Marcado: Pelotas

Dado Villa Lobos em Pelotas

Guitarrista traz produção solo e revisita Legião Urbana no Sul do Brasil

Os gaúchos interessados em Legião Urbana terão oportunidade de assistir ao legado vivo da banda, em novembro. Dado Villa Lobos se apresenta em Pelotas no dia 18, no Bar João Gilberto, em tour que inclui ainda praças como Três de Maio e Frederico Westphalen. Além das canções da carreira solo do guitarrista, cerca de metade do show será reservada à obra da Legião. Para isso, o convidado especial Toni Platão, com seu vocal barítono, acompanha a banda completada por Carlos Laufer (baixo), Renatinho Ribeiro (guitarra), Caio (teclados) e Lourenço Monteiro (bateria).

Fração importante do trio que a Legião foi no maior período de sua existência, Dado, 45, assim como Marcelo Bonfá, é co-autor de grande parte das músicas cantadas por Renato Russo. Ratificando o lema Urbana Legio “Omnia Vincit” (Vence Tudo), as canções do grupo surgido em Brasília superaram a morte (o poeta-cantor se foi há 14 anos) e o tempo – perpetuando-se na memória coletiva, e se fazendo obrigatórias nos projetos posteriores dos ex-integrantes.

A sonoridade do álbum solo de Dado, Jardim de Cactus, remete a ecos das influências pós-punk como The Cure e Smiths, em um ambiente experimental e climático. A maioria das faixas é cantada pelo próprio Dado, mas há várias participações especiais. O disco foi lançado fisicamente em versão “Ao Vivo MTV” em 2005, e só mais tarde a gravação original de estúdio seria prensada por um selo paulista.

Vale lembrar que na época dos primeiros álbuns da Legião, Toni Platão teve mais do que 15 minutos de fama nacional com sua banda Hojerizah e o hit “Pros que Estão em Casa”. Dado é quem avalia: “Somos grandes amigos desde então e é sempre um grande prazer dividir o palco com ele, grande artista que é”. Nos anos 90, a dupla registrou algumas parcerias nos estúdios da Rock It! (gravadora de Dado, que também é produtor musical), e desde então Toni se habituou a cantar Legião nos mais variados tributos, como a Jam 80 da Bizz, o “Uma Celebração” do Multishow e Festival Porão do Rock.

Dado respondeu rapidamente algumas perguntas do blog enquanto arrumava as malas nas vésperas de sua viagem à Espanha – para três datas em um projeto especial com um “combo” de artistas, La Caravana Americana. Ele comenta seu entusiasmo com a experiência: “Estou por aqui e amanhã, 19, devo encontrar com todos, uma idéia de Xoel Lopez, artista Espanhol que tocou conosco em Fortaleza na virada do ano, um super projeto que traz a cultura ibero-americana, cubanos, argentinos, colombianos, portugueses e muito mais, em terras européias, uma super caravana e promete ser muito divertida”. O chefe da Rock It! revela ainda que está na pauta de seus produtores a retomada do projeto Sete Cidades, onde ele e Bonfá se reuniriam para excursionar por sete importantes cidades brasileiras tocando Legião com a presença de convidados, possivelmente músicos uruguaios, repetindo o que ocorreu em Brasília e Fortaleza.

No dia 25, enquanto os dois terços remanescentes da Legião estiverem na Europa, a EMI, eterna gravadora da banda, lança um box com os oito álbuns da banda remasterizados e fotos inéditas. Dado não ignora que a internet se tornou um mercado à parte convivendo com o fonográfico, onde existe uma discografia “extra-oficial”, de amplo conhecimento público, de shows e sobras de estúdio da banda… Questionado, comenta: “O mercado paralelo vai passar um dia a ser o mercado oficial, passamos por um periodo de transição, não tem volta; mas no entanto, os discos da legião chegarão em novos formatos, CDs e vinil, e acabam de vender 500 mil cópias dos digipacks nos últimos três meses, algo a ser avaliado…”.

ATENÇÃO EMPRESÁRIOS DA NOITE BAJEENSE: a produção do show de Dado está aberta para ampliar a agenda no Sul, eventualmente com uma apresentação por aqui, em data próxima à de Pelotas. Contatos: e-mail alexandre.milenar@gmail.com e telefones (21) 2424-1091 e (21) 7843-1518.

Pelotas celebra show com surpresas de Jupiter Apple

Show de Jupiter Apple no Bar João Gilberto, Pelotas, 25.08.2010

Satolep voltou a receber um Jupiter Apple ainda mais variado do que em novembro de 2009: agora o playlist transita desde os primórdios, das ex-bandas, até os singles ainda não lançados formalmente, como é o caso da canção de abertura, “Six Colours Frenesi”. Seguem-se “Querida Superhist…”, “As Tortas e As Cucas”, e “A Lad and Maid in the Bloom”. Anunciada a primeira “surpresinha” da noite, “composta aos 16 anos”:“Identidade Zero”, reconstruída com arranjo cabaré meio jazzy. “Síndrome de Pânico”. “Beatle George”. “So You Leave The Hall”. Em meio ao set Jupiter empunha a guitarra adicional à de Júlio Cascaes.

