Marcado: Beco 203

Vermelho e quente, muito quente… (RHCP no Porão)

Quebrando a suspensão do blog para um singelo registro de fato que merece. Voltando da reggaeira Joaca, nada como uma escala em praias mais rocker como o Porão do Beco. Quem foi ao Living Colour e ao Faith No More tinha muito para estar lá: tributo ao Red Hot Chilli Peppers tocando na íntegra o famigerado álbum bloodsugarsexmagik. A cargo do Império da Lã, banda composta só por bambas locais como Carlinhos Carneiro da Bidê, Guri Assis Brasil (Pública, uma de minhas favoritas da atualidade), Pedro Petracco (Cartolas), etcétera etcétera… Do repertório, pouco a dizer: o disco, na ordem. Aquela obra que, assim como o Angel Dust, do FNM, marcou meus 90´s. Rock funkeado psicodélico escolado em George Clinton, com adição de mais Hendrix e Page. Ou seja, se você nunca ouviu, dá pra dançar igual, até se acabar. Em cima do palco, a rotatividade de elementos dinamizou vocais e tudo o mais, transmitindo realmente a impressão do que Carlinhos confirmou: os músicos estavam se divertindo ainda mais que a platéia, a qual não fez por menos e pulou deveras ante a vibe de uma jam – profissional, já que muito ensaiada. Afinal, emular um Flea, por exemplo, exige muque e treino. Foi a senha pra suar muito. Após a última faixa, a festa continuaria, já bastante esvaziada, com a DJ que prestou o serviço de incluir alguns rocks como “Needles and Pins” e “Killing An Arab”. A próxima “junção” da Império com essa proposta de álbuns clássicos homenageia Ok Computer do Radiohead. Por hora, oportuna a saudação aos pimentinhas, que acabam de amargar a baixa de John Frusciante depois de tanto tempo. Para quem não sabe, bloodsugar…, o disco, de 91, ganhou toda uma aura mítica quando a locação das gravações foi um castelo antes habitado por Aleister Crowley, renomado bruxo que preconizava a magia sexual do título e que, segundo Raul Seixas, é a própria besta 666 do Apocalipse. Parece mesmo obra de magia um álbum que reúna baladas como “I Could Have Lied” e a massificada “Under The Bridge” com pauladas como “Give It Away” e “Suck My Kiss”.
Era isso… tonight, London is Calling… maybe.

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Gig Rock 2009 "fura" aniver da Ipanema FM

[Festival Gig Rock VII, Casa do Gaúcho, Porto Alegre, 07.11.2009]

