Marcado: Júpiter Maçã

A dança dos negros gatos

Arte de Jupiter Apple estreia nova proposta

Hamburg Black Cats é o nome do novo projeto e show de Jupiter Apple/Maçã. A expressão reverencia aos vanguardistas hamburguenses do início dos anos 60, que não sairam da obscuridade. Na formação atual, que se apresenta amanhã, 31, em Chapecó (SC), o próprio man assume a guitarra, acompanhado da mulher, Clegue França, na percussão, e de Felipe Faraco, que troca o baixo pelos teclados e programações de bateria eletrônica. Segundo Júlio Sasquatt, músico e produtor ligado a Júpiter, o set list apresenta os clássicos do compositor em versões eletro-rock. “É tri-dançante, é o New Order do Maçã”, brinca Sasquatt, enfatizando o bom gosto demonstrado por Apple na concepção do novo espetáculo, que é auto-produzido.

Faraco e seus teclados

Faraco (ainda no baixo) e Júpiter em 2010.

Clegue

Clegue

Vale lembrar que a ênfase no ritmo já permeava a produção recente de Júpiter: tanto no single “Modern Kid”, como nas extra-oficiais “Six Colours Frenesi”, e ainda, “Cerebral Sex” – esta composta originalmente para outro projeto paralelo “orgânico” do artista: The Apple Sound, que também envolvia Clegue, em um conceito um tanto mais experimental e performático do que a banda regular.

Veja o The Apple Sound em sua estréia em 2009, desconstruindo “As Tortas e As Cucas”: proposta com detalhes comuns ao Hamburg Black Cat.

Excetuando-se os videoclipes acompanhados de singles em vinil, o último álbum de Júpiter foi Uma Tarde Na Fruteira (2008). Este ano ele esteve em Abbey Road masterizando um material que inclui inéditas e takes raros, e que prevê alguns lançamentos, como uma coletânea, que ainda não saiu. Os dias na Zooropa incluiram escala em Paris com visitação a Père Lachaise e à Torre.

De volta ao Brasil, Júpiter andou interagindo com o trompetista Guilherme “Guizado” Menezes, com quem tocou em estúdio, e com o tresloucado Rogério Skylab, em show conjunto no Sesc Campinas.

Como se vê, o cara não se prende a formatos e propostas estagnados… workaholic na criação, vive em metamorfose, insistindo em não se repetir. A inventividade chamou a atenção desde suas primeiras bandas e continuou na carreira solo. Já nos anos 90 se estabeleceu a aura cult e um fiel séquito em torno, com muita expectativa para cada lançamento. Vamos relembrar as fases do camaleônico artista e algo da riqueza das influências que já lhe inspiraram.

Rockabilly, Beatles, Stones: em seu debut nos primórdios do TNT, o precoce compositor de “Identidade Zero” cantava as coisas importantes da humanidade: garotas, carros, rock and roll – do ponto de vista perplexo de um jovem de fim de século. Porno-psychobilly: após a ruptura com a antiga banda, foi possível com os Cascavelettes ir mais fundo na proposta de letras taradas/chapadas. Incluindo vudu e, lógico, gatos pretos. Folk: a alcunha inicial da carreira solo, Woody Apple, faz alusão a W. Guthrie sugerindo um artista voz-e-violão-e-banquinho. Psicodelia: A Sétima Efervescência é seu Sargento Pimenta.
Jazz & Bossa: a lisergia se sofistica em Plastic Soda. Já Hisscivilization aprofunda a sonoridade às beiras do Acid Jazz e progressivo. De repente a crueza quebra a sequencia: com Blues e rock básico Bitter é o famoso “passo atrás” para retomar o vigor da sonoridade de décadas atrás. Tropicalismo: aparece atualizado dando o tom de Uma Tarde na Fruteira. Tudo isso veio temperado com Kurt Weill, Moulin Rouge, e principalmente, Gainsbourg, como ficaria ainda mais claro na estética do clipe “Modern Kid”, e a influência warholiana saindo do armário já nas primeiras cenas de “Calling All Bands”.