Música de trabalho: “Calling All Bands”. Se no palco algumas faixas são despidas de delicados detalhes da produção de estúdio, esta soou mais rock, e foi a deixa para o lado entertainer de Apple incitar um coro cada vez mais alto do refrão. “Um dia será num estádio” desejou. Após “Mademoiselle Marchand” e “Modern Kid”, até mesmo Hisscivilation foi contemplado com a “faixa-quase-titulo”. A seguir, “Miss Lexotan 6 mg”. A segunda surpresa – esta composta aos 18: “Morte Por Tesão” (pausa para pulos do repórter). Novas gerações sendo lembradas que estão diante de um clássico. “Marchinha Psicótica”, “Eu e Minha Ex”. Sem sair do palco, Jupiter avisa: “agora já é o bis”, emendando as recentes “Head Head” e “Cerebral Sex”, e como saideira seu esperado e do caralho hino…

Divergência antes de show de Jupiter

Rock básico foi eficiente em agitar a galera

Prestes a lançar seu álbum de estréia, a banda Divergência foi a escalada para abrir o show de Jupiter Apple em Pelotas. “Mentiras Perfeitas” deverá ser lançado em SMD, formato de custo reduzido. O estilo dos divergentes é mais afim com as ex-bandas de Flávio Basso do que seu trabalho solo, mas a combinação se justifica quando, no palco, até as músicas próprias funcionam. Não por acaso, “Lady Garbage” será o primeiro single – candidata a hit que já adquiriu fama suficiente para motivar comunidade em site de relacionamento. A banda mandou covers como Oasis, Franz Ferdinand, Led, intercaladas com suas composições que variam do rock básico com pé no billy, até o que o vocalista Fernando definiu como “Fase anos 70” do show, passando por um blues. Tudo suingado.

Semana Jupiter Apple – megaentrevista exclusiva

Decretada a Semana Jupiter Apple no blog, às vésperas de apresentações na região – Pelotas na quarta-feira e Bagé na quinta. Ao ser entrevistado, o artista considerou “uma terapia” falar de seu trabalho durante uma hora na Sala de Reuniões do Hotel Manta, em Pelotas.

Em suas respostas…
Avalia o fato de ser considerado um gênio.
Detalha seu processo de criação que concebe “produtos” artísticos cada vez mais pensados de modo “plástico” que integra som, imagem, cinema, design.
Revela vários planos e desejos, como:
>>relançar seus discos, que fisicamente estão fora de catálogo
>>aumentar a visibilidade de sua obra pelo publico, para o que faria sem problemas programas como Faustão e Gugu
>>conquistar sucesso internacional, a exemplo da “Marchinha Psicótica” na Inglaterra
>>concluir seu segundo filme como cineasta
>>atuar sob a batuta de um grande diretor
>>ter sua canção Lovely Riverside como trilha de Piratas do Caribe
>>ter o álbum Hisscivlization encenado em teatro
E também esclarece que…
>>Jupiter Apple não é alter ego ou personagem, é uma assinatura
>>Não se considera roqueiro
>>Nunca mais tocou com Charles Máster
E ainda comenta trechos de algumas letras: erotismo, novas civilizações, Beatles
Apesar de viver cada vez mais sua arte, Jupiter também protagoniza situações de pessoas comuns; e vive a superação da fase “etílica” vivenciada há cerca de dois anos.

Leia a entrevista na íntegra:
https://marcelofialho.wordpress.com/jupiterapple/

Vitor Ramil em Bagé – 2009

[ Griffe Bar Privé, 01.11.2009 ]

Ao iniciar seu show com duas canções do álbum “Ramilonga” (1997) – a faixa-título e “Noite de São João”, Vítor denunciava um repertório adaptado à cultura local. “Se eu tivesse uma música sobre Bagé teria iniciado com ela”, justificou. “Faz uma”, sugestão ouvida na platéia. “É… vai rolar”, rebateu o compositor.
Só então, com a primeira das alternâncias entre violões que marcariam a noite, apresentou duas do disco mais recente, “Satolep Sambatown” (2007), normalmente priorizado na turnê. “Tambong” (2000) também foi lembrado com várias inserções. Com exceção à “De Banda”, por não lembrar a letra, atenderia pedidos da platéia, celebrando a liberalidade conferida pelo formato voz-e-violão e pelo ambiente: “Fazia tempo que não tocava em bar… com essa zoeira boa”. Com a roupagem acústica, transpareceu ainda mais a musicalidade do artista, que chegou a emular, com a voz, uma percussão no final de “Não É Céu”.
Como habitual, nas interações entre as músicas, Ramil revelou em riqueza de detalhes o momento de criação de algumas, como a biográfica “Zero Por Hora”, cuja letra parodia uma alusão da Jovem Guarda à Rua Augusta; e “Estrela, estrela”, da qual detalhou até a localização do beliche onde a compôs.
Entre os clássicos “inevitáveis”, “Semeadura”, “Loucos de Cara”, e principalmente, “Joquim”, cujo início meio à capella teve côro no público.

