Marcado: DJ Murilo Dotto

Entrevista: “Se eu fosse depender das grandes estruturas não teria uma semana de vida” (Gessinger)

Ao ser entrevistado em Bagé, Humberto Gessinger avaliou o fato de o Pouca Vogal ter sido trazido pela mobilização dos fãs na internet. “Cara, isso sempre aconteceu muito com Engenheiros, a coisa de transbordar e cair na rua. Eu me lembro que uma vez eu dei uma entrevista, tinha saído numa revista uma livrinho com todos fã-clubes do Brasil e não tinha nenhum do Engenheiros. Achei bacana e falei pro Carlos (Maltz) e a gente falou numa entrevista. No dia seguinte a gente era a banda com o maior fã-clube ! Porque parece que as pessoas querem fazer o contrário do que tá acontecendo… Já senti ali que Engenheiros é uma coisa de rua. Antes da internet, a coisa dos fanzines, dos mimiografados, tinha muito, e foi o que segurou a minha onda, porque se eu fosse depender das grandes estruturas eu não teria uma semana de vida. Ao mesmo tempo que eu sou muito grato a isso eu não conheço outro mundo, talvez eu nem saiba avaliar o quanto importante isso é, porque pra mim desde sempre foi assim, ligação direta”.
Ele adianta que o Pouca Vogal não tem data prevista para acabar: “Do ponto de vista estético ele é inesgotável, porque a gente pode passar uma vida não só compondo, como relendo o que já escreveu, porque o projeto joga luzes diferentes sobre. Tem outros fatores girando em torno dum lance desses que não só os estéticos. Mas espero que o tempo que durar seja com intensidade total”.
Na parceria, o processo de criação “pinta de várias formas. Cada um faz a sua parte sozinho, seja música ou letra. Aconteceu casualmente, não foi algo que a gente tivesse se imposto. Muito da composição se passa na parte de trás do cérebro e tu nem sabe o que tá escrevendo, e uma hora cristaliza. Não faz muita diferença se a composição é para o Pouca Vogal ou não. A questão é mais do arranjo que da composição – pra que formato a gente vai fazer ?”, detalha HG.
Como escritor, Humberto tem pronto o sucessor de Pra Ser Sincero (2009, Belas Letras), com título a ser definido pelos fãs: “O PSS é um zoom in, é alguém contando 1, 2, 3, 4, 5. E esse novo é 1,1 e 1,2 e 1,3, quer dizer, ele tá chegando mais próximo. Não sei se vai ser melhor ou pior, mas vai ter essa diferença”, compara.

Os vários talentos de Duca Leindecker

Dez anos antes de Gessinger se autobiografar, Duca lançava “A Casa da Esquina”, e em 2002, “A Favor do Vento”, ambos os romances pela L & PM. A faceta escritor é uma das muitas do multimidiático artista.

Também produziu várias bandas gaúchas em seu estúdio próprio, o Submarino Amarelo, em Porto Alegre, onde recentemente o Nenhum de Nós gravou seu novo álbum, Contos de Água e Fogo. Leindecker ainda produz curta-metragens como “Chá de Frutas Vermelhas”, atualmente em exibição no Canal Brasil, da Globo, e que entrou nos Curtas Gaúchos da RBS em 2009.
Sua esposa Ingra Liberato, protagonista principal de Ana Raio e Zé Trovão, voltou às telas da tevê aberta em 2010 com a reprise da novela.
Em Bagé, DL revelou estar trabalhando um terceiro romance e ter um novo curta já escrito, ambos os projetos inacabados, respectivamente, por insatisfação com o texto, e por falta de recursos.

2. SEGUINDO GESSINGER E LEINDECKER

Como foi o dia do Pouca Vogal em Bagé: entrevistas, autógrafos, televisão e outros pormenores

Ok, confesso. Venho seguindo Humberto Gessinger e Duca Leindecker há algum tempo. E mais, tem dezenas de milhares fazendo o mesmo. No ambiente onde isso acontece, eles se apresentam como @1bertogessinger e @ducaleindecker. Welcome to Twitter.

Foto: Murilo Dotto

Foto: Murilo Dotto

Pelo microblog é que foi possível antecipar nas primeiras horas da segunda-feira que os dois sairiam em ônibus de POA por volta de 2 hs com chegada prevista para as 7 hs. E de fato, no início da manhã Humberto já tuitava fotos do Clube Comercial. Naquele momento, o madrugador @murilodotto (dottoblog.blogspot.com), que chegava para apresentar o Conexão Pop Rock na FM 98.1, capturou seu encontro com o músico.

Ao meio-dia, HG e DL encerraram bloco do Jornal do Almoço local. Responderam ao repórter Chrystian Ribeiro sobre sucesso, excursões pelo Brasil, interação com o público, improviso no palco e o papel de multiinstrumentistas que assumem. E em seguida tocaram “Depois da Curva”, cuja letra fala em deixar passar a ventania – que de fato marcava Bagé desde a véspera.

A íntegra do papo em vídeo pode ser conferida no site da RBS TV Bagé, atualizado por Patrick Corrêa:
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=147392&channel=45

Retomando a perseguição: fui ao Yázigi porque sabia pela internet que o PV estaria lá. Me antecipei mas encontrei uma fila de fãs. Depois de um hiato, a esperada dupla chegou distribuindo “autógrafos e sorrisos” como Gessinger anunciou ao microfone, e protagonizando, entre tantas, as cenas a seguir.