Ufa! Depois de todo esse balanço, só nos resta aguardar a próxima carta desse louco do Tarot da Arte…

Leia mais sobre Júpiter:

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterapple/
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/
https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/27/applebage/

Vibe bajeense conquista Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Atelier Coletivo, Bagé, em 26.08.2010

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

Júpiter se eleva ao nível da arte que circunda sua cabeça.

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

...prontamente clicado por repórteres como Vinícius Seko e Emerson Sabedra

“Foi uma puta vibe ! Senti um clima de happening“. Assim avaliou Jupiter Apple o show que realizara pouco antes no Atelier Coletivo, em Bagé. O artista comemorou o fato de ter ficado bem próximo ao público, já que a peça que serve de palco é em mesmo nível e sem obstáculos aos admiradores que literalmente cercaram a banda. Com iluminação clara e cercado por quadros fauvistas de Carlo Andrei Rossal, Jupiter se deixou envolver por um mood de maior intimismo, parecendo exibir um olhar reflexivo enquanto cantava seus poemas.
Em relação ao show da véspera em Pelotas, em que o blog também esteve

https://marcelofialho.wordpress.com/2010/08/26/jupiterpel/

o setlist foi idêntico e o que variou mais foram os picos de êxtase do público – alcançados em Bagé com “A Marchinha Psicótica…” e a tradicional saideira “Um Lugar do Caralho”, extendida como uma vigorosa jam que serve de trilha para a saída de cena de Apple.
Antes de deixar a cidade Jupiter visualizou o cartaz promocional do show, de autoria de Rodrigo Sarasol, e debateu com Carlo Andrei as influências artísticas no leiaute, entre Warhol e Matisse.

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

Jupiter e Carlo Andrei debatem influências de Warhol e Matisse...

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

...na peça do publicitário Rodrigo Sarasol

PRÉ-SHOW
A van com a banda chegou à tarde e à noite foi degustado um churrasco no Atelier. A imprensa local se mobilizou. Pelo Rota 20, Ricardo Belleza, fã confesso de Jupiter, soube entrevistar com conhecimento de causa uma de suas maiores inspirações como roqueiro. Os jornais Minuano e Folha do Sul também interagiram com o artista – o editor do primeiro, Glaube Pereira, capturou registros fotográficos da frente do palco. Mais tarde conversou com Jupiter, que comemorou ao ser informado que todos os repórteres presentes haviam passado pelas disciplinas ministradas por Glaube no curso de Jornalismo da Urcamp.

Confira algumas matérias motivadas pela presença de Jupiter na cidade:
http://covilsitiado.blogspot.com/2010/08/festa-dos-bichos.html

http://onavegador.wordpress.com

http://twitpic.com/2gkdmy

http://twitpic.com/2gkf5r

(entrevista ao Minuano)

http://www.folhadosulgaucho.com.br/?p+2&n=4327

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Telão no pátio do Atelier exibia o show em tempo real até para os não-pagantes em trânsito na Floriano

Pelotas celebra show com surpresas de Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Bar João Gilberto, Pelotas, 25.08.2010

Satolep voltou a receber um Jupiter Apple ainda mais variado do que em novembro de 2009: agora o playlist transita desde os primórdios, das ex-bandas, até os singles ainda não lançados formalmente, como é o caso da canção de abertura, “Six Colours Frenesi”. Seguem-se “Querida Superhist…”, “As Tortas e As Cucas”, e “A Lad and Maid in the Bloom”. Anunciada a primeira “surpresinha” da noite, “composta aos 16 anos”:“Identidade Zero”, reconstruída com arranjo cabaré meio jazzy. “Síndrome de Pânico”. “Beatle George”. “So You Leave The Hall”. Em meio ao set Jupiter empunha a guitarra adicional à de Júlio Cascaes.

