Marcado: Gig Rock

Gig Rock 2009 "fura" aniver da Ipanema FM

[Festival Gig Rock VII, Casa do Gaúcho, Porto Alegre, 07.11.2009]

São Pedro não é do rock. Única conclusão possível para justificar que a chuva conspirasse contra um evento bacana como o 7º Gig Rock, caindo de modo torrencial e ininterrupto. Claro que a galera de fé não se constrangeu. Assim como na noite da véspera, havia fila frente aos rocker points como Garagem, Cabaret, e Porão do Beco, neste sábado houve quem fizesse questão de ir à Casa do Gaúcho para uma oportunidade ímpar. Entre os antenados, Atílio Macondo, dono da casa noturna mais alternativa de Santa Maria, que leva seu sobrenome. O ambiente tinha bancas em toda a volta, vários brechós, bar, área vip superior…
Esse ano o Gig “furou” o aniver da Ipanema, ocorrendo uma semana antes e reunindo um elenco que dificilmente será ultrapassado pela festa da concorrente (a qual em 2008 atingiu um nível de excelência insuperável até para si mesma). Cedeu espaço a bandas gaúchas emergentes e consolidadas, nomes do mercosul, e atrações nacionais de peso. Um dos responsáveis por isso é o meu xará Marcelo Ferla, diretor artístico da novíssima Oi FM, patrocinadora do evento, que foi produzido pelo Beco.
Os olhares, claro, estavam voltados para o palco, que chegou a ter três baterias que a cada set eram alternadas, como os demais instrumentos, em suportes móveis, face à rotatividade de artistas.
Por motivos de força maior perdi vários shows. Comecei pela metade dos WALVERDES, cujo peso estava agradando. O duo eletrorock FENX é legal, tem potencial radiofônico até, e incrementou o show com participação da Adriana Deffenti (que, aliás, estava um mulherão hoje). Talvez não fosse o que os mais radicais queriam ouvir, mas representaram bem a diversificação do cast.
Os uruguaios do DANTE INFERNO tem um som extremamente soturno e pouco festeiro, além de influências dylanescas. Também tiveram um set bastante curto, em pouca sintonia com a pegada que se queria.
Vibe não faltou na atração seguinte: TONHO CROCCO, grata surpresa, para mim que não dispenso nenhuma atenção especial a seu trabalho. A banda profi recrutada, com destaque para o batera, levou o público a um dos picos de empolgação. Mesmo cada vez mais longe da estética do rock, Crocco define o estilo como essa diversidade que abrange R&B, funk, reggae… Encerrou com “Dívida” e uma versão mais “orgânica” de “Peleia”, muito legal…
Logo em seguida, (após a passagem de som mais detalhista e demorada da noite) talvez o segundo vulto do gig7: o docinho de côco MALLU MAGALHÃES, anunciada pela presidente do fã-clube local. Ao vivo, aquele jeitinho tímido dela não me pareceu ensaiado. A menor de idade é tratada como um bibelô, até pelos roadies que lhe trazem e colocam cada dos vários instrumentos a tempo e a hora. Prodigiosa, já chegou botando a boca na harmônica, e ainda tocaria violão, escaleta, banjo, pratos de bateria. O que ela faz não é rock, são canções countryficadas, em um estilo que tem mercado mais segmentado nos EUA. Teve um blues, mas a parte mais rock do show foi após a segunda metade, com a surpresa anunciada: Camelo foi chamado ao palco, e puxou umas músicas com guitarra mais visceral, como “Além Do Que Se Vê”… o casal dançou colado na saideira. Além do modelo de vestido, Malluzinha tem muito mais em similar com a Fernanda Takai: ambas poderiam concorrer ao título de cantora fofura do pop Brasil.
***
Após o Pato Fu, a GRAFORRÉIA deve ter sido vista atentamente pelos mineiros que volta e meia gravam alguma composição do Frank. Os xilarmônicos reprisaram “Eu” à sua maneira, além de “Nunca Diga”. E também “Amigo Punk”, outro hino que nunca ouvira ao vivo com o autor, e “Bagaceiro Chinelão”. O que mais chama atenção nos caras é a ausência de estrelismo.
Outras atrações que merecem menção honrosa foram BIDÊ OU BALDE e TENENTE CASCAVEL, cujos shows não pude ficar para curtir.

