Marcado: Paulo Ricardo RPM

Paulo Ricardo responde minha pergunta

PR

Foi no chat do terra… mas conta, né? O moderador selecionou minha questão a Paulo Ricardo de Medeiros, ex-RPM. Paulo já trabalhou como jornalista musical, possível explicação da concisão de suas respostas; e também de seu ecletismo musical, que se reflete em sua obra: enquanto toca vários projetos díspares, seu último álbum privilegia a veia romântica; mas na temporada atual no Tom Brasil rolam muitos covers de rocks clássicos, como Bullet The Blue Sky (U2) e Roadhouse Blues (Doors), sempre em luxuosas companias. Confira trecho do pingue-pongue:

Marcelo, de Bagé/RS diz: Desde o RPM, Paulo sempre foi um antenado com as tendências do pop rock mundial e colocava seus elementos nas novas composições. Sendo assim, como definiria esteticamente suas próximas canções (tipo: brit pop melódico, rock funkeado etc.)?

R.:
P.R.: Marcelo, eu funciono por paixão, estou apaixonado por determinado gênero ou tendência e me aprofundo nisso. Para a última música que fiz, chamei o Andreas Kisser do Sepultura, é um rock pesado para um filme. Paralelamente, estou terminando um trabalho com Toquinho, estamos querendo renovar as canções maravilhosas do Vinicius de Moraes. Com roupagem moderna. Paralelo, estou fazendo um trabalho com um compositor americano com uns toques de World Music, mas com uma pegada pop. Essa nova produção tem um quê de Peter Gabriel, com algumas coisas dançantes. Gostei do último CD do Yeah, Yeah, Yeahs – há elementos dos anos 80 que está nas produções de hoje.

Entrevista na íntegra, com várias respostas:
http://chat.terra.com.br:9781/pauloricardo2009.htm

Anúncios

MTV News: Flávio Basso, Urbana Legio e RPM

O melhor do dia hoje (22) foi a MTV. Teve Discografia com RPM, e Código com Jupiter Apple, não nessa ordem.
O programa dedicado a discos básicos, na véspera fôra com Legião Urbana Dois, e hoje, com Revoluções Por Minuto, traça um bom panorama do que mais me atraiu no Rock-BR dos 80. Acho que com a Revolta dos Dândis, fecharia a trilogia do meu gosto. Os álbuns saíram num momento efervescente, pois estava surgindo um “mercado” que antes não havia para dar vazão a uma demanda historicamente reprimida de escoamento cultural. Surgiam a revista Bizz, o programa Clip Clip na Globo… e espaços em programas tradicionais como Chacrinha, Fantástico… apresentando aos nativos um resumo do rock da moda e também do histórico, cantado em português sem legendas.
Renato Russo encarnou o poeta atormentado. Para o Brasil, ele veio a ser Morrissey, Jim Morrison… Na época, forçava mais o falsete na voz. O disco que deveria ser duplo e se chamar Mitologia e Intuição, capta a banda saindo do estado bruto da estréia, para uma sofisticação pouco mais acústica mas antes da amenizada estratégica de As Quatro Estações. “Eduardo e Mônica” vem cheia de referências culturais, uma cortesia constante do letrista Renato. Metrópole vem em versão diferente da original do Aborto Elétrico. Também da era punk foi adaptada a letra de “1977” virando “Tempo Perdido”, considerada por alguns plágio dos Smiths.
Paulo Ricardo, foi o sex symbol do rock local, e o tesão com que cantava foi mais um elemento na fórmula que tornava o RPM ultra-moderno, unindo teclados progressivos a uma pegada rock. O grupo hoje subestimado pelos roqueiros, é composto de músicos respeitáveis: Paulo Ricardo merece crédito nem que seja pelo slapping inicial de Olhar 43; e escreve poeticamente. Deluqui seguiu fazendo belos trabalhos como os solos de Simples de Coração, dos Engenheiros. Schiavon é um erudito, hoje arranjador de uma emissora global de TV. P. A. tem vários projetos paralelos roqueiros.
Quando ainda em ascensão, Paulo Ricardo e Renato Russo concederam entrevista conjunta à Bizz. Anos mais tarde, já nos 90, gravariam juntos uma versão de A Cruz e A Espada, já que Renato não recusava duetos, exemplos: Erasmo, Biquíni Cavadão etc.
Agora Jupiter Apple Maçã: com um semblante que “inspira cuidados” – algo de Jim Morrison, algo de Serguei… e cada vez mais louco no bom sentido de entregar ao mundo novas pílulas psicodélicas instantâneas… Que dizer de um cara que grita “Yes I am a genius” rebolando, após empolgados elogios por parte do apresentador Lobão ?
Entre as novas composições que ampliam o espectro de referências, ainda rolou Paint It Black, dos Stones.