Música de trabalho: “Calling All Bands”. Se no palco algumas faixas são despidas de delicados detalhes da produção de estúdio, esta soou mais rock, e foi a deixa para o lado entertainer de Apple incitar um coro cada vez mais alto do refrão. “Um dia será num estádio” desejou. Após “Mademoiselle Marchand” e “Modern Kid”, até mesmo Hisscivilation foi contemplado com a “faixa-quase-titulo”. A seguir, “Miss Lexotan 6 mg”. A segunda surpresa – esta composta aos 18: “Morte Por Tesão” (pausa para pulos do repórter). Novas gerações sendo lembradas que estão diante de um clássico. “Marchinha Psicótica”, “Eu e Minha Ex”. Sem sair do palco, Jupiter avisa: “agora já é o bis”, emendando as recentes “Head Head” e “Cerebral Sex”, e como saideira seu esperado e do caralho hino…

Semana Jupiter Apple – megaentrevista exclusiva

Decretada a Semana Jupiter Apple no blog, às vésperas de apresentações na região – Pelotas na quarta-feira e Bagé na quinta. Ao ser entrevistado, o artista considerou “uma terapia” falar de seu trabalho durante uma hora na Sala de Reuniões do Hotel Manta, em Pelotas.

Em suas respostas…
Avalia o fato de ser considerado um gênio.
Detalha seu processo de criação que concebe “produtos” artísticos cada vez mais pensados de modo “plástico” que integra som, imagem, cinema, design.
Revela vários planos e desejos, como:
>>relançar seus discos, que fisicamente estão fora de catálogo
>>aumentar a visibilidade de sua obra pelo publico, para o que faria sem problemas programas como Faustão e Gugu
>>conquistar sucesso internacional, a exemplo da “Marchinha Psicótica” na Inglaterra
>>concluir seu segundo filme como cineasta
>>atuar sob a batuta de um grande diretor
>>ter sua canção Lovely Riverside como trilha de Piratas do Caribe
>>ter o álbum Hisscivlization encenado em teatro
E também esclarece que…
>>Jupiter Apple não é alter ego ou personagem, é uma assinatura
>>Não se considera roqueiro
>>Nunca mais tocou com Charles Máster
E ainda comenta trechos de algumas letras: erotismo, novas civilizações, Beatles
Apesar de viver cada vez mais sua arte, Jupiter também protagoniza situações de pessoas comuns; e vive a superação da fase “etílica” vivenciada há cerca de dois anos.

Leia a entrevista na íntegra:
https://marcelofialho.wordpress.com/jupiterapple/

Jupiter, Pata e o micro-woodstock

Show de Jupiter Apple com abertura de Pata de Elefante [Porto Alegre, Bar Opinião, 05.11.2009]

Meu primeiro show do Jupiter ever 😉
Antes, revi a Pata de Elefante – agora, com muito mais amplificação, visceralidade e pulsação. Foi a primeira execução para grande público de faixas recentes, e o release do clipe novo. Os ecos hendrixianos na guitarra me sugeriram que estávamos num micro-woodstock particular que viria a sedimentar-se na lisergia do astro principal.
O clipe de “Modern Kid” na íntegra, no telão, precedeu o headliner da noite. Presente muito do que se podia esperar: o Thunder, o Astronauta, os diálogos em inglês (“Let me hear you say yeah !!” foi uma constante…). Uma sucessão de canções reconhecidas: “Querida Superhist…”, “Tortas e Cucas”, “Síndrome de Pânico”, “Essência Interior”. Mais destaques: a tendência dançável mas de estilo muito próprio das novas composições, graças à cozinha atual, valorizada ainda mais em palco. Em uma delas, “Gregorian Fish”, B-side de “Modern Kid” participação especial de Júlio Cascaes na guitarra. Outra é “Talentoso”, bossa que Jupiter demonstrou só, à guitarra, após provocar o primeiro bis quando se despediu com a décima música. Aliás, ele sola em algumas canções, quando assume a guitarra personalizada da mesma cor do conjunto lilás que veste. E, se nem todos “clássicos” apareceram, “Lugar do Caralho” foi a finaleira, algo esticada por improvisos.
Após, um possível novo bis, clamado pela audiência, não ocorreu. O telão cobriu o palco. Jupiter referiu-se a Porto Alegre apenas como “terra natal”, deixando claro ser para ele uma data a mais em sua agenda, e não um comeback tipo Morrissey em Manchester ou Legião em Brasília.
A carreira solo de Jupiter não tem link algum com suas ex-bandas. Não precisa. O rebolado a la Jagger de 1988 que consta nos arquivos da TVE gaúcha deu lugar a uma arte que exige que alcancemos sua vibração. O show atual é mais de arte e vanguarda do que emoção barata do rock´n´fun. O que não incomoda em uma vírgula aos fãs.
Além disso, Apple está certíssimo em cantar em inglês: sua música é única no mundo, sem sotaque sulista ou nacional. E o balanço dos últimos singles indica que ele superou certa letargia e achou o nervo para agradar, inclusive, aos sentidos mais básicos… com classe.