A diretora do Yázigi Internexus, Maria do Carmo Machado, foi oportuna em explicar a promoção “Band Me Up”, que oportuniza espaço a novas bandas em busca de projeção. Aqui, ela e parte da equipe recepcionam aos músicos.
>>Confira: http://www.bandmeup.com.br/

Entre os fãs mobilizados pela presença do PV, vários músicos (alguns portando instrumentos para que fossem autografados) como é o caso da galera da banda Plasma Rock, na foto. (ao fundo, Leko Machado)

Também trabalharam por ali os enviados dos veículos de comunicação locais, como o Jornal Folha do Sul, representado por Fernanda Couto e Antônio Rocha. Mesmo caso do Rota 20 – na foto, Graciela Freitas grava seu take…

Também Diélen e Marta da Pop Rock FM, que transmitiram ao vivo…

Mas entre os repórteres, provavelmente o coração que bateu mais forte no dia foi o da Niela Bittencourt, do Jornal Minuano. Fã confessa de EngHaw e PcVgl e militante da vinda do segundo, trabalhou na cobertura acompanhada do namorado (e repórter fotográfico) João. Emocionada na presença de Humberto e Duca, lhes revelou que, se vier a ter um casal de filhos, serão chamados Ana e Luciano, em homenagem aos integrantes do PV.

Incidentalmente à esquerda, o autor destas maltraçadas, flagrado pelo mago da fotografia, Leko Machado.

Foto: Leko Machado

Foto: Leko Machado

Falando no Leko, retribuo a aparição – olha ele à esquerda, neste momento tiete da formanda em Comunicação Buca Netto, que compartilha com 1berto a paixão pelo tricolor. À direita, o mascote Humbertinho.

Na verdade o Humbertinho e o Duquinha foram criações artesanais das irmãs Jenifer e Queli.

3. A LONGA HIGHWAY SP-BAGÉ

Fãs unidos pelo PcVgl: Chinelatto (esq.) veio de São Paulo para o show viabilizado por um movimento virtual encabeçado por Leandro Souza (dir.)

A devoção em torno de um artista é também origem de grandes amizades. Foi assim com José Luís Chinelatto, que voou de São Paulo, capital, em sua primeira vinda a Bagé, para o Dia do Pouca Vogal. Desde que se identificou com as canções do álbum Minuano na rádio, em 1997, passou a acompanhar fãs do Sul, onde já veio seis vezes, em cidades como Caxias, Bento, e inclusive na gravação do DVD de 2009 do PV, na capital. Os gaúchos retribuiram as visitas, por exemplo, na gravação de Novos Horizontes, dos Engenheiros, em 2007, e na turnê subsequente. Técnico em Óptica e proprietário de uma casa do ramo, Chinelatto auto-financia suas viagens, pesquisando na internet as passagens mais em conta.

Gessinger e a cultura gaúcha: material exclusivo onde HG avalia a influência da música regionalista no rock gaúcho e em sua obra.
https://marcelofialho.wordpress.com/2008/09/08/gessinger/

Sobre o Pouca Vogal (artigo opinativo em versão original do que saiu editado no Blog da RBS)
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/10/27/pvrbs/

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/11/02/pv/

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On The Rocks Band

De Beatles para Beatles: a banda On The Rocks, uma das costumeiras atrações do Sergeant Peppers pub portoalegrense, aterrissou no Abbey Road local no sábado, 04. No entanto, o quarteto de Liverpool teve presença escassa  na lista do show; ao contrário do U2, que ganhou set exclusivo dedicado ao fã (e DJ residente da casa) Murilo Dotto. Nesta hora, fez sentido o telão que exibe os irlandeses ininterruptamente.

A postura da OTR lembra os Youngles, outra atração oficial de pub da capital. Um grupo profi, cujo negócio é animar e agradar. O vocalista interage com o público, incita coro, agradece aos promotores da vinda. Composto por 3/5 de coroas, tem estrada. Não trabalham com composições, exceto em projetos paralelos.
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No palco, funcionam. O baixo de cinco cordas é o instrumento que mais serve a amostras de virtuose, com uns slappings fora do script. Nas baquetas, Darcy acrescenta passagens marciais ausentes nas canções originais. Falcão, guitar player, usa discretamente a pedaleira e se permite alguns improvisos. O cantor Sílvio toca sempre um violão que na maior parte do repertório fica sobrando, mas é sua ocupação nos momentos em que o tecladista assume o microfone.

Assim, a viagem começa nos anos 80 (REM, Tears For Fears), passando por progressivo (Supertramp) e o clima vai suingando até chegarem “The Sultains Of Swing”. Próximo de uma hora de show, momento pop para descontrair, com Lulu Santos, Kid Abelha, Nando Reis versão Jota Quest (“o amor pode estar do seu lado”, quase acreditei).

Depois, passando pelo reggae de Marley, volta-se ao rock, com clichês que todos curtem como “Crazy Little Thing Called Love” e “Another Brick In The Wall”, até finalmente, o ápice da empolgação do público, o namoro com o metal em “Smoke On The Water”, “Jump” e “Sweet Child O´Mine”.