Marcado: Roger Schneider

Atelier anuncia Espaço de Verão com show 3 em 1

Atelier Coletivo prepara o lançamento de seu Espaço de Verão com reunião inédita de três artistas consagrados localmente

Na sexta, 23 de outubro, o Atelier Coletivo ofereceu um espetáculo com algumas inovações que foram um ensaio para a inauguração de seu Espaço de Verão, prevista para daqui a duas semanas. Uma reforma ampliará a capacidade de público do prédio, que terá ainda abertura de seu pátio para eventos de quarta a sexta, incluindo happy hour com início mais cedo que o praticado pelos festeiros bageenses.
O proprietário do Atelier, Carlo Andrei Rossal, motivou-se após avaliar as tendências do entretenimento noturno local e perceber apropriações de propostas diferenciadas, praticadas pelo Atelier desde sua origem, inclusive na escolha dos artistas a se apresentar na cidade. Rossal teve mais certeza de que o caminho é uma polarização cada vez maior das opções, na qual a casa que dirige deve se afirmar como um local cult.
A partir da abertura com show do Soul da Silva, o Espaço de Verão deverá oferecer sempre interações multiculturais, com artes plásticas, grafitagem, exposições fotográficas… Com efeito, nesta data já se presenciou um fato do tipo que “só se vê no Atelier”: paralelamente aos shows, o desenhista Theo Gomes tomou uma mesa e com gestos bruscos, comparados por alguém com os de uma psicografia, começou a esboçar imagens a lápis, com seu estilo característico baseado em achura.

Show três-em-um: Belleza, Schneider e Pavão (+ auxílio luxuoso…)

O ambiente de liberdade artística e parceria previsto como uma marca para o Atelier de Verão já se fez sentir no show da sexta-feira.
Uma reunião inédita entre três músicos com história em Bagé, e convidados especiais, na qual cada um tinha seu set mas era livre o intercâmbio entre todos, no palco. Ricardo Belleza, Roger Schneider e Luciano Pavão, respectivamente, modificaram o playlist de seus shows habituais para o formato do evento: acústico plugado, sem bateria mas com a percussão de um cajón (instrumento de origem flamenca).

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Eu com Belleza e Alessandro - clicados por LÉKO MACHADO

Belleza demonstrou algumas concepções mais artísticas de sua produção-solo: “Flamenco Western” (oportuna para a percussão latina) e “Anjo da Fronteira” (letra longa inspirada em Gildo de Freitas, e associada à produção de um curta-metragem), momento em que o cantor arriscou-se na harmônica. Do repertório de sua banda Marvin (atualmente em stand-by), inseriu apenas as covers finais, como “One” do U2 e “A Hard Day´s Night”, com a presença do guitarrista da banda, Alessandro Ribeiro. A B. K. Jones, banda de maior projeção radiofônica de Belleza, foi representada com o hit “Você Não Vai Se Arrepender”. Também resgatou clássicos de raiz como “Bad Moon Rising” e “Runaway” (Dell Shannon). Já nesse momento inicial houve a primeira das convocações do baterista Cássio Neves para o cajón.

rogerRoger também foi estratégico na disposição das canções: em um primeiro momento, investiu ainda mais no clima intimista sugerido pelo formato voz e violão (“Palco”, “Com Que Roupa”), para em seguida, proporcionar um crescendo de adrenalina que culminou sintomaticamente com “Rock And Roll”. Nesse ínterim, clássicos oitentistas como “Roxanne”, “Everybody Who Wants To Rule The World”, “Logical Song”, “Careless Whispers”, além de “Wish You Were Here”, “Smooth Operator” e “Candy”. A maioria das canções ganhou releituras bastante funcionais com ênfase na harmonia das cordas.

pavao

Pavão, atração da recente Feira do Livro local, soube ser eclético como os parceiros: acenou ao Mercosul musical com “Circo Beat”, lembrou Raul com “Tu És o MDC…”. Se o artista anterior homenageara Nei Lisboa, aqui o tributo é a Vitor Ramil, com “Jokin”. As parcerias causaram os pontos altos: primeiro, convite sui generis aceito por Carlo Andrei para assumir o cajón em “Odara”, revelando mais um talento do artista multimídia (risos). Logo, Pavão retribuiu a participação no set de Belleza, chamando Ricardo para “Johnny B. Good”, agora com Pastelzinho batucando. Com essa parceria, tudo voltou ao início, e foi também o fim – do show “oficial” com o trio, uma vez que Pastel filho permaneceu, agora ao violão, para acompanhar o soul sexy de Cibele Martinez, em mais um número imprevisto de uma noite cultural no Atelier…

Griffe reabre, sempre com shows

Há algumas semanas, a casa noturna Griffe reabriu suas portas na Galeria Kalil, despertando nostalgia em quem viveu a época de sua primeira fase. No início dos anos 90, aquele foi um dos primeiros locais de festa que teve seu nome consolidado na região. Se no longínquo momento a dance music (ou acid house, a vertente mais popular de então) imperava, hoje os hit parades estão mais ecléticos, viabilizando que, mesmo em Bagé, cresça o número de casas com ofertas diferenciadas de divertimento. Nesse contexto, a nova Griffe não se limitou à discotecagem em seus eventos, e sempre tem trazido ao menos um show musical por noite. No sábado, 20 de julho, a dose foi dupla com Roger Schneider (e grupo) + banda Marvin. O primeiro transita pela MPB de um Djavan e pelo rock massificado dos Paralamas, e ganhou um toque adicional de distorção pela presença do guitarrista Téco (Sistema Falido) em sua banda. A atração seguinte apresentou repertório similar ao desempenhado mês passado no Atelier Coletivo, porém adaptado ao público distinto com acréscimo de covers, especialmente dos Beatles. E ainda voltaram para um bis.
Assim, a Griffe reúne elementos de pub para happy hour; com danceteria em pista ampla.
Outra iniciativa madura da empresa é iniciar a portaria às 21h30 – há muitos anos os empresários da noite bageense incentivam o público a entrar mais cedo às festas, pois o horário médio de concorrência dos festeiros aqui é tardio em relação a outras cidades gaúchas, fato comprovável por qualquer um que tenha contatos fora. Assim sendo, welcome back Griffe ! Bem-vindo Abbey Road ! Atelier, Rebordossa: continuem conosco ! Espaço para os artistas e opções culturais para o povo !