Júpiter Maçã e Nei Van Sória se encontram em Pelotas

Nova reunião dos Cascavelletes, de modo muito indireto. Júpiter Maçã e Nei Van Sória fazem seus respectivos shows em Pelotas na mesma data: 14/11. Apple no Original Bier, Nei no Theatro Sete de Abril. Um terceiro ex-cascavellete, Frank Jorge, tocou antes na cidade com sua Graforréia Xilarmônica, dia 30 de outubro.

MTV News: Flávio Basso, Urbana Legio e RPM

O melhor do dia hoje (22) foi a MTV. Teve Discografia com RPM, e Código com Jupiter Apple, não nessa ordem.
O programa dedicado a discos básicos, na véspera fôra com Legião Urbana Dois, e hoje, com Revoluções Por Minuto, traça um bom panorama do que mais me atraiu no Rock-BR dos 80. Acho que com a Revolta dos Dândis, fecharia a trilogia do meu gosto. Os álbuns saíram num momento efervescente, pois estava surgindo um “mercado” que antes não havia para dar vazão a uma demanda historicamente reprimida de escoamento cultural. Surgiam a revista Bizz, o programa Clip Clip na Globo… e espaços em programas tradicionais como Chacrinha, Fantástico… apresentando aos nativos um resumo do rock da moda e também do histórico, cantado em português sem legendas.
Renato Russo encarnou o poeta atormentado. Para o Brasil, ele veio a ser Morrissey, Jim Morrison… Na época, forçava mais o falsete na voz. O disco que deveria ser duplo e se chamar Mitologia e Intuição, capta a banda saindo do estado bruto da estréia, para uma sofisticação pouco mais acústica mas antes da amenizada estratégica de As Quatro Estações. “Eduardo e Mônica” vem cheia de referências culturais, uma cortesia constante do letrista Renato. Metrópole vem em versão diferente da original do Aborto Elétrico. Também da era punk foi adaptada a letra de “1977” virando “Tempo Perdido”, considerada por alguns plágio dos Smiths.
Paulo Ricardo, foi o sex symbol do rock local, e o tesão com que cantava foi mais um elemento na fórmula que tornava o RPM ultra-moderno, unindo teclados progressivos a uma pegada rock. O grupo hoje subestimado pelos roqueiros, é composto de músicos respeitáveis: Paulo Ricardo merece crédito nem que seja pelo slapping inicial de Olhar 43; e escreve poeticamente. Deluqui seguiu fazendo belos trabalhos como os solos de Simples de Coração, dos Engenheiros. Schiavon é um erudito, hoje arranjador de uma emissora global de TV. P. A. tem vários projetos paralelos roqueiros.
Quando ainda em ascensão, Paulo Ricardo e Renato Russo concederam entrevista conjunta à Bizz. Anos mais tarde, já nos 90, gravariam juntos uma versão de A Cruz e A Espada, já que Renato não recusava duetos, exemplos: Erasmo, Biquíni Cavadão etc.
Agora Jupiter Apple Maçã: com um semblante que “inspira cuidados” – algo de Jim Morrison, algo de Serguei… e cada vez mais louco no bom sentido de entregar ao mundo novas pílulas psicodélicas instantâneas… Que dizer de um cara que grita “Yes I am a genius” rebolando, após empolgados elogios por parte do apresentador Lobão ?
Entre as novas composições que ampliam o espectro de referências, ainda rolou Paint It Black, dos Stones.