arrepender”. Também resgatou clássicos de raiz como “Bad Moon Rising” e “Runaway” (Dell Shannon). Já nesse momento inicial houve a primeira das convocações do baterista Cássio Neves para o cajón.

rogerRoger também foi estratégico na disposição das canções: em um primeiro momento, investiu ainda mais no clima intimista sugerido pelo formato voz e violão (“Palco”, “Com Que Roupa”), para em seguida, proporcionar um crescendo de adrenalina que culminou sintomaticamente com “Rock And Roll”. Nesse ínterim, clássicos oitentistas como “Roxanne”, “Everybody Who Wants To Rule The World”, “Logical Song”, “Careless Whispers”, além de “Wish You Were Here”, “Smooth Operator” e “Candy”. A maioria das canções ganhou releituras bastante funcionais com ênfase na harmonia das cordas.

pavao

Pavão, atração da recente Feira do Livro local, soube ser eclético como os parceiros: acenou ao Mercosul musical com “Circo Beat”, lembrou Raul com “Tu És o MDC…”. Se o artista anterior homenageara Nei Lisboa, aqui o tributo é a Vitor Ramil, com “Jokin”. As parcerias causaram os pontos altos: primeiro, convite sui generis aceito por Carlo Andrei para assumir o cajón em “Odara”, revelando mais um talento do artista multimídia (risos). Logo, Pavão retribuiu a participação no set de Belleza, chamando Ricardo para “Johnny B. Good”, agora com Pastelzinho batucando. Com essa parceria, tudo voltou ao início, e foi também o fim – do show “oficial” com o trio, uma vez que Pastel filho permaneceu, agora ao violão, para acompanhar o soul sexy de Cibele Martinez, em mais um número imprevisto de uma noite cultural no Atelier…

Izmália em Bagé: dose dupla

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Bagé viveu cenas atípicas no sábado, 08. Dose dupla na área cultural: a mesma dobradinha de bandas, apresentando diferentes performances para dois ambientes distintos. A atração visitante, Izmália, contou com a Marvin local para a abertura dos trabalhos.
O primeiro ato teve como palco o Instituto Municipal de Belas Artes, no início da noite. Com entrada franca, dentro de uma ação itinerante da Fundação Ecarta, que visita vários municípios gaúchos e incluiu Bagé numa seqüência de shows ao longo do ano, a van com o quarteto de músicos e representantes do projeto cultural aportava na avenida Sete… enquanto, no interior da casa, o palco normalmente utilizado para apresentações de alunos de musicalização, era tomado pela Marvin. Neste ambiente algo sóbrio, e repleto de instrumentos como três baterias e um piano coberto, a formação era completa e elétrica, porém o show, pocket e autoral – após duas covers para aquecer, apresentaram suas quatro composições de trabalho, com as quais devem desembarcar em um estúdio da capital gaúcha até o fim do ano. Em sua atual temporada, com shows mais constantes, o quarteto a cada oportunidade demonstra-se mais à vontade no palco e entrosado.
Minutos depois, a simplicidade do palco (cuja única “produção” era o cartaz da Ecarta ao fundo) sofreu leve alteração, com o aparecimento dos bancos onde o trio de frente da Izmália se instalou (devidamente suportados pelo batera Rafinha Carneiro, integrado à família há cerca de seis meses), denunciando o clima do show: intimista, como pedia a ocasião, mas nada de voz e violão: Izmália tem (literalmente) soul… e, claro, muito rock and roll !
Com a platéia ganha de cara, pela simpatia em interagir, e por não economizar nas covers, alternariam entre visceralização (com os arranjos) de standards da MPB imortalizados por Elis (“Como Os Nossos Pais”) e Vinícius; e reverência a compositores da nova leva, como Marcelo Camelo – já na abertura, com “O Vento”, e mais tarde “Sentimental”, sugestão do guitar man Marcelo. A verve jopliniana da cantora não tardou a ressaltar, com “Easy” dos Commodores, coverizada antes pelo Faith No More; e na seqüência Amy Winehouse “Back to Black”, que, assim como “All My Loving” dos Beatles teria bis no show “rock” mais tarde.
Mesmo entre tantos clássicos, as composições próprias intercaladas obtiveram reação positiva. Extraídas do álbum “Quase Não Dói”, de 2007, a faixa-título, “Além do Que Se Pode Alcançar”, “O Beijo Que Não Tem Saída”, etc. tem um potencial que torna sua ausência sentida no playlist negociado das FMs. Em tempos de superficialidade estética sem conteúdo, nada como artistas cuja entrega emociona… Izmália hoje é uma banda, não se trata da estrela com músicos de apoio. O nome foi mantido pelas premiações conquistadas. A cantora inclusive tirou de circulação seu blogue, que para ela “estava com um perfil muito pessoal, e falando principalmente de futebol”, prometendo que vai reativá-lo após uma reformulação.
Horas mais tarde, Atelier Coletivo – a versão com acréscimo de peso do espetáculo. Agora todos em pé, e com cervejas disponíveis no local.

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A Marvin demonstrou uma variação do repertório que já vem apresentando, rearranjado de modo a tornar ainda mais empolgante a celebração do rock… algumas influências coincidentes com as da Izmália ficaram evidentes ao serem coverizadas pelas duas bandas da noite, como: AC/DC, Ramones, Beatles… assim que tomou o palco, (por volta de 2h30 AM) a banda portoalegrense mostrou que não estava para amenidades: a segunda música já foi “Suck My Kiss”, petardo do Red Hot em sua era mais funkeada e que não pareceu incomodar muito ao baixista Sandro em emular com competência um Flea. “Vamos fazendo uma própria e um tributo”, informava a cantora, entregando a fórmula que manteve o pique da festa… entre o atendimento a pedidos como “Monogamia”, e Beatles again; essa foi a tônica que trouxe, entre as canções próprias, as certeiras “Jailbreak”, “I Wanna Be Sedated”, “Breakdown” dos Foo Fighters… até a orgiástica seqüência final só de covers, com Kinks, Steppenwolf, Muse (apontada como uma preferência da banda, que eu assino embaixo) e Led Zep… sempre com uma performática frontwoman, demonstrando que seu comentado ecletismo jamais podou sua veia roqueira escolada em Janis, Patti Smith, Amy… celebração consumada, a cantora saiu à francesa sem poder concretizar o combinado – tomarmos umas no Atelier, em vista de uma indisposição orgânica anterior inclusive ao segundo show, contratempo que sequer transpareceu durante a atuação da banda, dado o profissionalismo da equipe.

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