Marcado: Ian McCulloch

Echo & Bunnymen lança disco perseguindo própria fórmula

bethesda-terrace-angel EDIT Sai hoje no mercado oficial o novo álbum do Echo & The Bunnymen, The Fountain, em pré-produção desde 2007 e devidamente vasado na net. Duas inéditas já eram tocadas ao vivo, por exemplo, na brazilian tour 2008, quando Will Sergeant adiantou ao blogue, em POA, que a obra soaria “Bunnymen típico”. Reduzida ao duo central mais contratados, a banda se esforça em perseguir a estética característica do auge de seu êxito, qual seja: climão crescente, refrões de vocação pop, melodias com algo de bubblegum compensadas por certo noise guitarreiro. E, o que é bom para os playlists radiofônicos, e ótimo para shows: é rock vigoroso, rápido, afastando o temor de uma coleção de baladas de senhores de meia-idade. Assim, os Bunnymen oferecem mais do mesmo, em um bom sentido, e em outro nem tanto. Apenas como referência, há dez anos saia o pouco repercussivo What Are You Gonna Do…, com uma musicalidade mais variada, incluindo parcerias como Baby Bird, cantor que praticamente imita Ian em incursões mais soul e que o “homenageado” soube aproveitar. No novo disco, apenas “Life Of A Thousand Crimes” remete a esse ecletismo. E mais: o caráter enxuto das canções dá a impressão de que foi lançada a demo do disco, provocando saudades da cama secundária de timbres delicados que dava suporte a Porcupine, por exemplo. O psicodelismo praticado é pouco denso e criativo. Na ausência de pérolas à altura das recentes “It´s Alright” ou “King Of Kings”, a mais feliz no quesito emocionar o ouvinte é “Drivetime”.
Logo, é improvável ao Echo, através de The Fountain, ocupar o sonhado posto do U2 do qual sempre se achou mais meritoso. Entretanto, a voz mezzo dylanesca atual de McCulloch, sobreposta à carga emocional com ritmo herdado da new wave, garante execução mediana de uma a três faixas, conforme for trabalhado o marketing.

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Echo & Bunnymen Porto Alegre 2008 – Will Sergeant exclusiva

I) ECHO & THE BUNNYMEN RETURNS TO OPINIÃO – Tudo que você não leu em Zero Hora

Guitarrista do Echo & Bunnymen, no Beco, POA

Will Sergeant (direita) do Echo & Bunnymen, no Beco, POA

Na capital gaúcha, 22h. A atração é britânica, a pontualidade não. Mas o público que veio prestigiar Echo & The Bunnymen no mesmo Opinião da vinda anterior, parece saber:vai lotando a casa aos pouquinhos…

Escondo a câmera fotográfica, pois o ingresso diz que é proibida. Como se fosse possível, na era do celular tudo-em-um. Quantos infratores…
Adentro o recinto. No telão: Love Will Tear Us Apart, aquela que homenageio no Orkut. Obrigado pela recepção ! Estamos nos anos 80… antecipando o clima da festa do dia 12, logo vem Depeche, Cure (A Forest)…

A média etária do público, é a minha. Óbvio. Quem tem um pé nos 80, entende melhor a relevância desses coelhinhos… Comentei com várias amizades virtuais sobre o show e ignoravam o Echo. Pelo menos ninguém confundiu com Eco do Minuano & Bonitinho…
Para esses, foi mais interessante lotar os vários pubs da Cidade Baixa.

Como apresentar o Echo a quem pensa que o rock começou com Kurt Cobain ? Bem, esse grupo inglês é uma das cabeças da nova onda pós-punk dos anos 80. Seu som é típico da década, com letras cabeça, alto teor psicodélico. Fãs de Doors, Velvet Underground e Stones, resgataram um clima sessentista na busca de “uma aura de mistério e magia” em suas canções, com títulos como: “A Lua Fatal”, “Traga os Cavalos Dançantes”, e versos tipo: “assim como meu céu mais baixo, você conhece tão bem meu inferno mais elevado…”.
Do quarteto da formação clássica, o batera morreu e o baixista desertou.
Seu … álbum de estúdio está gravado, ainda sem produtor e deverá sair por selo independente. Como todos da época, gravam discos ao vivo freqüentemente com seus hits para sobreviver.
Estiveram no Gigantinho no auge, em 87, e após divórcio e reconciliação,  em 99, no mesmo Opinião, levaram Jimi Joe a cantar Lips Like Sugar deslumbradamente sob as câmeras do atento programa Folharada da Ipanema, e, na embriaguez lírica, desferir um ósculo no rosto de Ian…