Vitor e Marcelo

ANTES DE BAGÉ, SHOW EM CASA
Na véspera, Vítor se apresentara no Theatro Guarany, em Pelotas. No palco, dois violões, e percussão a cargo do carioca Marcos Suzano, co-autor do álbum de 2007. “Foi totalmente diferente, com repertório fixo e mais ‘organizado’ que esse voz e violão, no qual, conversando e tocando, de repente, se toca uma música que não estava prevista”, avalia Vítor.

SATOLEP SAMBATOWN, UM CONCEITO
A obra alia o sambatown do carioca Suzano à estética do frio do gaúcho, mas não reproduz estereótipos de uma suposta alegria do Rio de Janeiro frente a uma tristeza pampeana: “Não é que a estética do frio proponha uma melancolia, nem tampouco exista uma alegria carioca. Nunca penso nesses opostos, não existe isso pra mim. É uma reunião musical, não tem essa idéia. Eu sou um cara superalegre, divertido. Talvez não fique explicito e não se transforme em lirismo na minha música. Apenas, em meus trabalhos independentes, dei maior vasão sem me preocupar. Quando em gravadoras, antigamente, era muito mais forte isso ainda, sempre tiveram uma obsessão com música pra dançar, música pra alegria… e pra eles milonga sempre seria uma música triste. Mas a estética do frio não tem nada a ver com pregar uma melancolia. Se é melancólico em alguns momentos, ou tranqüilo, é porque minha natureza é essa, esse é meu temperamento, é assim que componho”.

NOVO ÁLBUM INCLUI CAETANO
Vítor compara a proposta do álbum já gravado, que deve lançar nos próximos meses, com a do anterior: “Satolep Sambatown foi uma chegada ao que eu me propus lá no Ramilonga, exatamente encontrar uma medida entre a música brasileira e essa música mais ‘sureña’, vamos dizer assim, milonga e tal. Ele consegue essa fusão. Já o disco novo é um prosseguimento, uma segunda etapa, não é um retorno a nada, é um andar pra frente. São novas milongas, novos arranjos, é uma nova busca”.
Na Argentina, onde se deu a maior parte das gravações, Vitor recebeu a notícia de que Caetano Veloso queria participar do disco. Dois meses depois, foi direto de Alegrete, para o Rio de Janeiro, onde se conheceram pessoalmente. “Nem sabia se ele me conhecia. Ele é um cara super legal, gentil, e muito interessado na questão cultural. A gente se afinou muito bem”.

DVD-DOCUMENTÁRIO
O CD novo virá acompanhado de um DVD-bônus: “Um documentário bem simples, bem despojado. Enquanto a gente gravava o disco, foi feito um acompanhamento documentando todas as gravações, minha movimentação lá, enfim, uma série de coisas”. Também traz cenas relacionadas aos locais onde viveram Jorge Luís Borges e João da Cunha Vargas, poetas respectivamente argentino e alegretense musicados no disco.

Vitor P&BREGIONALISTAS
Em sua obra, Vítor exalta os valores gaúchos, musicando os poetas locais e gravando milongas… ao seu estilo. Sendo o universo regionalista conservador, como é sua relação, por exemplo, com os freqüentadores do programa Galpão Crioulo ? “Fui no programa em seu começo, quando era bem garoto; e bem depois, muitas vezes… O Neto (Fagundes, apresentador) é super legal, meu amigo e um dos caras mais abertos que tem… Não há impedimento algum de ter uma boa relação. Tem algumas pessoas do regionalismo que torcem nariz pro que eu faço, dizem que não tenho direito de fazer regionalismo, porque sou um cara do litoral, de Pelotas, não sei nem andar a cavalo, essas bobagens assim… Acho que no final a minha composição acaba falando mais alto, o trabalho vai se impondo. Tá aí ‘Semeadura’, ‘Deixando o Pago’, já são clássicos do regionalismo”.

SATOLEP E A CRIAÇÃO
Definindo-se como “gaudério interiorano”, Vítor criou o anagrama “Satolep” em homenagem à cidade natal Pelotas, maior referência de sua obra literária e musical, e berço de seu processo criativo. O artista mora lá há 15 anos, na mesma casa onde residiu pela primeira vez aos quatro anos. É onde compõe quase tudo: álbuns inteiros – a maior parte do novo, o “Longes” (2004) inteiro; canções como “Semeadura”, na sala aos 17 anos, “Deixando o Pago” mais tarde… “É um lugar sempre inspirador, onde me sinto à vontade. Pra mim é importante, sou apegado às minhas coisas de família, de passado”. Uma parte menor das composições surge fora do lar: “Faço muita música em viagens, às vezes em passagem de som… Nunca acontece de ir para o estúdio compôr. Já entro com tudo muito pensado, com um conceito por trás, sabendo o que vou gravar”.