Anúncios

O show que Pato Fu deu

[show na Casa do Gaúcho, Porto Alegre-RS, dentro do Festival Gig Rock, 07.11.2009]

Sem disco novo pra divulgar, o Pato Fu visitou toda a discografia exceto o primeiro álbum – mas o psicodelismo mais experimental daquela fase foi lembrado, já na sua transição para moldes mais melódicos, com a pérola de “Gol de Quem?”: “Mamãe Ama É Meu Revólver”, que segundo Fernanda, embora não tocassem há tempos, o público de Porto Alegre curte. “Made In Japan” foi outra inclusão nem tão óbvia.
A vocalista já chegou no palco declarando saudade em nome do quinteto, pois ela recentemente visitara os gaúchos com seu show solo. Emendaram “Amendoim”, uma referência à paternidade experimentada pelo casal John/Sra. Takai. Entre o setlist, que priorizou as baladas e hits, algumas performances especiais, como em
“Uh uh uh La La La”, em que instigaram à “liberação através da dança de qualquer jeito”, enquanto faziam o mesmo no palco. E a caracterização da cantora para “Capetão”, com efeito gutural na voz e trance nas luzes.
Fora isso, o Pato Fu que se conhece, o carisma baseado na simplicidade de Fernandinha, através de “Ando Meio Desligado”, “Perdendo Dentes”, “Eu”, “Nada Original”, “Anormal”, “Tudo Vai Ficar Bem”, “Depois”, “Canção Pra Você Viver Mais”… e algumas outras… em um show que poderia ser maior pela vontade dos músicos, que esclareceram estarem abreviando por tratar-se de um festival, com várias bandas por tocar – incluindo a Graforréia de quem já gravaram algumas canções, e cujo show em seguida queriam ver. Além do mais, o show começou com horas de atraso em relação ao previsto.

Undergrunge+Backdoors no Garagem Hermética

Os Doors e o grunge não morreram. Nem o Garagem Hermética.

PIC00027 edit

Na noite de sexta, 04, o Beco iniciou dez dias consecutivos de comemoração ao Dia Mundial do Rock, 13, com o Gig Rock, um festival de bandas alternativas gaúchas, mais algumas convidadas “estrangeiras” muito seletas. Além dos shows diários, haveria nos sábados debates com jornalistas e outras figuras relevantes do universo roqueiro. O evento foi bastante comentado, inclusive em várias seções da ZH daquela data.
Não obstante, eu queria dar uma conferida no hoje mítico Garagem Hermética de outrora, ainda mais sabendo que Jim Morrison clonado também iria.
Mas… na hora marcada, o local pareceu condenado ao obscurantismo. Fechado, vazio. Movimento nos bares e lancheria próximos…

Horas depois… poucas mudanças no cenário. Quando a banda começa, a lotação não chega a metade da Garagem, o que não mudará.

Atração um: Undergrunge.

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=455921

Eles não usam camisa de flanela. Mas tocam o que o nome sugere mesmo.
Duas do Alice in Chains, duas do Pearl Jam (sem contar Hunger Strike do Temple Of The Dog), Stone Temple Pilots e por aí vai…

O vocalista, apesar de “ficando barrigudo e brocha” segundo confissão ao microfone, surpreende pela presença de palco, e tem voz cuja extensão usou em poucos gritos do repertório escolhido. Saiu de cena para um convidado cantar com a banda “About A Girl”, daquele conjunto do Kurt Cobain.

PIC00030 edit

Segunda banda: Backdoors.

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=85408

Sim, Doors cover. E bom. Só clássicas… especialmente dos primeiros álbuns. Hoje, nenhuma do L. A. Woman, que os originais (com Jim) tocaram poucas vezes. É como ver uma apresentação dos Doors em vídeo 3-D. E com recursos interativos, já que dá para pedir músicas.
Possivelmente o autor destas seja o único que cantou todinhas as músicas junto. Pior: num intervalo mandei um “The west is the best”, que nem eu vi no filme de Oliver Stone, e um cara do meu lado se empolgou e ficou repetindo…
Segundo fontes próximas, um bis com duas canções previsto foi suspenso devido à falha no microfone que também interferiu no show da Undergrunge.

O Garagem de hoje, tal qual o Ocidente, coexiste com novos espaços, mas impõe respeito no cultivo da cultura “alternativa”… Não é tão comum achar lugares que oferecem eventos como os da agenda atual: festa gótica; tributos ao System of a Down, Black Sabbath…