Detalhes em:

http://www.zerozen.com.br/musica/echo.htm

TURN ON THE LIGHTS (A 3ª VINDA)
No palco, os roadies tiveram seus 15 minutos e muito mais para brincar com instrumentos… sob o telão, é claro.
Até que várias ovações do público depois, a cortina sobe…

Hora e meia de atraso, os atuais Bunnymen – Ian e Will de originais; mais quatro músicos – vieram atender as expectativas dos pagantes…

Talvez pela idade, a galera mais reverencia do que enlouquece na pista… Exceção, o cara na minha frente pula convulsivamente, mas normal para a ocasião, não faço caso das cabeçadas…

Rescue, Seven Seas, Bring On The Dancing Horses são alguns dos clássicos que dizem presente. Mais tarde, a seqüência fatal: Back of Love + The Killing Moon + The Cutter…

De meras citações – Walk On The Wild Side – a uma cover – People Are Strange, que eles fazem desde o filme The Lost Boys, chegamos a Lips Like Sugar, que a galera já exigia em coro num dos intervalos – foram dois bis.

ianMcCulloch não é gurizinho, mas nem quando era, saracoteava no palco. E não seria agora. Ele é um poeta. Sua voz está indo rumo a Bob Dylan. O negócio dele é óculos escuro, cigarro na mão, interatividade num inglês não muito compreensível…  invariavelmente de preto, parece vestir sobretudos e jaquetas até no calor…

As músicas novas são mais rústicas que psicodélicas. Não parecem destinadas a conquistar fãs entre os consumidores de novidades. Mas mantêm os atuais.

O repertório não é um Greatest Hits, inclui canções de tardio reconhecimento por parte de quem não consumiu a discografia completa.

Poderia o Echo mais idoso e desfalcado, trazer grandes surpresas em relação às vindas anteriores, e causar frisson maior que o concerto do Gigantinho ?
Improvável…
Alguém precisa disso ?
A oportunidade era clara:  estar a metros de ícones de do rock, ainda na ativa e executando seus clássicos ao vivo…
Assim sendo, o Echo não decepcionou. Se saiu muito bem para sua idade.

Aí, Opinião: agora pode trazer Morrissey (que perdi em 2000), Cure e New Order… nessa ordem. Bilheteria garantida.

II) DJ SERGEANT: PORTO ALEGRE VIRA LIVERPOOL

double fun

Teriam as manifestações do Echo em Porto Alegre concluído com a saída do palco do Opinião ? Não enquanto houvesse uma lua fatal no céu…
Sob novo endereço e cenário, um bunnymen está apenas começando sua performance; no Cabaret a R$ 10… Calma, explico: trata-se do Cabaret do Beco, ex-Voltaire [ http://www.beco203.com.br ], que teve o oportunismo saudável de botar Will Sergeant a discotecar sua pista, assim como ocorreu no centro do país, mas com a vantagem de estarmos em plena quinta-feira, quando ele sempre faz isso em solo britânico… Liverpool hoje é aqui. (ver entrevista a seguir)

Alguns passos recinto adentro e:
cara a cara com o homem, a lenda !

Contrariando a informação da portaria, de que ele não chegara… desinformação ? ou seleção de público ?

Um ícone do rock, naquela cabine dos DJs do beco, térrea, aberta e tão acessível aos presentes… que, longe de lotar a casa, volta e meia diziam algo nos ouvidos da celebridade, face ao volume generoso do som nas caixas.