São Pedro não é do rock. Única conclusão possível para justificar que a chuva conspirasse contra um evento bacana como o 7º Gig Rock, caindo de modo torrencial e ininterrupto. Claro que a galera de fé não se constrangeu. Assim como na noite da véspera, havia fila frente aos rocker points como Garagem, Cabaret, e Porão do Beco, neste sábado houve quem fizesse questão de ir à Casa do Gaúcho para uma oportunidade ímpar. Entre os antenados, Atílio Macondo, dono da casa noturna mais alternativa de Santa Maria, que leva seu sobrenome. O ambiente tinha bancas em toda a volta, vários brechós, bar, área vip superior…
Esse ano o Gig “furou” o aniver da Ipanema, ocorrendo uma semana antes e reunindo um elenco que dificilmente será ultrapassado pela festa da concorrente (a qual em 2008 atingiu um nível de excelência insuperável até para si mesma). Cedeu espaço a bandas gaúchas emergentes e consolidadas, nomes do mercosul, e atrações nacionais de peso. Um dos responsáveis por isso é o meu xará Marcelo Ferla, diretor artístico da novíssima Oi FM, patrocinadora do evento, que foi produzido pelo Beco.
Os olhares, claro, estavam voltados para o palco, que chegou a ter três baterias que a cada set eram alternadas, como os demais instrumentos, em suportes móveis, face à rotatividade de artistas.
Por motivos de força maior perdi vários shows. Comecei pela metade dos WALVERDES, cujo peso estava agradando. O duo eletrorock FENX é legal, tem potencial radiofônico até, e incrementou o show com participação da Adriana Deffenti (que, aliás, estava um mulherão hoje). Talvez não fosse o que os mais radicais queriam ouvir, mas representaram bem a diversificação do cast.
Os uruguaios do DANTE INFERNO tem um som extremamente soturno e pouco festeiro, além de influências dylanescas. Também tiveram um set bastante curto, em pouca sintonia com a pegada que se queria.
Vibe não faltou na atração seguinte: TONHO CROCCO, grata surpresa, para mim que não dispenso nenhuma atenção especial a seu trabalho. A banda profi recrutada, com destaque para o batera, levou o público a um dos picos de empolgação. Mesmo cada vez mais longe da estética do rock, Crocco define o estilo como essa diversidade que abrange R&B, funk, reggae… Encerrou com “Dívida” e uma versão mais “orgânica” de “Peleia”, muito legal…
Logo em seguida, (após a passagem de som mais detalhista e demorada da noite) talvez o segundo vulto do gig7: o docinho de côco MALLU MAGALHÃES, anunciada pela presidente do fã-clube local. Ao vivo, aquele jeitinho tímido dela não me pareceu ensaiado. A menor de idade é tratada como um bibelô, até pelos roadies que lhe trazem e colocam cada dos vários instrumentos a tempo e a hora. Prodigiosa, já chegou botando a boca na harmônica, e ainda tocaria violão, escaleta, banjo, pratos de bateria. O que ela faz não é rock, são canções countryficadas, em um estilo que tem mercado mais segmentado nos EUA. Teve um blues, mas a parte mais rock do show foi após a segunda metade, com a surpresa anunciada: Camelo foi chamado ao palco, e puxou umas músicas com guitarra mais visceral, como “Além Do Que Se Vê”… o casal dançou colado na saideira. Além do modelo de vestido, Malluzinha tem muito mais em similar com a Fernanda Takai: ambas poderiam concorrer ao título de cantora fofura do pop Brasil.
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Após o Pato Fu, a GRAFORRÉIA deve ter sido vista atentamente pelos mineiros que volta e meia gravam alguma composição do Frank. Os xilarmônicos reprisaram “Eu” à sua maneira, além de “Nunca Diga”. E também “Amigo Punk”, outro hino que nunca ouvira ao vivo com o autor, e “Bagaceiro Chinelão”. O que mais chama atenção nos caras é a ausência de estrelismo.
Outras atrações que merecem menção honrosa foram BIDÊ OU BALDE e TENENTE CASCAVEL, cujos shows não pude ficar para curtir.

O show que Pato Fu deu

[show na Casa do Gaúcho, Porto Alegre-RS, dentro do Festival Gig Rock, 07.11.2009]

Sem disco novo pra divulgar, o Pato Fu visitou toda a discografia exceto o primeiro álbum – mas o psicodelismo mais experimental daquela fase foi lembrado, já na sua transição para moldes mais melódicos, com a pérola de “Gol de Quem?”: “Mamãe Ama É Meu Revólver”, que segundo Fernanda, embora não tocassem há tempos, o público de Porto Alegre curte. “Made In Japan” foi outra inclusão nem tão óbvia.
A vocalista já chegou no palco declarando saudade em nome do quinteto, pois ela recentemente visitara os gaúchos com seu show solo. Emendaram “Amendoim”, uma referência à paternidade experimentada pelo casal John/Sra. Takai. Entre o setlist, que priorizou as baladas e hits, algumas performances especiais, como em
“Uh uh uh La La La”, em que instigaram à “liberação através da dança de qualquer jeito”, enquanto faziam o mesmo no palco. E a caracterização da cantora para “Capetão”, com efeito gutural na voz e trance nas luzes.
Fora isso, o Pato Fu que se conhece, o carisma baseado na simplicidade de Fernandinha, através de “Ando Meio Desligado”, “Perdendo Dentes”, “Eu”, “Nada Original”, “Anormal”, “Tudo Vai Ficar Bem”, “Depois”, “Canção Pra Você Viver Mais”… e algumas outras… em um show que poderia ser maior pela vontade dos músicos, que esclareceram estarem abreviando por tratar-se de um festival, com várias bandas por tocar – incluindo a Graforréia de quem já gravaram algumas canções, e cujo show em seguida queriam ver. Além do mais, o show começou com horas de atraso em relação ao previsto.