Som ? Se minutos antes, na casa irmã, o Porão do Beco, quadras acima, verificava-se o Créu (credo?!) rolando, nós privilegiados do Cabaret, contávamos com a Friction inglesa entre nós… Sergeant não veio puxar nosso saco e tocar Jorge Benjor… ele fez exatamente o que faria em seu habitat.
O que vem à mente quando se imagina o playlist desse DJ ? Anos 80, né ? New wave, Blondie, B-52´s, etc. Não é óbvio ?
NÃO ! E ESTÁ TOTALMENTE ERRADO !!!
A banda de Sergeant decolou nos anos 80, mas ele já era nascido há um pedaço… e não se criou ouvindo Pride do U2. Ele se interessa por psicodelismo.
Então, o que temos no cardápio ?
Beatles pós-Sergeant Peppers…
Hello I Love You, claro…
Umas novidades lisérgicas que eu não conheço…
E mais… Bowie, Who, Kinks
E muito mais: funks clássicos (não o “funk” carioca, tá ?), reggae… DJ é para fazer dançar. Esse cara sabe seu papel.

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Will ficou horas ali, entre um e outro drinque, comandando a noite… solo; depois em dupla com uma das DJs escaladas, Alessandra Lehmen – vocal da banda Lautimusik, cuja musicalidade reverbera “ecos” do “zeitgeist” pós-punk  em que a gangue de Will tomou forma. clarissa lehmen

Alê, por fim, substituiu a contento ao DJ-coelho quando este foi socializar na pista…  nas pick-ups, pérolas como Just Like Heaven (Cure), Transmission (Joy Division) e Head On (J & M Chain).

III) UM BUNNYMEN, POR ELE MESMO – ENTREVISTA EXCLUSIVA COM WILL SERGEANT

Mais de 5 AM. Will incrementou gradativamente o teor alcoólico em sua circulação. Mas está tão acessível quanto antes, física e psicológicamente. Nem imagino quanto ele faturou pela discotecagem, mas tive impressão de humildade ao vê-lo ali, sem estrelismo… o que se confirmou durante “a few questions”.

Inicialmente, Sergeant explica suas aventuras como DJ, para os desavisados:
“tenho uma noite em Liverpool toda semana, na quinta-feira… (NOTA: é a festa Friction, no bar Korova) a noite de hoje, é minha noite de lá, aqui: a mesma coisa que toco lá: psicodélico, anos 60… “.
Agora sim, sobre sua banda: há uma fórmula para sobreviver dignamente quando tantos grupos de sua geração já desapareceram ? “não sei, é uma situação muito estranha… acho que é nossa recusa em morrer !”, ri o guitarrista. “pergunta difícil”.
Será que o Echo toca com o mesma vontade que no início da carreira ? “Nunca será como os primeiros anos. Éramos como uma pequena gangue… hoje somos eu e Ian, e pessoas vem tocar conosco…”, pondera. “É uma época diferente… outro século !”
E os Bunnymen necessitam se reinventar para o século 21 ? “Não ! Não jogamos esse jogo… apenas queremos ser uma boa banda e fazer nossas canções”. Will reconhece a influência de sua obra em artistas atuais: “sim, é para isso que fazemos nosso trabalho, queremos que gostem e digam: quero ser como vocês ! Comparam muitas bandas conosco, mas não se trata de copiar. Nunca fizemos isso, com o que ouvíamos, como Bowie… é que tudo é conectivo. Desde homens da caverna chutando ossos… há uma evolução”. E em sua própria evolução, a banda está construindo um novo álbum… “tocamos duas novas músicas no show em Porto Alegre: Forgotten Fields, e outra cujo nome não lembro… já trocamos centenas de vezes !” Como soam as composições recentes ? “Bunnymen típico ! Se bem que ainda não sei, pois depois de tê-las gravado, nunca as ouvi, só toquei ao vivo”. De acordo com Sergeant, o disco será lançado em 2009 e o produtor ainda não foi definido, entre dois nomes cotados. Apesar de manter uma “amizade especial e uma espécie de conexão” com o Brasil, o músico admite conhecer pouco rock brasileiro. “Sepultura é do Brasil, certo ? Gostamos dessa coisa heavy…”
Finalmente, uma pergunta que deveria ser dirigida a seu parceiro de banda: Ian costumava dizer em entrevistas que procurava escrever a música pop perfeita… e estava chegando perto. Será que ele ainda persegue esse objetivo ? “Provavelmente… não sei o que se passa pela cabeça dele… hahahaha”. Palavras de um homem-coelho.
A quinta-feira está encerrada.